domingo, 21 de março de 2010

O tesão de um homem casado enquanto trabalhador

 
Então eu estava sentado na minha mesa – que não é uma mesa, mas uma ilha onde divido minhas tarefas laborais com outras cinco pessoas, e chegou aquela que tem provocado meus sussurros inesperados pela manhã e às vezes, a noite, antes de dormir. Já tem um tempo que ela vem ativando inesperadamente minha libido e me fazendo fantasiar cenas mais do que eróticas no meu ambiente de trabalho. O pior é que ela é daquele tipo meio tapada, mas não imbecil, parece ter uma moral justa, meio ingênua e um pouco ignorante, aquele tipo de mulher que, na verdade, deu pouca atenção às instruções e dá muito à beleza (como deve dar!). E ela sabe, sabe muito bem o que o seu corpo pode causar nas pessoas, sabe o quanto babamos pelo seu rabo, sabe o quando desejamos abaixar mais um pouquinho só da sua calça já rebaixada.
Então eu estava sentado na minha cadeira quando ela apareceu na minha frente – do outro lado da mesa, com uma blusa que deixava sua cintura uns 6, 7 centímetros de fora, angulada pela causa jeans justa। E no que ela falou comigo, não pude como não investigar o que enxergava com o canto do olho. Tentei sem jeito disfarçar minha ação, inclinei meus olhos para a divisão entre seu umbigo e seu sexo, por milésimos de segundos, minha cabeça pode captar aquela imagem libidinosa, cheia de mistérios que é a cintura de uma mulher metida numa calça apertada. Bom, ela percebeu meu olhar safado, mas não se afastou de mim, apenas enquanto continuava o assunto (outros também estavam inseridos na conversa), puxava a blusa para baixo com a sua mão, fez uma, ela me viu olhando de novo para o movimento das suas mãos, fez duas, continuou falando e então o assunto acabou. Ao invés de ir embora, deu a volta na ilha, e ficou do meu lado, continuando o que tinha para falar. E enquanto eu ouvia e minhas mãos estavam no teclado, minhas verdadeiras mãos, as mãos da mente, já estavam em contato com a sua xoxota agarrada naquela calça e ela em segredo sussurrava de tesão no meu ouvido safado da mente. E a partir dali, minha motivação no trabalho mudou, todo dia acabou sendo assim, ela falava comigo e eu olhava nos seus olhos como se estivéssemos deitados, eu rijo, ela molhada. E quando encontrávamos para um café na cozinha, ela lavando o copo na pia e eu roçava a minha pica da mente na sua calça revestimento de loucura. Que bunda! Que bunda!
E todo dia fico ali me divertindo, me deixando levar até um limite tênue entra o êxtase mental e a ação real, me imaginando agarrando sua cintura, suas coxas, com naturalidade, sem forçar a barra, como se nossos corpos fossem pólos necessitados de imãs que se atracam com força sobre a mesa de café da firma, na cômoda da sala de reuniões, perto do provedor central, na salinha escondida do segundo andar. Sempre imagino também em um dos banheiros, claro. Uma perna dela na privada - tampa fechada, claro, calça arriada ou saia (ai no caso, só calcinha abaixada), mão direita na parede da direita, mão esquerda, na parede da frente, com sua maravilhosa bundinha me olhando, enquanto entro-e-saio-entro-e-saio, enquanto tremo de medo e esqueço o medo de alguém bater na porta, de alguém perceber o movimento.
É esse o jogo silencioso que me permito, fora isso, nada de traições, nada de safadezas, sou um marido justo e fiel, sei o quanto é maliciosa a língua ferina, ainda mais das meninas que com inveja da coleguinha, poderiam muito bem barrar minha felicidade. Todavia, coitadas, não chegam perto, a empresa está numa época em que contrata eficiência ao invés de curvas, suga o dinheiro do cliente não mais pelo tesão, mas sim, pela qualidade. Pena que Deus não dá asa a cobras e, justamente, a de corpo perfeito não tem lá muito talento a não ser os naturais. Não que isso seja ruim, mas é o suficiente para despedirem quando cansarem de olhar para seu rebolado, quando cansarem de seus erros compensados pelas coxas. E eu, enquanto trabalhador, alivio a dor da chibata me concentrando com audácia de um monge louco e safado, enquanto jorram jobs, eu jorro minha felicidade por trabalhar ao lado de tanta inspiração.
Bom, vida de casado é assim, imaginamos, gozamos, mas nunca tocamos. Pelo menos é assim que penso do casamento e penso que é o verdadeiro trabalho na criação, instituições – o casamento e a criação, nem um pouco falidas quando lhe permitem tesão alheio de qualidade criativa.

*originalmente publicado em Let It Beatinik Blogspot

2 comentários:

  1. "já estavam em contato com a sua xoxota agarrada naquela calça"

    caralho, bom pra caralho. Fenomenal o fim do texto. Isso só pode ser real. Me peguei pensando em identidades.

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  2. Bianco, real ou não, a angústia minha durante a leitura, esta sim foi real. Muito bom mesmo!

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