quarta-feira, 10 de março de 2010

Sujos Factual - Um verme aqui dentro


Os orientais adoram pensar na dualidade da existência, do mundo, dos fenômenos, das pessoas, da própria natureza. Acreditam que o que está em cima, embaixo também permanece, assim como, o dentro é o fora. Todas as dualidades formariam espelhos que ora se combatem, ora se complementam. O masculinho, ferrenho e desbravor em oposição e sincronia com o feminino recluso e detalhista.
Nos últimos tempos, dei um salto de qualidade na minha vida. Abandonei a carne. Meu consumo se restringe apenas aos vegetais, cereais, coisas com soja e, claro, carne viva - de vários sabores e genéticas.
Porém, o estresse da vida adulta acabou por carbonizar o meu corpo com dores e doenças misteriosas. A última delas, acaba de ocorrer em meu banheiro. Na privada havia um verme, algo próximo a uma lacraia, mas verme branco e com um escuro do seu alimento ou de seus ovos, na barriga. Uma legião de novos vermes. Todavia, eis que surge em mim a própria dúvida da dualidade:
Este verme ocupava os cantos do aparelho de descarga da minha casa ou da descarga do meu corpo? Demonstrava a torpeza dos canos do apartamento ou do alimento da minha alma?
Talvez, quem sabe, uma vingança cagada ou o anúncio de seu reinício!
Ele veio de mim ou para mim?
De qualquer forma a equação será a mesma: seras esse verme um corvo?




Jota Oliveira

Um comentário:

  1. Um angustiante questionamento, bem kafkaniano por sinal. Mesmo que não seja um verme do teu corpo, é um verme que contigo habita, se não este acontecimento teria passado em branco. Dos canos da casa ou dos teus canos, agora este verme faz parte do teu existencial dualismo.

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