segunda-feira, 30 de maio de 2011

Música Suja - Personal Jesus


Música Suja tem uma dica sagaz para você. Depeche Mode, com uma versão de Personal Jesus. Outra duas ótimas versões foram produzidas por Jhonny Cash e Marilyn Manson. Essas serão as próximas postagens da coluna! Saca esse som aí!

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Cultura Suja - O Legal é o Ilegal

Roberto Carlos é um visionário. Musicou, em 64, um dos estandartes mais fortes do atual Ministério da Saúde. Hoje “É Proibido Fumar” em qualquer tipo de lugar fechado: bares, restaurantes, repartições públicas e, principalmente, em igrejas. A contrapropaganda se reinventa, a cada geração, mais forte.

E os jovens de hoje fogem do cigarro igual o diabo da cruz. Têm preconceito e nojo de quem acende o maldito. São as milhares de substâncias tóxicas que poluem o ar, emitidas em sua maior parte por canos de descarga anatômicos e longevos. O cigarro saiu de moda, até Gisele Bündchen parou com o vício. E nenhuma figura pública quer ser vista dando uns tragos.

Em contrapartida, a maconha vem ganhando cada vez mais adeptos. Não são só os seguidores de Bob Marley; políticos, celebridades e estudantes defendem a legalização. “Maconha não é um problema de criminalidade, mas sim de saúde pública”, é o principal bordão utilizado pelas figuras públicas.

Agora passa reportagem sobre a legalização da droga até no Fantástico, e na novela das 8 ninguém acende um cigarrinho. Já vi amigos clamarem orgulhosos: “não fumo cigarro, fumo maconha que é natural”. Amigos da geração saúde, que cresceram imbuídos de ódio contra o tabaco.

Os fumantes hoje em dia são como leprosos, vivem às escondidas, se culpando por ter um vício nojento. A mídia bate tanto na tecla que as pessoas não conseguem mais ter libido por quem fuma. O inconsciente coletivo diz: “Se você gosta de cigarro, você é brochante.”

É claro que a divulgação dos malefícios é importante, mas a contrapropaganda está praticando um adestramento em massa, impelido por um Ministério da Saúde que, curiosamente, não se preocupa com a saúde das pessoas, mas sim com a redução dos gastos públicos para mantê-la. E os maconheiros de hoje perderam a patente de marginais para subir o pedestal de intelectuais e pessoas saudáveis. Estranho, muito estranho.

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Arthur Viggi

terça-feira, 17 de maio de 2011

Contos Sujos - Noite de três prazeres


Frente à folha branca, sem qualquer coisa em mente a produzir, resolvi escrever para Deus.

Meu bom Senhor é mais que natural que, mesmo em sua magnitude, desconheça a voz desse vagabundo. Talvez Lhe desperte uma reminiscência, pois em infância algumas vezes falava com Vossa Divindade, embora meus ouvintes preferidos tivessem sido Seus capachos alados.

Faço disso uma carta aberta de elevada sinceridade. Às vezes, divago solitário: Tu és mesmo um bom velho de cabelo e barbas longas, brancas como nuvens que correm o céu? Caminhas sobre montes fartos de oliveiras? Habitam em ti, toda a sabedoria e amor? Amas sobretudo teus rebeldes filhos? Guardas a todos eles um paraíso, e para isso, precisam, apenas, ajoelhar e pedir perdão pelos atos cometidos?

Não posso acreditar em nenhuma das imagens que descrevi acima ou em outras comumente disseminadas. Mas para meu coração é mais difícil duvidar que Algo Maior exista. A dúvida que não consigo fazer absoluta se torna uma pequena fé.

Nessa pequena fé, suponho agora o velho gris com sorriso impertubável a me escutar. Compreendo a olhar no fundo dos olhos - de intesidade multicolorida - que para minha proteção não ouvirei nenhuma palavra. Metafísicamente, entendi que ouvir uma palavra tua seria como receber um beijo de uma deusa pagã da insanidade. Qualquer resposta deveria vir no simples fito desse rosto etéreo. Experimentar a paz sóbria do semblante que venceu o tempo, me fez distrair por um instante de minha missão.

Deus ou seja lá qual for teu nome, por que motivo tanta compaixão? Teus filhos fazem da devoção a ti a primeira razão das perversidades. A noção de fraternidade sucumbe às disputas do poder, todos têm o desejo de ser forte, contudo se escondem na escória do pensamento fraco. Dizem a todos os outros: é condenável querer riqueza, fazem dos mais inocentes orgulhosos de sua miséria, e mesmo entre os miseráveis verás teus filhos menos fracos explorarem outros em estado quase bestial. Bestial não, se ainda bestas fossem haveria qualquer fúria subconsiente. São ovelhas semimortas agradecidas por suas (quase) vidas.

A atrocidade que se inicia ao nascer do sol não irá para o travesseiro do perverso. Pois, em prece a ti se perdoará de todos os pecados, para repití-los amanhã. Velho-Maior-que-Tudo esqueça, por favor, o mundo por algum tempo. Deixe que a natureza transforme a pedra lançada sobre o outro em boomerangue que retorna certeiro e letal.

Meu velho; eu não te amo sobre todas as coisas,
eu não sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo.
Eu sequer tenho muito amor próprio.
E, essa alma que nunca te pediu nada, hoje clemente se rende:


- Ensurdeça, não salve o mundo de nós mesmos todas as noites. Vá em descanso para uma estrela distante e passe as rédeas do mundo a Keroauc ou a outro semideus sarcástico da literatura mundana.

Depois de terminar a epístola para Deus, meus olhos pesados se fecharam e meu corpo cansado, autômato, deitou a cabeça sobre os braços.

...caminhando no inferno vi uma série de demônios, continuei minhas passadas vendo todos os tipos deles. Mais humanos do que repugnantes. Todos eles eloquentes, e após provar do silêncio divino, percebi a perversidade das palavras. A palavra é mais veneno do que semente.

Segui inferno a dentro com certo instinto de orientação e não tive dúvidas quando me deparei com meu demônio particular: Uma garota de dezesseis anos nua, de beleza irresistível, que a primeira ordem obedeci:

- Me foda logo, seu merda!

Com a frase suja meu pênis penetrou aquele anjo caído. Naquele instante, pude sentir separados meu corpo e alma. Meu corpo era pura pulsão sexual, e a alma observava a carne enquanto ouvia a lince do inferno. As palavras demoníacas não marcaram a minha memória, embora tanto tivesse lá escutado, de nada sou capaz de me lembrar. A não ser das experiências do corpo. A cada vez que o pênis entrava na lolita infernal revezei diferentes sensações. Na primeira penetração ela teve um orgasmo pleno e apaixonado, na segunda penetração, vi olhos lacrimejantes de uma vítima de estupro.

A ninfeta revezou as duas facetas, a cada vez que a fodia. Em pouco tempo, quando percebi a dinâmica, quis parar...não queria ser um estuprador, mas em poucos instantes, pensei; "só mais uma vez" para poder ver de novo a faceta do orgasmos daquela menina. E a vontade de ver o rosto tenro de menina entre a dor e o prazer fez com que, aos poucos, não me importasse para o abuso que cometia. E, em transe de tesão corpóreo passei a preferir o corpo que sofria, a alma que observava distante também provou desse desejo e agora ninfa era uma menina indefesa que se debatia inutilmente sob o meu corpo. Quando dei àquela menina a maior dor que poderia fazê-la sentir, ouvi um adeus da minha puta maldita, seguido uma risada temível.

Acordei em suor e êxtase, em um movimento brusco levantei da cadeira que riscou o chão num som estridente e, por certo perturbou o sono tranqüilo e profundo de alguém. Após o susto do despertar, senti a noite gelada e tremi de frio. A certeza que tudo havia sido real me fez ajoelhar aos pés da cama e pedir perdão. a Quem ? Ao mesmo Deus que talvez agora seja surdo, a meu pedido. Tirei os joelhos do chão, como o suicida que hesita o passo fatal, e fui à janela apreciar o vento frio que o mundo oferecia ao meu corpo, em definitivo conclui: o minuano arrepiando minha pele foi meu segundo prazer sincero daquela noite.

Sobre a escrivaninha vi de soslaio a carta para Deus ilegível, borrada por meu suor. E o meu terceiro prazer se realizou ao supor que em covardia, O Todo Poderoso censurou minha súplica.

domingo, 15 de maio de 2011

Sujos Factual - Soberania


Uma discussão que não foi levantada durante a morte do terrorista mais procurado do mundo: a soberania de um país. O que foi divulgado na grande mídia é que apesar de da libertade de ação dada aos americanos pelo governo do Paquistão, nenhum líder local sabia da ação. O suposto alinhamento entre as duas nações foi amplamente questionado na medida em que o terrorista estava em uma das áreas mais vigiadas e seguras do país. Mas ainda sim, uma ação em que pessoas foram assinadas foi realizada e ninguém foi capaz de questionar a legalidade do que foi feito.

Claro, o primeiro argumento é que Osama é um criminoso internacional procurado responsável por um dos fatos mais tristes da história recente. Mas ainda sim, se tudo a partir de então passar a ser resolvido na bala, quem pode afirmar que a polícia do mundo amanhã não vai criar uma encrenca com nossa nação, detentora de generosas reservas de petróleo e recursos naturais.


Mais bizarro é a comemoração pela morte. Os direitos humanos foram colocados de lado. É óbvio que muitos vão apontar o dedo e dizer que um sujeito como Obama não merecia um julgamento. Mas se tudo for tratado desta forma, abrimos caminho para um novo tipo de relação diplomática pautada pelo medo e pelo peso das armas.

Não há como defender Osama. Mas também não há como deixar de lado o fato de que nesta guerra contra o exército de um homem só, muitos americanos perderam a vida. Muitos recursos foram gastos. Dinheiro vindo de trabalhadores e famílias que hoje, depois do golpe da bolha hipotecária, se encontram em estado de falência.

O certo é que não há mocinhos e nem vencedores nesta história toda.

sábado, 14 de maio de 2011

Cultura Suja - Beady Eye


Os fãs do Oasis se estarreceram quando Noel Gallagher anunciou sua saída da banda em agosto de 2009. A última briga com o irmão foi o motivo apontado pelo cantor para colocar um ponto final em 15 anos de carreira, desde o lançamento do primeiro álbum, “Definitely Maybe”.

Pouco tempo depois, Liam Gallagher já expunha na mídia a intenção de manter a formação antiga da banda sob outro nome e gravar um novo projeto em estúdio. Já Noel tomou chá de sumiço, sem trocadilhos com sua origem inglesa. Passou quase dois anos afastado, trocando as fraldas de seu filho mais novo, e só agora anuncia um álbum solo para setembro.


“Different Gear, Steel Speeding”, o tão esperado álbum de estréia do Beady Eye, saiu no final de fevereiro. Sendo um fã do Oasis, fiquei muito curioso com o efeito que a saída de Noel teria sobre as composições da banda. Uma curiosidade, que se transformou, depois de ouvir diversas vezes o álbum, em uma impressão negativa.

O álbum começa com “Four Letter Word”, ótima música, que combina velocidade e acordes coerentes. Depois vem “Millionaire”, bela canção cujo riff inicial lembra música country. Mais um acerto. Em seguida, “The Roller”, bem pão com manteiga. É aquela música que te faz pensar “legal, vamos pra próxima”. E a póxima é “Beatles and Stones”, muito simples e não menos convencional. “Wind Up Dream” é exatamente a mesma coisa.

O álbum prossegue com “Bring The Light”, o primeiro single da banda, com direito a clipe e tudo. Esta é convencional, mas tem uma pegada rock n’ roll excitante. “For Anyone” é uma música retro, assim como a maior parte do álbum. É bonitinha, faz tipo de balada anos 60, mas não convence. As outras quatro músicas subseqüentes, “Kill For a Dream”, “Standing On the Edge of The Noise”, “Wigwam” e “Three Ring Circus” formam uma incrível sequência de bombas.

São todas comparáveis às piores músicas do Oasis. “The Beat Goes On” daria uma boa música, se o refrão não parecesse uma canção de ninar. E “The Morning Son” peca pela excessiva melancolia.



Depois de ouvir o disco ficou claro que a saída de Noel prejudicou o grupo. O disco tem no máximo duas músicas que podem ser comparadas aos hits do Oasis. A nova empreitada de Liam, que está cantando como nunca, tinha tudo pra dar certo: dinheiro, nome, marketing e fãs. Mas faltou o quesito principal: inovação. A fórmula usada pelo cantor de copiar o visual e estilo musical de John Lennon não vingou desta vez. O resultado foi um álbum comercial, convencional e vazio. Perfeito para tocar em “Malhação”.

Arthur Viggi

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Contos Sujos - Vingança - Parte 3


Para que não está acompanhando este contos as primeiras partes você encontra aqui em baixo. Se está, manda bala na última:

Era um revólver. Um 38 com sinais de uso. E junto um pedaço de papel com alguma coisa rabiscada. Tod olhou para o homem deitado no sofá e disse:

-isso é para você resolver o seu problema
-cadê meu conhaque?
-hoje não tem porcaria de conhaque nenhum - disse Tod levemente alterado pegue isso e resolva a sua vida

Tod levantou-se e não disse mais nada. Caminhou até a porta em silêncio. Abriu a porta e foi embora. Loyd olhou para o embrulho. Sua vida tinha chegado a um ponto tão degradante que a morte seria uma solução rápida para um sofrimento prolongado. Marie não voltaria mais. Seu dinheiro esta hora estaria sendo gasto com tudo que o luxo pode oferecer. E enquanto isso ele apodrecia enfermo dentro daquele apartamento com cheiro de merda por todos os lados. Poderia dar um fim naquilo tudo com apenas um leve movimento no gatilho. Resolveu que faria isso. Mas antes precisava de um banho.

Levantou-se com dificuldade e caminhou entre a sujeira no chão. Foi até o banheiro. Abriu a torneira. Uma água suja desceu sujando a banheira. Era fruto dos muitos dias sem ser usada. Entrou na água que estava gelada. Sua pele estava oleosa. Algumas feridas já começavam a surgir pelo corpo. Não demorou mais do que 10 minutos.

Olhou-se no espelho pela última vez. Seu rosto estava completamente diferente de outras épocas. A barba estava por fazer e o cabelo cada vez mais ralo. Voltou para a sala. Pegou a arma e a admirou por alguns segundos. Colocou o cano gelado na boca.

Um segundo. O tiro saiu pelo outro lado da sua cabeça, jogando sangue por todos os lado. Não havia mais vida naquela sala. Ou melhor, aquele simulacro de vida havia sido eliminado.

No papel que envolvia o revólver havia um endereço, rabiscado cuidadosamente. Era de Marie.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Contos Sujos - Vingança - Parte 2


Para quem não acompanhou a primeira parte deste conto está logo aqui em baixo. Para você que está acompanhando, manda bala na segunda!

Tod caminhou até a sala e se sentou. Era praticamente impossível encontrar algum lugar naquele apartamento que estivesse limpo. Retirou algumas garrafas vazias, mas ainda sim não se sentia confortável. Além da sujeira, um cheiro forte de fezes agora tomava conta do ambiente:

-Loyd, você desistiu de ir ao banheiro?
-sim, é perda de tempo...
-perda de tempo? Esse apartamento tá fedendo a merda. Tudo aqui tem com cheiro de merda
-o que importa? - Loyd disse realmente não se importando com aquilo
-pelo amor de deus Loyd, você ainda tá vivo cara. Se você ficar se cagando todo vai piorar essa porcaria que você tem que ninguém sabe o que é!
-Tod, se você veio aqui ficar falando como se fosse uma puta na chuva levanta esse rabo e vai embora daqui. Me dê meu conhaque, meus remédios e não me encha o saco.
-eu não trouxe nada disso hoje... - agora foi a vez de Tod se fazer de desentendido
-como assim seu filho da puta? eu me cagando todo esperando meu remédio... e meu conhaque e você me aparece sem eles? - Loyd estava completamente alterado agora
-calma aí. Eu tenho outra coisa comigo hoje.

Tod tirou um embrulho de dentro de um pacote. Era pesado. Quando colocou o objeto em cima da mesa, uma barulho metálico se espalhou pelo ambiente. Loyd sabia o que era aquilo:

-seu filho da puta, você veio me matar?

Continua...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Contos Sujos - Parte 1 - Vingança


Ja havia sete dias que Loyd não conseguia se levantar da cama. Os remédios não faziam efeito mais. A febre não baixava e as dores tomavam conta de seu tórax. As contrações eram tão fortes que chegava a vomitar de tanta dor. O sangue escorria pelas fezes. Mesmo assim, a mantinha a garrafa de conhaque cheia ao lado da cama. A cada gole, parecia estar mais próximo da morte. E no fundo, era aquilo mesmo que ele queria.

Desde que Marie, sua namorada havia indo embora sua vida virou. Claro, junto com a mulher, todo seu dinheiro foi roubado do banco. Pouco havia lhe sobrado da fortuna que havia juntado durante quase toda a vida. Foi forçado a vender o apartamento, e o carro para conseguir sobreviver. Se entregou completamente as drogas e ao conhaque barato para afogar suas mágoas.

E o que mais lhe doía é que ainda gostava daquela vagabunda. E por isso bebia a ponto de ficar profundamente doente. Quase todos os dias, o único amigo que havia lhe sobrado ia ao apartamento para lhe levar remédios e mais algumas garrafas de conhaque. Eram quase cinco horas da tarde, quando a campanhia tocou. Loyd se levantou com dificuldade e abriu a porta. Um cheiro moribundo rapidamente se espalhou pelo corredor do apartamento.

Tod entrou no apartamento. Aquela cena, apesar de comum, continuava lhe assustando. E por isso havia decidido fazer algo. Naquele dia, ele não tinha nem remédios e nem conhaque.


Continua...

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