domingo, 31 de janeiro de 2010

Imagem Aqui - O Haiti nunca foi ali - Conheces Omayara?



O mundo anda em polvorosa. As relações no macro atingem um nível dramático. Só no Haiti, centenas de milhares sentiram o mundo cair. E nós, espectadores do oeste, assistimos ao desenrolar grudados na TV e na Web. Ontem foi um dia bonito para a esperança.

Depois de duas semanas, um homem soterrado em Port du Prince foi resgatado com vida. Um mistério que a ciência oficial pena para explicar ou talvez seja a exceção que confirma a regra científica. Disseram que ninguém sobrevive cinco dias sem água e sete sem comida. Algum corpo do terceiro mundo sobreviveu quinze!

Hoje, vemos com simplicidade o que é a globalização. Entretanto, a imagem que abre nossa conversa pode ser considerada uma das primeiras faces da mundialização do drama humano real e ao vivo pelo mundo eletrônico. A década de 1980 é marcada por um grande avanço tecnológico, principalmente, no que diz respeito às mercadorias domesticadas.

Foi por ali que a TV em cores se tornou vedete, fitas K7 saíram do primeiro mundo e povoaram todos os possíveis, o vinil avançou até ser sucumbido no final pelo CD, o vídeo-cassete trouxe o cinema para dentro de nossa casa, o cabo surgiu como alternativa, as estrelas de Holy foram para o Olímpio, os satélites passaram a voar ainda mais longe, o vídeo-game entorpeceu milhões, o computador foi transformado em microcomputador ou PC (Portatil Computer) e exibido durante o Super Bowl e consumido nos shoppings da América e Tóquio.

E a mídia foi a mãe de todos esses fenômenos fantásticos que nos trouxeram a novidade.

Esta foto foi retirada de um site. Comunhão de informação, dor e resistência. A sessão se chama “Fotografias que fazem parte da história”. O texto que segue, é original e me comoveu como há muito não me sentia. Então, shhhh!!! Segue:

Omayra Sanchez foi uma menina vítima do vulcão Nevado del Ruiz durante a erupção que arrasou o povoado de Armero, Colômbia em 1985. Omayra ficou três dias jogada sobre o lodo, água e restos de sua própria casa e presa aos corpos dos próprios pais. Quando os paramédicos de parcos recursos tentaram ajudá-la, comprovaram que era impossível, já que para tirá-la precisavam amputar-lhe as pernas, e a falta de um especialista para tal cirurgia resultaria na morte da menina.

Omayra mostrou-se forte até o último momento de sua vida, segundo os paramédicos e jornalistas que a rodeavam. Durante os três dias, manteve-se pensando somente em voltar ao colégio e a seus exames e a convivência com seus amigos.

O fotógrafo Frank Fournier, fez uma foto de Omayra que deu a volta ao mundo e originou uma controvérsia a respeito da indiferença do Governo Colombiano com respeito às vítimas de catástrofes. A fotografia foi publicada meses após o falecimento da garota. Muitos vem nesta imagem de 1985 o começo do que hoje chamamos Globalização, pois sua agonia foi vivenciada em tempo real pelas câmeras de televisão de todo o mundo.

Foto de Frank Founier

Jota de Oliveira

sábado, 30 de janeiro de 2010

Cultura Suja - A Rainha do Crime


Autora de 80 romances policiais, entre outras obras, ela é conhecida como “a Rainha do Crime” e é um dos nomes mais famosos da Inglaterra. Seus livros já venderam mais de 1 bilhão de cópias somente em língua inglesa, e mais outros bilhão em outras línguas, marca que faz de Agatha Christie uma das autoras mais publicadas de todos os tempos.

Assim, por pior que seja a biblioteca que você freqüenta, provavelmente ela dispõe de uma coleção de livros da Agatha, ou pelo menos os mais famosos, tais como “Assassinato no Expresso do Oriente” ou “O Caso dos Dez Negrinhos”.

Seus romances são extremamente inteligentes e bem elaborados, de forma que o leitor sempre se surpreende com o desfecho das histórias, dificilmente conseguindo identificar o assassino. O personagem mais famoso de Agatha é o detetive Hercule Poirot, homem de baixa estatura, muito astuto, de aparência elegante e comportamento extravagante.


Agatha teve uma infância reclusa, tendo sido educada pela própria mãe. Trabalhou num hospital e numa farmácia, durante a 1ª Guerra Mundial, o que lhe deu o conhecimento necessário sobre venenos para bolar os assassinatos em suas ficções. Uma curiosidade sobre sua vida é que durante a década de 1920, a autora desapareceu por quase 2 semanas.

Oficialmente, o evento foi justificado por um colapso nervoso, culminando em amnésia temporária. O colapso supostamente aconteceu em função de 2 traumas sofridas pela autora. O primeiro foi a morte da mãe (Agatha passou 3 meses na casa de sua mãe separando os objetos que iriam ser guardados ou distribuídos, longe do marido).


O segundo foi o divórcio pedido pelo marido (durante esses três meses de separação, seu marido se envolveu com outra mulher). Esse acontecimento gerou grande polêmica e todo tipo de especulações. Falou-se que ela foi assassinada (o principal suspeito foi o ex-marido), seqüestrada e que tinha cometido suicídio. Por fim ela foi encontrada em um hotel, hospedada com nome e sobrenome falsos.

Pra fechar a matéria sobre essa grande personalidade, recomendo a leitura de seus livros. Será bom principalmente para quem está começando. Nada como este tipo de livro pra te puxar pra dentro do mundo literário.

Lilly Rose

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sujos Factual - Livro: Honoráveis Bandidos, Um retrato do Brasil na Era Sarney – Palmério Dória


Caixa-preta da história de José Sarney

Faz tempo que pretendo falar sobre essa obra, preferia ler antes de recomendá-la, mas não posso comentar porque não a tive em mãos. Trata-se de uma biografia que investiga toda a sujeira que se desenhou a vida política do Moderno Senhor Feudal Maranhense, o inabalável José Sarney.

O jornalista Palmério Dória depois de anos de pesquisa traz à tona muitas histórias inconvenientes para Sarney, com episódios que vão desde a vida política até mesmo à vida sexual, quando os episódios não unem as duas coisas.


A pornográfica história de um dos pilares da corrupção política nacional foi encoberta por muito tempo, esse é um trecho da matéria da Folha de São Paulo que me instigou ainda mais o interesse por essa obra:

“A noite de autógrafos de Dória foi marcada para ocorrer na sede do sindicato dos banqueiros, porque as livrarias do Maranhão se recusaram a lançar a obra no mês passado. Segundo o sindicato, estudantes ligados à família Sarney jogaram ovos e uma torta na direção de Dória, em protesto contra o livro. Houve também uma discussão entre os participantes do evento e os manifestantes.”


A recusa das livrarias em circular os exemplares não ocorreu só no feudo de Sarney, se estendeu por todo o país, até que em setembro a revista “Caros amigos” deu destaque a Obra. Logo a obra atingiu o segundo lugar na lista de mais vendidos da Revista Veja – atualmente com 28 mil exemplares - , e então aí sim, toda a mídia foi obrigada a dar algum destaque a obra.

Por falta de grana ainda não li, mas quem fica a dica pois a quem se interessa por política eis algo altamente recomendável! Quem já leu deixa aí sua opinião.



João Ninguém

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Contos Sujos - A Primeira Visão ao Acordar - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão aqui em baixo. Se está, manda bala na última:

Acho que ele não gostou da minha pergunta. Acho que vou ter novamente um papo com o punho dele. Eu não, meu estômago, e vejam só, acho que o resto do jantar de ontem resolveu aparecer para contar a sua história também. Agora o pano branco serve para limpar o vômito que caiu no braço no alemão. Ele se acalma e pergunta novamente 'Quem é você e o que estava fazendo com a porra da minha mulher?', e eu novamente não sei o que responder.

Quando o clima estava voltando a ficar pesado, a porta se abre e entra uma mulher lindíssima, e pouco a pouco minha memória começa a voltar, e espere, esta é a mulher de ontem! Parece que o espanto não é só meu, o russo está com uma cara de espanto igual ou até maior que a minha.

Então começa um diálogo daqueles que um bom roteirista de cinema ficaria espantado e querendo escrever para um de seus filmes, mas como minha memória não é das melhores, vou resumir o que ocorreu.

Eu fui sim para a cama com uma mulher ontem a noite, sendo que não tive nada a ver com a morta da mesma. Ao que parece, enquanto eu dormia ela passou horas e horas cheirando cocaína e teve uma overdose ao meu lado.

Como estavamos em um motel bacana, o barulho que ela fez tentando se levantar e respirar não foi o suficiente para me acordar da bebedeira, mas chamou a atenção dos hóspedes do quarto ao lado que telefonaram para a portaria. O porteiro também achou que aquela mulher era a esposa do cafetão russo que vocês já conhecem, pois ela normalmente ia naquele mesmo hotel com seus clientes. O porteiro telefonou para o russo, que chegou ali furioso.

Agora vem a parte estranha da história, ninguém sabia que a Sr. Puta Russa tinha uma irmã gêmea, nem ela mesma. Esta 'irmã caçula por alguns segundos' tinha descoberto do caso de separção na maternidade e estava na cidade em busca da irmã. Lembrei que conheci ela num bar e bebemos tanto que fomos parar numa cama de hotel.

O caso é que eu nem acabei conseguindo comer ela de tão bêbado que eu estava, é mole? Já fiz muita safadeza por aí, mas quase que me dou mal por alguém que eu nem pude fuder antes deste alguém me fuder. Agora tudo acertado estou escrevendo isso na mesa de um bar enquanto o russo não volta do banheiro. A história foi tão irônica que todos cairam na risada e fui convidado a beber umas doses de vodka depois que me soltaram.

Estou aqui, tomando o melhor suco de batata que se pode encontrar nesta cidade e procurando a melhor sarna para me coçar que eu possa encontrar esta noite. Tem uma ruiva no balcão que não para de me olhar, acho que será a minha próxima tentativa de arrumar encrenca...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Contos Sujos - A Primeira Visão ao Acordar - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

Acordo não sei quantas horas depois. Vou te atualizar da minha situação. Sala meio escura, cheiros desagradáveis, três russos enormes me encarando, uma mesa com uma garrafa de vodka no centro, três copos de bebida sujos em volta da garrafa. a primeira coisa que penso é que os escrotos não vão nem me oferecer uma bebida.

Notam que estou acordado. Falam algo entre si, dois deles saem da sala, o outro pega um papo branco e usa para limpar a nuca e a testa, depois joga na mesa, serve duas doses de vodka, uma delas vai garganta abaixo e a outra vai direto para a minha cara.

- Temos algo para conversar; ele diz; Quem é você e o que você estava fazendo com a minha mulher?

Espera, então isso é apenas um caso de traição? Eu comi a mulher deste russo maldito? Não é um daqueles casos em que você vai para um puteiro, pega uma puta, trepa com ela, ela aparece morta e depois a culpa é tua. Não estou na mão da máfia?

- Ela era a minha puta mais rentável e nestes anos de casamento só vendeu o rabo para clientes que notava ser vip. Eu não precisava nem intermediar, deixava tudo nas mãos dela que a moça era inteligente. E agora ela aparece morta. Quem diabos é você e o que caralhos estava fazendo com a porra da minha mulher?

Ótimo, são ambos os casos em um só. Pelo perceptível tamanho enorme das veias que estão saltadas em seu pescoço acho bom eu pensar em algo de uma vez, mas antes...

- Pode me oferecer primeiro uma bebida?

continua...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Contos Sujos - A Primeira Visão ao Acordar - Parte 1


É quando se abre os olhos e assim se vê a primeira imagem do dia, ainda desfocada, que se nota em que estado você se encontra, em que quarto você se encontra, em que encrenca você encontra. É um impacto, uma confusão sem tamanho, é a memória do dia anterior tentando voltar, os sonhos tentando sair, e as novas informações se acumulando. A velocidade disso tudo vai depender de fatores como 'a quantidade de bebida ingerida nas últimas 24 horas', 'a quantidade de sono nas últimas 48 horas' e a 'a quantidade de[POF! ...] ...

Eis o que está passando pelo meu cérebro agora. Estou num quarto desconhecido, com um corpo morto e desconhecido e ensanguentado ao meu lado e com um russo enorme e desconhecido na porta. Estou certo que logo vou ser lembrado por este mesmo desconhecido sobre o que está ocorrendo. Ou isso, ou pelo menos vamos ter um papo saudável, daqueles cara e punho, punho e rins ou o que vier primeiro. Pelo olhar dele acho que será palma da mãe em garra e pescoço, mas posso estar enganado.

Tentando evitar esta situação constrangedora reuno todas as poucas forças que meu corpo já consegue administrar e me jogo para o lado, caindo ao chão e percebendo que não estou tão mal assim, mas já estive, reconheceria este vômito em qualquer lugar e então suponho que devo ter seguido o meu padrão e bebido bastante whisky com água na noite passada, mas já tinha me despedido dele aqui mesmo no quarto.

Sem tempo para pensar mais neste assunto fascinante, olho para a porta e não vejo nada. Olho para o outro lado e novamente não vejo nada, só que agora é de uma forma diferente. Nosso papo foi punho e lateral do olho direito mesmo. Não vi nada pois antes mesmo de racionalizar o que acontecia, já estava desacordado no ombro do brutamontes. Se ele tivesse senso de humor poderia estar repetindo dentro da cabeça 'aproveite a viagem, seu filho da puta'.

continua...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Culto e Grosso-Curso de Neuroinformática: Módulo 1 (O Cérebro)




"Feed your head." Dormidongo em Alice no País das Maravilhas.

Imagine que você compra um computador e liga ele na internet. Terás acesso a uma enorme rede de informações diversas, quase ilimitadas para a nossa capacidade de compreensão. Quem consegue vislumbrar a internet como um todo? São tantos dados e informações que se de alguma forma você recebesse tudo de uma só vez no seu computador, uma descarga de bytes, poderia gerar uma força explosiva que num milissegundo sua máquina iria se desintegrar em confusão eletrônica.

Isso é um exagero e não teria como acontecer, mas se permita pensar nesta extrapolação da realidade. Voltando ao básico, tens seu computador zerado e um firewall instalado que bloqueia conteúdo. Bloqueia vírus, mas podes configurar para bloquear diversos tipos de informações. Por exemplo se este computador for para a sua empresa e você não quer seus funcionários distraídos, pode bloquear o acesso de sites em geral, permitindo a execução de algum site específico para as funções que ele terá que estabelecer.

Pegue isso tudo que eu disse e vamos para uma fraca, porém funcional, metáfora de como funciona nosso cérebro. Temos nosso corpo que é uma máquina potente, com a capacidade para absorver milhares e milhares de anos de conhecimento e sabedoria humana, desempenhar diversas funções, temos para alguns que crêem na metafísica até mesmo um espírito que tem a capacidade de se expandir além das estrelas, mas nascemos com uma vida zerada.

Aos poucos vamos aprendendo informações importantes para a existência e não só para isso, vamos evoluindo nos mais diversos campos, úteis ou não. Com tantas possibilidades existênciais que temos acesso, o que irá limitar nossa base de vida será nosso cérebro. Imagine se de alguma forma entrassemos na rede inconsciente de conhecimento universal de uma só vez. Para os metafísicos seria virar parte do universo. Para os céticos seria uma calibragem extrema de informações que os circuitos eletrônicos de nosso corpo não poderia comportar.

Nosso cérebro então é o firewall de nossa existência. Abrir a mente seria deixar que novas sinapses fossem feitas aumentando a comporta que se liga na rede citada de informações.

Existem diversas formas de abrir a mente; leituras, artes em geral, estudos teóricos, experiências de vida, novos trabalhos, mudanças do cotidiano, alguns utilizam drogas para isso, mas voltando ao computador, vejo as amplificações da mente através de elementos exteriores químicos ou naturais como se instalassemos um plugin no firewall do computador, não abrir suas regras apenas, por isso voltamos mais tarde em um módulo mais avançado neste tema. Por enquanto se fixe no conceito.

Nosso firewall corporal precisa ser aberto. Quando queremos visitar novos sites e ter acesso a novas fontes da internet precisamos quebrar regras que estão no programa, regras que bloqueiam este acesso, em nossa vida podemos chamar estas regras de paradigmas.

O firewall do computador é construído por engenheiros de software, o nosso firewall é programado por engenheiros também. Engenheiros sociedades, engenheiros religiões, engenheiros mitologias, engenheiros opiniões alheias, engenheiros diversos. Algumas programações podem acabar só desviando para um caminho interessante, podem servir de apontamento para chegar a certo local, o problema são as regras de simples bloqueio, ainda mais quando motivadas por interesses de alguém.

O computador que encontras em um colégio católico pode ter o acesso a sites filosóficos ou biológicos vetados, pois não é de interesse dos chefes de tal instituição que seus alunos descubram informações que vão contra o que eles pregam. Troque isso por nosso cérebro e o exemplo vira auto-explicativo.

Esta introdução é bem simples, serve apenas para explicar onde quero chegar. Mais uma vez, abra sua mente. Mas não queira ter acesso a tudo ao mesmo tempo. É importante buscar informações e experiências de vida, mas se você não planejar bem como conseguir seus objetivos de conhecimento e sabedoria, poderá ficar perdido no meio de tantos sites e databases de informações.

Poderá queimar seu computador, poderá ser ludibriado a instalar aplicativos errados, poderá pegar vírus, poderá ter sua memória apagada, use qualquer idéia de falência informatizada e faça sua associação com possibilidades que todos vocês sabem podem ocorrer em nossa vida real. Desculpem as comparações estilizadas e de pouca fundamentação, a idéia foi passada. Acessem o código fonte do firewall e comecem a estudar as regras que estão ali e como ir abrindo o seu computador para um mundo amplo de possibilidades. Esta é a base dos hackers da mente.

Ismael Al. Schonhorst

sábado, 23 de janeiro de 2010

Cultura Suja-Parental Advisory


A matéria de hoje é pra quem gosta do gênero terror ou de filmes de zumbi, pra ser mais exato. Recentemente a Inglaterra produziu uma minissérie de 5 capítulos bem interessante, principalmente para os críticos de Big Brother.

A obra, chamada Dead Set, é ambientada na casa dos Brothers, e mostra a vida dos participantes e dos funcionários em meio a uma epidemia de zumbis. Adaptando a propaganda à uma chamada da Sessão da Tarde, ficaria melhor assim: “Você já tentou viver no meio de um monte de mortos-vivos?

A galerinha do Big Brother vai se meter em altas confusões pra se livrar desses malucos que já passaram dessa para uma melhor!”. Agora, voltando a falar sério, aí vai a recomendação pra quem gosta do gênero.


Quem quiser explorar ainda mais pode assistir aos clássicos do mestre George Romero, tais como “A Noite dos Mortos-Vivos”, e sua produção mais recente, “Terra dos Mortos”. Tem também o excelente “Madrugada dos Mortos”, de Zack Snyder (300, Watchmen).

O já consagrado diretor Danny Boyle (Trainspotting, Quem Quer Ser Um Milionário?) também deu sua contribuição em 2002 com o filme “O Extermínio”, um filme muito bom que compensou o fracasso merecido de seu projeto anterior, “A Praia”.


Não muito tempo atrás Will Smith estrelou “Eu Sou a Lenda”, uma tentativa bem-sucedida de revigorar o gênero, porém com o defeito que acompanha todos os filmes de Will, que é um evidente toque comercial. Depois desse falatório você tem muita coisa pra ver. Que tal começar assistindo ao fracasso (fictício, infelizmente) de um reality show?

Lilly Rose

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sujos Factual - O Candidato de uma nota só: Visionário ou Utópico?


A arena política brasileira é um ambiente hostil para os inocentes. É preciso no mínimo malandragem para não virar mero fantoche. É tudo muito bem armado, a corporação política não funciona nem se move por ações solitárias.

Não é questão de mérito da ação que a faz prosperar ou não, mas quem a defende depende muito mais da força de suas alianças do que da força de suas idéias. Então eis o dilema: Se a idéia vai contra o sistema que sentido faz rendê-la a ele?

Mas, nos corredores fétidos do parlamento nacional há criaturas quixotescas que sobrevivem dos próprios sonhos e os alimentam com a paciência da perseverança por dias melhores.

Como “Membro da equipe dos Sujos” afirmo não confiar em promessas, preferir muito mais metas às esperanças. Só que essa figura que pretendo analisar e o trabalho que ele desenvolve, sinceramente, tem minha fé cega. Trata-se Senador Cristóvam Buarque.


Esse homem da fala mansa traz o discurso da Educação com a sinceridade que jamais vi em qualquer outro político. A Educação não pode faltar no discurso de um candidato. Independente do patamar da disputa, mas o que vemos é que ela só consta no palanque e debates políticos.

A Administração Pública leva a educação a segundo plano, as melhores administrações brasileiras tem sido de caráter imediatista, ignorando a evidência que sem educação não haverá problema algum resolvido definitivamente.

Cristóvam Buarque já foi candidato a presidente da república, candidatura tímida mas como sabe-se que uma candidatura para ganhar força precisa se comprometer com forças alheias aos próprios interesses. Defender uma candidatura que priorize a educação vai encontrar apoio de que empresas?

O crescimento desenfreado é o que interessa, o país precisa produzir, a máquina não pode parar, só que o descaso com a formação humana se não for percebido logo formará muito em breve um colapso na economia brasileira. A falta de preparo da mão de obra, vai transformar o Brasil num país cada vez mais desigual, cada vez mais violento e assassinar a sangue frio o potencial de País do Futuro.


Reformulando a pergunta-título, o Senador Cristóvam é um pobre sonhador que jamais vai alcançar seus objetivos sem se render as forças do sistema? Ou, ele é um visionário que o tempo demonstrará e o sistema cedo ou tarde se renderá as idéias como as dele?

Pra finalizar, a escolha desse personagem para essa reflexão foi pessoal, mas a exposição que pretendi não se prende a esse ou aquele indivíduo, vislumbra o nosso futuro. Devemos ou não render nossos sonhos, jogar o jogo deles e ver o que conseguimos alcançar, fazer negociata das nossas esperanças para ver um ou outra realizada. Ou, devemos acreditar na nossa luta sem disposição para negociar, não aceitar condições dos atuais donos do jogo?


Quer saber minha resposta? Um fervoroso ato reacionário não supera uma singela, sublime e suave atitude revolucionária. Não reaja, aja com convicção naquilo que crê e realidade alguma resistirá as tuas ideias!

João Ninguém

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Contos Sujos - 5 minutos ou mais - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última!

Foram poucos passos da casa noturna até o carro, e outros poucos minutos do centro da cidade até uma área deserta, perto de um prédio abandonado no subúrbio da cidade. Não houve diálogo enquanto o carro se movia velozmente pela cidade. Equanto Zak fazia o Caddilac roncar, Judy lhe apalpava de todas as formas possíveis. Suas mãos íam e vinham pelas pernas. O movimento aumentava. Uma de suas mão ía dentro da calça. A outra por de baixo da camisa. Zak não se aguentava, e acelerava cada vez mais.

Bruscamente o carro parou. Não havia mais ninguém ali. Luzes apagadas. Silêncio total. Zak puxou Judy para seu colo, colocando-a contra a direção. Desferiu um ataque como um animal. Sua mãos agora é que entravam por baixo do vestido vermelho, agarrando com intensidade tudo acima das pernas.

A barba contra os seios de Judy a fazia suspirar. Não dava mais para esperar. Zak agarrou a calcinha de Judy puxou com força. Antes que terminasse o movimento, Judy deu um salto, interpelando-o com uma de suas mãos:

-não – disse seca e virando-se.
-como assim? olha o meu estado?-disse Zak com a calça aberta e suando.
-não entendeu? Hoje não – enquanto falava, Judy arrumava-se

Sem entender nada, Zak ligou o Caddilac e voltou para o centro de Big City. Enquanto dirigia, tentava espantar o tesão que havia lhe tomado o corpo, e pensava no que havia acontecido. Não encontrou resposta alguma. O que encontrou foi a casa de Judy no caminho. Antes de descer, a garota retirou um papel e anotou seu telefone, jogando-o no banco do carona. No outro dia o Caddilac já estava ali novamente.

O carro tremia. Gemidos vazavam. Mas a mesma cena insistia em se repetir. No décimo quinto dia, a mão de Zak foi mais forte. Puxou a calcinha com violência. Com a outra mão segurou o corpo de Judy. Ela esbouçou gritar. Uma mão a abafou. Por baixo da saia, Zak penetrou com força. A resistência ia diminuindo conforme Zak seguia se movimentando. Tanto tesão havia lhe tomado, que em menos de dez minutos já tinha sujado o carro todo.

O mesmo tesão passara quase que subtamente, e um pensamento tenebroso havia lhe tomado a mente: “violentei essa vadia”. O olhar da garota vinha em sua direção, mas estranhamente não revelava nada ruim. Judy falou lentamente:

-pensei que você nunca faria isso - disse com uma satisfação assustadora

Depois daquele dia, Zak teve certeza: cinco minutos sempre fora tempo demais para conseguir qualquer coisa.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Contos Sujos - 5 minutos ou mais - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. se está, manda bala na segunda:

Decidiu por rum. O efeito seria mais rápido, e pelo preço, conseguiria pagar a entrada do Latin com folga. Encostou o Cadillac na porta do clube. Parecia animado. A música vazava para o lado de fora. O ritmo era rápido. A fila porém, um pouco longa.

Decidiu arriscar. Enquanto esperava, dava tragos no rum. O preço tinha exatamente o valor da qualidade do produto. Nem misturando a melhor tônica, ou qualquer outra coisa, aquilo ficaria decente. Quente, parecia ser ainda pior. Mas Zak contiuou bebendo.

Quando entrou no Latin, sua cabeça girava. Sua visão embaralhava, misturando luzes e cores. A música parecia uma batida única. As pessoas, uma massa uniforme. No meio de tudo aquilo distinguiu algo. Algo que se movimentava de forma sensual e grosseira. Provocante.

O vestido colado vermelho transbordava em formas, e os seios seguiam o compasso da música. O cabelo combinava com o resto, indo de um lado para o outro.
Aquele segundo pareceu durar muito mais do que realmente durara.

Zak, sem qualquer pudor olhou, imaginando todas as formas de sacanagem possíveis. Sentiu-se bem, como há muito não sentia. Ficou na mesma posição observando até que seu olhar cruzou com o de Judy.

Judy percebeu que alguém a observava. Não que o cara lhe agradasse. Mas nem por isso deixou de se insinuar. Seu corpo se contorcia ainda mais, indo e vindo. Luzes iluminavam seu colo suado. Não foi preciso que a garota fizesse mais nada.Quando tirou os olhos do homem que a olhava, alguém já lhe segurava pela cintura e cantava lindas palavras em seu ouvido:

-se continuar assim, arranco sua calçinha aqui mesmo.

O movimento foi rápido. Judy virou-se, e sem ver, deu um beijo quente no sujeito que lhe apalpava. As pessoas olhavam. Alguns reprovavam. Outros estavam constrangidos. Quando abriu os olhos, não entendeu nada:

-como você veio parar aqui?
-não importa. Vamos sair daqui - disse o homem

Zak puxou-a pelo braço. O delay de tempo incomodou Judy até que entraram no Caddilac 75.

continua...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Contos Sujos - 5 minutos ou mais - Parte 1


Havia pouco mais de duas semanas que Judy e Zak estavam saindo. Judy sempre fora o objeto de desejo de 9 entre 10 caras da área central de Big City. Todos a conheciam, ou melhor sabiam quem ela era. Suas mini saias curtíssimas deixavam as pernas grossas e malhadas expostas, simplesmente pela vontade de ver machos babando por todos os lados.

O colo estava sempre exposto, e os seios, brancos como leite, brilhavam com a luz do sol que refletia. O brilho era ainda mais intenso por conta da última plástica, que os deixou ainda mais cheios e empinados. Os cabelos ruivos davam o toque de sedução final, brindado com seus 21 anos, que se traduziam em um rosto clássico de ninfeta escolar.

Apesar de cultivar hábitos finos, a garota tinha vocação para chamar a atenção, e fazia questão. Nutria algum tipo de sentimento especial a cantadas baratas, principalmente aquelas que extrapolavam o pudor babaca. Outra paixão era a noite. Pelo menos três vezes por semana era possível encontra-lá dançando em alguma espelunca do centro, bebendo, fumando e as vezes aprontando algo ainda mais sagaz.

Zak saiu de casa sem esperar muita coisa. Havia tempo que em sua intensa procura, não encontrara nada que o deixasse satisfeito. Drogas, alcóol ou mulheres. As coisas perdiam o sentido gradativamente.

Passava longe de ser bonito. Muito pelo contrário. As noitadas intensas o deixavam sempre com uma cara de acabado. O topete caía pela testa, cada vez mais ralo. Mas ainda sim era capaz de manter seu charme, escondido atrás de uma confiança invejável. Como costumava falar, “bastavam cinco minutos para que qualquer porta se abrisse para ele”.

O destino da noite já estava traçado. Iria passar em qualquer bodega no caminho e comprar gim e tônica.Talvez rum. levaria também cigarros, de filtro vermelho. Tocaria o carro para o centro de Big City. Lá teria duas escolhas: a Dramini, boate tecno house de clubers e pseudo cults da cidade ou o Latin, um clube de dança recém inaugurado. Desta vez, iria no seu cadillac 75.

continua...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Culto e Grosso-Zuand nu cIiNeMA cmeuz mAnUX


Estava eu, num momento de ócio, navegando pelas comunidades de “amigos” do Orkut. Como para um bom profissional de comunicação ter conhecimentos de variações de público alvo é fundamental. A mesma coisa se diz na questão “ser legal com seus conhecidos”.

Eis que na página de um destes conhecidos, vejo uma comunidade que me fez pular da cadeira, olhos saltarem para fora, coração acelerar, e o sangue subir me deixando vermelho. Claro, teria sido assim literalmente, se eu fosse um desenho animado. Mas juro, foi desta forma que me senti.

O indivíduo fazia parte de uma comunidade chamada: "Eu adoro bagunçar no cinema". Comecei uma caça então, e desde procuras por “bagunça no cinema” até “zuando no cinema“, foram diversas comunidades que unem estes %#$@&#*@ (agora sim, literalmente ao estilo desenho animado de xingar).

Me desculpem os que não me entenderem, mas odeio adolescentes no cinema. Adolescentes eu falo não no sentido biológico, físico, temporal, ou como você quiser definir. Falo de adolescentes como estado mental mesmo.

Pessoas que tem necessidade de aparecer, e para isso chegam ao ponto de gastar dinheiro (que não é pouco), para ir esculhambar com a diversão de pessoas que estão ali para adivinhem o quê? Não, não estão para sexo, nem para serem narradoras do filme, nem para falar no celular. As pessoas normalmente vão ao cinema para ver filmes, mas cada vez mais, alguns seres com desejo de diferenciação, vão e fazem tudo menos isso.

Como que uma pessoa chega ao ponto de se orgulhar destas escrotidões? E o pior, se orgulhar, criar uma comunidade, onde outros vão entrar, para discutir assuntos de extrema importância, como por exemplo:

- Qual seu ponto “estratégico”
- Q Tipo de Bagunça vc faz?
- já foi expulso do Cinema? pq?


Sim, estes são exemplos de tópicos, transcritos fielmente, sem nem corrigir o português. O mais bacana é que entrando nos tópicos, você vê que não é coisa só de brasileiro esta zorra:

“huhuuhuhuh
da ultima veiz ki foi eu i uma galerinha… nós já xegamuh cantanu ‘ UM ELEFANTI INCOMODA MTA GENTIIIIII’.. hahahahaha, dae começo os treillers.. i a genti começava a ler td im voz alta pra todu mundu.. ae qnd apareçia a cena dus kara gostosu;… nós assubiavamus mól altaum.. TODU MUNDU OLHAVA… (detalhe.. u fiume era d SUSPENSE)… ae na hr q ia acontecer alguma coisa pra levar sustu a genti começava a ri…
ASHHUaushuhAUHSHUUH
i nas part mais nada v du fiume.. qnd apareçia cenas d dia.. a gente começava
AII EU NUM VÔ V ESSA PART.. TO COM MEDU
uhasuhahushuauhsuhauh
i taméim… compramuh COCA-COLA (em latinha..)
aew toda hr q alguém abrinha uma latinha d refri a genti fazia u barulho do gás com a boka…
ahahahahhahahahaha
e algumas vezis a genti tmém fikava levantanu toda hr pra FINGI q ia arruma a calça, compra alguma coisa.. i no banheru…!
kkkkkkkkkkkkk, i usavamuh a luzinha du celular comu lanterna ainda.. nu meiu du fiume.. huuhuhuh
sort q num spulsaru a genti.. hehe “


De que país esta pessoa é (não falo o nome, pois foi postado como Anônimo), eu não sei, pois ainda não entendi qual a língua está sendo utilizada na mensagem. Se alguém souber, por favor, me avise.

Desculpem eu estar acabando o texto, sem ter chegado a uma grande conclusão, sem ter apresentado nenhuma solução, sem nem ao menos ter opinado explicitamente. Tive que dividir com vocês mais esta decepção que os seres humanos tem me causado. E eu achando que o pessoal as vezes fazia bagunça sem querer, ou sem perceber, e que no final tinham vergonha disso.

O Orkut mostrou que eu estava enganado. Certo, pensei em uma solução. Para dirigir tem que ter licença, certo? Proponho que para ir ao cinema precise de licença também, incluindo aulas teóricas de comportamento, até aulas práticas de como assistir um filme de boca fechada, sem fazer barulho.

Quem desobedecer as leis, vai perdendo pontos na carteira. Se insistir, perde ela, e vai ter que ficar tacando pipoca na cabeça do outros só em casa, até levar uma bronca dos familiares, com surra opcional, e aprender que CINEMA É O LUGAR ONDE SE VÊ FILME, PORRA!

Ismael Al. Schonhorst

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sujos Factual- Do que virá Parte 1 – A INSÔNIA


"Sono, sono, sono... os olhos pulando pra cima e pra baixo em velocidade, em velocidade. Morpheus está ao meu lado, eu saio vagando por dentro do corpo fluido do anjo da ilusão e vejo/percebo/sinto O andar onírico como uma sinfonia dissonante e expansiva".

Nada do que se fizesse parecia fazer o "garoto" ninar. Sua mente esta demarcada por campos opostos e múltiplos. De um lado seus pensamentos passados, a culpa, a dor, o trauma; do outro, seus pensamentos futuros, a paranóia, o medo, o frio. Entre eles estavam sua própria voz interior, aquela que por alguns segundos conseguia comandar a própria consciência.

Queria mesmo que tudo parasse, que tudo desse um tempo e voltasse a ser como antes. Até mesmo seu corpo respondia ao ataque psíquico, coçava até encontrar o sangue dos músculos ao pensar estar sendo picado a mil por mil pernilongos.

"Coça, coça, esfrega, grunhe, quer levantar, quer dormir, está quente, quer um banho, quero dormir, ahhhhhh"

O vinil já havia estabelecido o fim das próprias rotações. O quarto para o mundo estava em silêncio quase total. Os móveis podiam ainda escutar o mexer dos lençóis e o corpo angustiado e quente se contorcendo, procurando o lado mais tranquilo para deixar a cortina da vigília.

O homem busca a vida incessantemente e o torpor do inconsciente deixa de ser um fardo e se transforma em um perfume oferecido pela natureza para que a tensão mental possa ser distendida e o espírito consiga respirar com mais facilidade.

Um ser que se põe metade matéria bruta, metade vazio é sempre sufocado quando a medida são 16, 20 horas para o corpo e a mente, porém apenas um terço ou um quarto de seu presente para o que realmente importará no final.

“Dormir, dormir, amanhã levanto às 7h30, tenho que estar na UF, 8h40. Já são 3h50, to fodido, to ferrado, vou dormir pouco, minha vida vai ser ruim amanhã. Se tivesse dormido... meia-noite, meia-noite. Vou chegar, dor estômago, cantina, café, cigarro, cigarro, salgado, refri, cigarro... e fala e fala e fala e lê e lê e escreve e fala e conta e lê e pergunta e levanta e senta de novo”

A loucura é vizinha da insônia, o homem quando não consegue deixar a razão adormecer, se torna irracional, seus pensamentos são administrados em doses rápidas e turvas de consciência/inconsciência.

De súbito, a colcha e o lençol arranham o ar, sendo jogados ao lado. Seu corpo semi-vestido, ocupado por uma espécie de short está quente.

"Nego vai acordar, nego vai acordar... "

O banheiro o esperava entreaberto. Deixou a luz entrar o suficiente para ver um pedaço da própria imagem. Estava no escuro, estava bem. Passou o resto do braço e a mão direita pela porta levando sua massa lateral. Segurou a maçaneta, devagarzinho, devagarinho. Clop! Acendeu a luz, viu as manchas, os ruídos, não estava assim tão à vontade. E não era só naquele dia, era também no resto dos dias anteriores e há um bom tempo já.

Em outras ocasiões, testava se havia um quê de liberdade em sua vida. Chegou até a levantar de sua cama e ir em direção à catedral da cidade, no centro, em uma terça-feira pela madrugada, sem qualquer motivo a não ser para provar si mesmo que poderia ir até lá e voltar e não ser punido por causa disso.

“Me cabe escolher ir e vir. As pessoas ficam mandando ser isso, querendo que seja aquilo, impondo, recompondo,montando. Porra, eu sou eu e pronto, nada a mais. Quer dizer, tudo a mais: eu não sou absolutamente nada no cosmo, uma poeira e me sinto um gigante, mas para me realizar, para meu invólucro adquirir vida será necessário estar preparado”

A dor não é nem a menor das realizações quando se torna um flagelado, era somente o que se poderia sentir nesta vida. Isso foi compartilhado na história por vários povos, etnias, gêneros.

Atualmente, em todos os mínimos cantos, ainda há uma sangrenta batalha diária contrária e excludente ao diferente. De tão comum essa potência, ela parece estar em todas as situações da vida. A luta diária, um contra o outro, alimenta um canto da nossa alma. Geralmente, o confronto é invisível e se mistura com o comportamento racional.

Assim é bem melhor, afinal, antigamente, o confronto, a punição, a justiça, eram repercutidas no mais sensível da alma, a grande antena do espírito, o corpo e a sua mente em busca de posição social. A punição física foi intensamente utilizada por eras como forma de dominação dos pais aos filhos, dos mais fortes fisicamente aos mais fracos.

Entretanto, agora, realmente agora, todos os acordos foram feitos e quem souber aproveitá-los, perceberá que cada um de nós será responsável pelo acordo ou desacordo do que virá.

Dormiu na privada!

Jota de Oliveira

sábado, 16 de janeiro de 2010

Cultura Suja-Preso na rede


Na contramão da junção das interfaces real/virtual, a França vem travando uma intensa batalha contra a liberdade da internet. Do outro lado do mundo, a China trava um briga sem precedentes contra o google. Esta semana, o porta voz do primeiro ministro chinês, disse que a saída da empresa do país não afetará as relações comerciais entre China e EUA.

Do outro lado, os americanos reclamam dos ciber ataques vindos do oriente e das invasões a contas de e-mail de ativistas.

É fato que com a ciber cultura, as plataformas midiáticas sofreram drásticas alterações. Estruturas que por hora dominavam publicações e possuíam o domínio da informação sofreram e ainda passam pela reavaliação dos direitos de copyright. O estágio de transição em que nos encontramos ainda não possibilita que façamos uma análise que indique onde isso tudo vai chegar.

O certo é que a junção entre as realidades (virtual/físico) é cada vez mais real.


Não há mais diferenciação entre autor e leitor, veículo e espectador. O fluxo tornou-se constante, e não mais unilateral. A relação do indivíduo com o meio se tornou pessoal, por vezes sem intermediários e com impactos cada vez mais concretos.

A blogosfera, e as principais redes de relacionamento na internet alteraram a forma como as relações sociais são encaradas. Um networking bem feito pode significar não apenas um maior número de followers no Twitter.

Para os que ainda encaram assim, as consequências vão muito além do “online”, incidindo sobre sua carreira profissional e sua vida pessoal. Jobs são disponibilizados, nichos são criados e informação é compartilhada.


Claro, esta é uma análise rápida e superficial. Há muito ainda o que dizer. Do download ilegal de conteúdo ao albúm In Rainbows do Radiohead. Mas o que ainda assusta é a truculência com que governos, organizações institucionais e empresas de comunicação tratam a rede. É como peitar um trem bala, com um colete salva vidas. Se você sobreviver a pancada, vai desejar ter vestido o terno de madeira.

Continua em outra oportunidade.

Marc Balender

Cultura Suja - Prometeus


Para introduzir a coluna de hoje, assista este vídeo.

Prometeus
video

Daqui a pouco tem o texto da coluna Cultura Suja de hoje.

Marc Balender

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sujos Factual-O Futebol deve fazer política? O Futebol tem o dever de ser político


Faltei por três vezes em escrever aqui na coluna, pela minha fuga total dos calendários, noticiários. Aquele coma sintomático de fim de ano, da cama pra mesa, da mesa pro sofá, do sofá pra cama. Desculpem-me as falhas, não acontecerá novamente.

“NOTA: escrevi o texto a seguir antes do bárbaro atentado contra a seleção de Togo. Quando resolvo elogiar e eleger possíveis heróis, eles são covardemente emboscados por monstros escondidos em bandeiras ultranacionalistas(não há tribo defendendo história, não há nada de tribal e cultural em assassinos com armamento de guerra)”

A manda-chuva do futebol mundial, Srª Fifa, conta com 210 de países associados, esse número dito assim, levianamente, pode parecer relevante, porém, fazendo um comparativo com o número de países associados à ONU, nós temos a dimensão do poder que bola esporte pode exercer sobre a bola planeta.


Sem exageros podemos considerar uma Copa do Mundo o antônimo perfeito de uma Guerra Mundial.

Ronaldos, Pelé, Zidane, Maradona, Zico, Backbauer, Roger Mila, Hagi, Histo Stoistcovi. Em cada língua um embaixador, mas falta um trabalho sério para explorar positivamente essa influência.


Longe de negar o sonho, de destruir a mística do ídolo esportivo.
O futebol deve alimentar o sonho saudável de todo garoto (ou garota, efeito Marta) mas ao buscar o caminho dos gramados, deveria receber a formação do cidadão. – como acontece nas artes marciais. Os praticantes de Judô, Taekwondo cedo aprendem o respeito hierárquico aos mestres, o respeito entre os iguais e o respeito cidadão aos leigos na arte.

Já no futebol, a hierarquia não tem grande, a disciplina é rara, o mundo do futebol é cheio da malandragem negativa e faz escola.
A realidade do futebol é para poucos, e atualmente os garotos que não passam nas peneiras, se vêem, diante uma vida real dura para quem não tem nenhum preparo.

As altas cifras causam essa exploração de meninos que sem estudo e sem trabalho só encontrarão uma porta aberta, a do crime.


O futebol tem em suas mãos um grande potencial de mudança, explorado timidamente como o exemplo dos inúmeros projetos sociais movidos por jogadores consagrados.
Mas por mais louvável que sejam tais atitudes, elas ficam pequenas diante de outras realmente grandiosas, como a de Didier Drogba que investiu 3 milhões de euros na construção de um hospital para Costa do Marfim.

O futebol tem o dever de se comprometer com mais firmeza com as causas sociais, em especial à educação, que é tão absurdamente desassociada da prática esportiva.



O homem-gol é a maior referência da juventude se formos analisar todas as classes sociais, mas infelizmente é uma referência vazia. Jovens espelhados em reflexos vazios, serão em essência nosso futuro vazio.

João Ninguém

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Contos Sujos - Filme na TV


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda:

DeLarge resolveu então verificar se seu pai estava na cama. Andando como um felino, chegou até o quarto dos pais, e a porta estava entreaberta. Deu um empurrãozinho, e assim pôde confirmar que ele estava fora da cama, ou, pra ser mais exato, na cama da empregada. Brian sentiu, mais uma vez, uma mistura de pânico com surpresa.

Logo, depois sentiu uma revolta indiscritível e desejo de condenar seu pai à vergonha de ser apanhado em flagra. Então, num impulso, acordou sua mãe, Monica Manson.

- Mãe... Mãe... acorda.... tem alguém transando com a Mathilde, e acho que é o meu pai.

- Você está louco, menino? Ele deve estar no banheiro. – disse Monica

- Não, mãe, eu tenho certeza que era um homem com ela. E que homem está aqui em casa agora, além do meu pai e eu?

- Ai, meu Deus, só você mesmo pra ter essas paranóias. Vamos lá ver o que é isso, mas já vou avisando que se houver algum constrangimento vai ter...


Os dois saíram do quarto, em direção ao fundo da casa, mais precisamente ao quarto de Mathilde. Vincent de fato estava no banheiro, como a mãe supôs. Estava no banheiro de Brian, completamente nu, passando as páginas de uma Hustler que encontrou em cima da cama do filho.

Estava admirando uma parte da revista em que tinha uma mulher nórdica, de cabelos longos e loiros, e seios fartos.

Vincent sonhava acordado com a bela nórdica da revista, e de repente ouviu gritos femininos. Imediatamente pensou que havia um ladrão na casa, e saiu do banheiro suando frio, e é claro sem se preocupar com o fato de estar sem roupa.

O que aconteceu foi que realmente Monica acreditou no que Brian havia dito, após também ter ouvido os gemidos. E, aparentemente, abriu a porta disposta a flagrar o marido.

Porém, ao entrar deu de cara com a empregada deitada na cama, também completamente nua, assistindo ao mesmo canal que Brian assistia, porém com o volume bem mais alto. Como já era de se esperar, ambas as mulheres começaram a gritar, envergonhadas. Brian não falou nada, e nem queria. Apenas queria olhar Mathilde nua.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Contos Sujos-Filme na TV


Hoje é sábado. Um dia especial para Brian DeLarge. Passou o dia inteiro esperando o domingo chegar. Mais precisamente, o comecinho do domingo. Mas a hora ainda não chegou. Falta pouco. Brian está “lendo” umas páginas da Hustler enquanto espera seus pais se retirarem ao quarto. Agora sim. Ele ouviu o barulho de uma porta fechando e viu uma luz se apagar.

Pronto, o caminho está livre até a sala de televisão. Brian vai andando até o banheiro, pega um pedaço de papel higiênico, depois segue para a sala de TV. Aparelho ligado, ele quer ver o canal erótico/pornô mais próximo. Ou então vai ter que imaginar a mulher do noticiário nua.

Depois de mais ou menos meia hora tentando decidir, acabou optando pelo canal onde passava uma espécie de Cine Privè. Enquanto assistia TV, com as mãos ocupadas, ouviu um abrir e fechar de porta. O quarto mais próximo era o de Mathilde Monroe. Mathilde era a empregada da casa, e Brian concluiu que ela tinha ido ao banheiro. Pouco depois, porém, teve a impressão de ouvir um gemido.

Um gemido diferente, do mesmo tipo do que vinha do filme que estava vendo, mas não emitido pela televisão. Brian então levantou o short, abaixou o volume da TV e começou a se aproximar do quarto. Quanto mais perto chegava, mais evidente se tornava o gemido. Até que Brian colou o ouvido junto à porta do quarto. “Isso é..... som de SEXO!”, pensou ele, com um sorriso malicioso estampado na cara.

Brian se divertiu vários minutos com a idéia excitante de que alguém estava fazendo sexo com a empregada. Porém, de repente lhe veio na cabeça uma boa pergunta: “Se não tem nenhum homem na casa além de meu pai e eu, quem é que está comendo a Mathilde?” Foi assim que Brian entrou em pânico. Nunca tinha passado pela sua cabeça a idéia de que seu pai, Vincent Brosnan, poderia algum dia cometer adultério.

continua...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Música Suja - Eddie Vedder


Sua banda atravessou o túnel do tempo da música. Participou de um dos mais emblemáticos movimentos musicais de todos os tempos. Eddie Vedder, e o Pearl Jam merecem respeito. Formada no início dos anos 90, a banda apareceu como uma das principais referências do movimento grunge de Seattle, juntamente com o Nirvana, de Kurt Cobain. Mesmo com o revés sofrido com a morte do líder do Nirvana, Vedder e sua banda continuam na estrada até hoje.

Mas o assunto aqui é o projeto paralelo de Vedder: a trilha musical do filme Into The Wild, na Natureza Selvagem,do ator e diretor Sean Penn.

Hard Sun
video
É o típico casamento perfeito entre imagem e som. Entre indas e vindas com o processo desenvolvido por Sean Penn para conseguir os direitos de filmar a história, e a produção em si, foram mais de 10 anos. Tempo suficiente para que um músico com o talento de Vedder pudesse compor uma obra prima sonora.

Guaranteed
video
Na Natureza selvagem por Os Sujos
http://ossujos.blogspot.com/2009/11/quem-e-que-viu-o-filme-na-natureza.html

Se você viu o filme, vai se lembrar de cada parte com estas duas músicas.Se você não viu, pode apostar que vale a pena.

Marc Balender

domingo, 10 de janeiro de 2010

Contos Sujos-Ao toque de seus líricos lábios



Este texto é uma contribuição de um parceiro do blog Sujo. Ele foi produzido por Ismael Al. Schonhorst, do blog Nem Cult Nem Pop, leitura altamente recomendável. O conto segue a baixo:

- Podemos começar?
- Podemos.
- Nome.
- Tu já sabes.
- Certo. Idade.
- Me darás uma logo após a entrevista baseado no que achares de mim.
- Não deveria deixar passar, mas mais uma vez, certo. Profissão.
- Humano.
- Digo, a profissão que você atua.
- Sim, sou humano. Ser humano. Sou um ser humano.
- Você não é poeta?
- Eu era poeta. Eu achava que era poeta. Agora sou apenas uma farsa. Desde a primeira vez que vi uma jovem moça se masturbando em minha frente, pessoalmente, deixei de me considerar poeta. O que estas jovens fazem com seus delicados dedos para as nossas almas é poesia. Meus textos não são poesia, não tem a beleza deste citado ato, não tem o ritmo, não tem a paixão. Siririca. Isso é poesia. O cheiro. O som. A imagem. A reação que tenho. Estas belas que vejo nas ruas todos os dias. O que elas causam em nós é poesia. Meus textos são farsas, eu sou um farsante, como todos os humanos. Anote aí. Profissão? Ser humano.
- Assim você dificulta meu trabalho.
- Qual o seu trabalho?
- Jornalista oras. Estou te entrevistando, não estou?
- Não.
- Não estou?
- Estás preenchendo campos.
- Sim, é o começo da entrevista. Preciso dos seus dados. Preciso saber quem você é.
- Meus dados não dizem quem eu sou.
- Não foi isso que eu quis dizer.
- Então seja mais clara.
- Você... Eu... Eu estou tentando... Ahn, esquece. Posso continuar?
- Pode.
- Quando você começou no campo da poesia?
- Quando era pequeno. Meu pai me disse que iamos para um local conhecer algumas pessoas que me ensinariam um pouco mais sobre a vida. Cheguei lá e vi belas mulheres nuas. Nesta noite que comecei no campo da poesia.
- Não entendi.
- Tu não queria saber quando me envolvi em um processo poético pela primeira vez?
- O senhor é muito tarado.
- E a senhora foi indicada para entrevistar o cara errado.
- Primeiro lugar, não sou senhora. Segundo lugar, o senhor não é o autor destes vários livros que ganharam prêmios e prêmios mundo a fora?
- Sou.
- Então, como estou entrevistando o cara errado?
- Eu sou o cara certo se prêmios é o que te interessa, mas sou o cara errado se falar sobre prêmios é o que te interessa.
- Sobre o que você gostaria de falar então?
- Não sei. Topas me ajudar a completar uma nova poesia que estou imaginando a composição desde que tu entrou nesta sala?

Ismael Al. Schonhorst

sábado, 9 de janeiro de 2010

Cultura Suja - 90’s


Às vezes páro pra pensar sobre a quantidade de coisas que curtimos de décadas passadas. Obviamente, a que nos influenciou prioritariamente neste terceiro milênio foi a última década, os anos 90. Houveram muitas marcas culturais, algumas delas existem até hoje. Muitas bandas e filmes marcantes.

Foi o auge do Hard Rock. Paralelamente, o Grunge começou a crescer e assistiu à queda da era Guns N’ Roses quase ao mesmo tempo em que também começou a cair. Bom, Axl e Slash brigaram e Kurt Cobain se matou (pelo menos é o que dizem).


Esses foram alguns traumas que atrapalharam os 2 segmentos musicais. Porém logo depois houve uma renovação musical com a ascensão de bandas britânicas como Oasis e Blur. E o Grunge foi de certa forma retomado, com o Foo Fighters e o Silverchair.

Quer dizer, não se pode falar somente de rock como música. Houve também vários fenômenos Pop Teen, como Spice Girls, N’Sync, Back Street Boys. E a Madonna continuou polemizando. Essas são minhas lembranças.

Em relação ao cinema, podemos citar Forrest Gump, Trainspotting, Titanic, Pulp Fiction, Um Sonho de Liberdade, etc. Diretores como Tarantino consolidaram suas carreiras, assim como astros como Ewan McGregor, Angelina Jolie e Leonardo DiCaprio.


Na política, houve o fim da Guerra Fria, o fracasso do Socialismo e a vitória da Democracia.

Na tecnologia, houve a popularização do computador e da Internet (lembra daquelas épocas de ICQ, internet discada e restrita aos finais de semana?). Foi a época de transição entre os velhos tempos da infância que jogava bola na rua e a atual, que joga Fifa e Winning Eleven, e fica o dia inteiro trancada em apartamentos.

Lilly Rose

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Contos Sujos - Loser - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, manda bala nas duas primeiras partes que elas estão logo aqui em baixo. Se está, confere a parte final!

Troy realmente não estava brincando. Logo após Benny ter acabdo de apagar a frase no quadro negro, a Sra Lousrrouse entrou na sala. Antes que pudessem desfazer a cena, ela já havia visto que algo diferente estava acontecendo. A mulher se posicionou entre os dois garotos, interrogando-os:

- o que está acontecendo aqui?
- nada... – antes que Benny terminasse a frase, Troy tomou a frente, colocando-o em segundo plano.
-Sra Lousrrouse, aconselho-a a ir até a cadeira de Benny e verificá-lá. A confusão começou por conta disso... – disse Troy

Benny não entendeu nada. Enquanto pensava no que a professora iria encontrar em sua cadeira, olhava para o rosto de Troy. Ele tinha o mesmo sorriso sarcástico estampado no rosto. A mulher aproximou-se e olhou para o tampo da mesa. Lá encontrou a seguinte frase rabiscada em cima da mesa, com caneta vermelha:

“eu comeria a Sra Lousrrouse”

A mulher olhou e manteve a mesma expressão. Troy ria. Benny olhava tenso, esperando o que iria acontecer. A professora olhou para a classe e disse lentamente:

-Todos dispensados...

Ninguém entendeu nada. Ela repetiu:

-estão todos dispensados. Podem ir embora. Apenas Troy e Benny ficam.

Não foi preciso repetir. Todos saíram em disparada. Em menos de 5 minutos, apenas os três estavam na sala. A professora continuou a conversa:

-quem escreveu isso?

Troy novamente nem esperou que Benny argumentasse. Julgava que pela frase estar na cadeira dele, não restaria dúvidas. Estava certo.

-foi Benny. Vi ele escrevendo isso agora, pouco antes da senhora chegar. Por isso quase brigamos.

A mulher respondeu:
-obrigado Troy, está dispensado.

Enquanto Troy fechava a porta, Benny se enfurecia cada vez mais. Ao mesmo tempo tinha vergonha da situação em que fora colocado. A mulher olhou de forma estranha para o garoto, como se estivesse avaliando algo. Benny não tinha idéia do que se passava pela cabeça da professora:

-não foi você quem escreveu isso...

-claro que não – respondeu Benny – foi o ...

Antes que ele terminasse a frase, a professora colocou um de seus dedos na boca do garoto, impedindo-o de falar. Com a outra mão, empurrou-o para cima de sua mesa. Voltou fazendo um movimento rápido por baixo da saia, descendo a meia-calça. Nessa altura, enquanto uma de suas pernas ficava totalmente exposta, disse sua última frase:

-você só será punido se o que estiver escrito for mentira.

Benny só saiu da sala depois de mais de duas horas. Descobriu da melhor forma possível o que é ser um loser.

Contos Sujos - Loser - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está manda bala na segunda:

A rotina de Benny foi a mesma. Chegou a escola, passou rapidamente no banheiro, e descarregou o que trouxe de casa. Arrumou-se e apressou-se para chegar a tempo de pegar o início da aula. Enquanto caminhava pelo corredor, algo que lhe chamou a atenção. Um grande tumulto acontecia em alguma das salas. Continou caminhando sem se dar conta que a gritaria vinha de sua sala.

Ao se aproximar, Benny percebeu que todos estavam rindo e rindo de algo, que a princípio não conseguiu descobrir o que era. Abriu a porta, e entrou caminhando diretamente para sua cadeira. Enquanto andava notou que as risadas aumentavam. Parecia que o motivo da piada era ele. Alguns apontavam, outros faziam gestos obscenos, e outros apenas olhavam com cara de reprovação. Benny parou por um momento e pensou:

-o que que está acontecendo?

Quando olhou para o fundo da sala, viu Troy, sentado e olhando diretamente para ele, com sarcasmo estampado nos olhos. O garoto fez um movimento leve e calculado, apontando para o quadro negro da escola.

Benny se virou lentamente. Sentiu que aquele movimento parecia ter durado muito mais tempo do que realmente fora necessário para fazê-lo.Quando virou-se totalmente, viu, escrito em letras garrafais, que o motivo da piada era ele.

“Benny é virgem e toca bronha para a Sr. Lousrrouse”

Por um instante não soube o que fazer.Tinha certeza que fora Troy que havia escrito aquilo no quadro. A vontade que teve foi de ir ao fundo da sala e acabar com ele. Porém, o que tinha que fazer naquele momento estava claro. Apagar aquela frase, antes que a Sra Lousrrouse chegasse a sala.

E foi isso que fez. Foi até o quadro, pegou o apagador, e começou rapidamente a dar cabo da frase. Enquanto as letras iam sumindo do quadro, as risadas aumentavam ainda mais. Quando chegou ao fim, Troy já estava posicionado ao seu lado, observando seus movimentos. Os dois trocaram olhares fulminantes, mas foi Troy que iniciou o diálogo:

-ainda não acabou
-não enche - Benny olhou com fúria, segurando-se para não fazer uma besteira

Troy sorriu maliciosamente. Já tinha conseguido o que queria. Benny estava completamente fora de si. Era questão de tempo para que Benny sentisse o peso de suas mãos.

Continua...

*pedimos desculpas aos Leitores dos Sujos, mas por ordem técnica não foi possível postar a segunda parte ontem. O término deste conto será postado logo mais.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Contos Sujos - Loser - Parte 1


Não era fácil para Benny acordar todos os dias. A rotina começava cedo, no ônibus da escola secundarista. Normalmente ele ia em pé, mesmo com lugares sobrando. Ninguém queria se sentar com um “loser”. Como em qualquer outra cidade, em Big City, quando se é um adolescente, ou você está do lado dos que se dão bem, ou sofre com bulling constante.

Benny não era exatamente nerd. Sua aparência em nada lembrava a dos clássicos do cinema. Apesar de ter até algum talento para esporte, pouco praticava. Se dava bem em praticamente tudo dentro da escola. Era discreto, até o dia que sofreu o primeiro ataque.

Troy Mcartur e sua turma eram respeitados. Ou melhor, temidos. Tinham criado o hábito de surrar todos aqueles que simplesmente merecessem. E o critério de escolha costumava ser aleatório, mas sempre começava com uma provocação. A preparação ia até o ponto em que a vítima não conseguia mais conter a fúria. A impressão que ficava para os que não conheciam Troy, era que sempre o agressor não tinha provocado a situação.

Porém, Troy tinha outros planos para Benny.

Era inegável que a senhorita Anne Lousrrouse não parecia uma professora. O traje para as aulas era formal, típico, mas não era capaz de esconder as formas da mulher. Não havia como precisar sua idade.

Seus lábios bem torneados, e o corpo recheado de fartas curvas, faziam com que a morena fosse a professora mais desejada entre os alunos. Enquanto ela estava dentro da sala de aula, mantinha uma postura rígida, talvez a mais rigorosa dentre todos os professores. Porém, o boato que corria é que ela frequentemente era vista no centro de BC, especialmente no Sanders.

Continua...

Imagem Suja-Direito de resposta


Mais uma do jornalismo. Essa é das antigas. Para contextualizar o vídeo, Leonel Brizola ameaçou caçar a licença pública da emissora que retrasmitiu este direito de resposta. Um de seus argumentos era o de que é impossível ter autonima governamental quando existe monopólio do setor de comunicação. O político então passou a ser alvo de seguidas investidas do canal.

video
Conheça mais sobre Leonel Brizola clicando aqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonel_Brizola

Marc Balender

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sujos Factual-Oportunidade de ficar quieto


Esta semana o apresentador Boris Casoy, que comanda um grande telejornal da TV brasileira, manifestou em um comentário desrespeitoso, sua opinião sobre determinada classe de trabalhadores brasileiros. Não seremos nós, dos Sujos, os juízes dessa peleja. A opinião pública já se encarrega disso. O que queremos discutir é o que foi dito.

Boris ridicularizou o desejo de feliz natal de dois trabalhadores, por serem garis. Pensamento que não está na cabeça apenas do apresentador. Ele se manifesta como uma praga que se alastra na “nova elite média” do país. O que se vê é que trabalho é coisa de pobre, principalmente se for manual. Herança de nossa história de povo colonizado, que valoriza apenas o que é feito com a “cabeça”.



Confira o vídeo da declaração do apresentador neste link:
http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js

Os grandes meios de comunicação, alguns ainda desfrutando da soberania vinda dos tempos ditatoriais embasam a tese, apoiados em estruturas que retratam um cotidiano fantasioso, babaca e repetitivo. Como já dito aqui, a fórmula do Leblon Life Style que insiste em se apresentar como imagem e forma do brasileiro.

A geração giga-suco e giga-burguer do programa juvenil do fim de tarde, que frequenta o cursinho pré-vestibular, mas quer mesmo é atrapalhar o romance do coleguinha ou curtir uma festinha regada a música de qualidade duvidosa. Os programas dominicais que colocam bunda e sofrimento num paralelo impossível.

O pensamento de Boris é o mesmo dos que querem a manutenção de tudo como está. Dos que reclamam que o país não vai pra frente, mas não movem palhas para que as coisas mudem, e na hora do voto colocam os carrascos de novo no poder. São jornalistas, advogados, médicos, engenheiros. A tal elite cultural. Eles estão aí, e é por isso que prefiro ter um inimigo declarado como Boris.

Marc Balender

domingo, 3 de janeiro de 2010

Cultura Suja-Beba sem moderação


Ela é vendida em mais ou menos 140 países. É um símbolo do patriotismo e do imperialismo americano, além de ser fornecida por uma empresa extremamente bem-sucedida no marketing e nos lucros. Criada pelo farmacêutico John Pemberton em 1886, a Coca-Cola foi originalmente concebida como um remédio para os nervos, cujo um dos compostos era um famoso estimulante denominado cocaína.

A empresa nega atualmente que ainda sejam usadas folhas de coca na produção da bebida, porém caras como Evo Morales já declararam que a empresa compra toneladas e toneladas de coca da Bolívia, e as usa como matéria-prima. Dizem por aí também que até o Papai Noel teve que mudar de roupa exatamente por causa da Coca-Cola.


Como a coluna Cultura Suja trata não só de gostos, mas também de hábitos, tomei a liberdade de citar essa marca global (e isso não quer dizer que é da Rede Globo). Ela está tão entranhada em nosso cotidiano que fica difícil não enquadrá-la dentro do universo cultural.

Mas, voltando ao campo histórico, no 50º aniversário da empresa, o produto já era ícone nacional nos Estados Unidos. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi requisitado o fornecimento do produto nos fronts de batalha, o que deu um “gás” ainda maior no marketing. Além do uso da cocaína, existiram outras polêmicas a respeito de efeitos colaterais para a saúde.


Mas às vezes tenho a impressão de que muita gente preferiria não saber dos males de certas coisas. Mesmo que subconscientemente estivessem cavando a própria cova, achariam melhor que não existissem evidências que comprovem o fato. Eu sou umas destas pessoas. Se Coca-Cola faz mal, não quero saber. Quero beber mais. Não sou comunista.

Lilly Rose

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