terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cinema Livre - Duas terça-feiras onze de setembro


O maior atentado terrorista da história foi o ataque às torres gêmeas? Não acredito, aliás, como fica claro nesse vídeo há oculto na história uma outra terça-feira muito mais sangrenta e cruel que a tragédia americana. Dores são dores e não devem ser comparadas. Mas historicamente é preciso refletir.



João Ninguém

domingo, 29 de janeiro de 2012

Música Suja - Noel Gallagher’s High Flying Birds


Confesso que na primeira vez que ouvi o novo álbum de Noel, “High Flying Birds”, fiquei um pouco desapontado. Não encontrei a agressividade do Oasis no disco, o que já era de se esperar, visto que não é um trabalho do Oasis, e sim do Noel. Na verdade, reneguei este álbum por vários meses, desde seu lançamento, simplesmente por ter perdido o costume de ouvir BritPop. Somente há pouco tempo sintonizei meu ouvido na freqüência musical britânica, e agora posso expor uma conclusão sensata a respeito do disco.


O repertório começa com “Everybody’s On The Run”, música que me lembra bastante o som do Seal. O vocal limpo e afinado de Noel se encaixa bem melhor no Pop; daí vem minha estranheza inicial por carência de agressividade. "Dream On" dá seqüência ao disco, usando uma fórmula antiga do Oasis. Digo o mesmo de “If I had a Gun”. "The Death of You and Me" marca a ascensão do disco, com uma sonoridade burlesca, de marchinha, inovando com arranjos de sopro jazzísticos. "(I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine" também é uma música cool que segue a fórmula antiga.

"AKA... What a Life!" é uma das minhas preferidas; tem um ritmo dance marcado pela batida da bateria e do arranjo do piano. É provavelmente a música mais contagiante do disco; li inclusive que Noel pensou em oferecer a música a Madonna, devido a sua natureza Pop. "Soldier Boys and Jesus Freaks" também é uma música sensacional, que segue o já citado ritmo de marchinha. A próxima é "AKA... Broken Arrow", outra excelente música que se encaixaria bem numa voz feminina, tal como a de KT Tunstall ou Natalia Imbruglia. "(Stranded On) The Wrong Beach" arrebata com a mesma levada de “What a Life!”. E "Stop the Clocks" e “A Simple Game of Genius” fecha o disco da forma como ele foi começado, me remetendo novamente ao Seal.

Parece que o longo hiato subseqüente ao último disco de Oasis não atrapalhou, afinal, o desempenho de Noel Gallagher. “High Flying Birds” é um disco simples, despretensioso e definitivamente carente de agressividade. Não que isso seja uma crítica; pelo contrário, pode ser uma virtude etérea que comporá a nova identidade do cantor. O desafio é esse mesmo: distanciar-se da imagem do Oasis e, principalmente, do errôneo estigma de ter copiado os Beatles. Noel deu início a uma consistente carreira solo e mantêm-se no patamar de um dos maiores talentos da Inglaterra. O mesmo não digo, porém, de Liam, que apesar da marra icônica e do vocal potente, mal sabe tocar um violão e tampouco emplacar um repertório

Arthur Viggi

domingo, 15 de janeiro de 2012

Imagem Suja - Quem poderia prever?



Uma seleção aleatória de crianças que mudariam as rotações do planeta, do país, cada um com seu estilo, potencial e valores...













O nome das crianças está nos comentários.

João Ninguém @jaoninguem

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sujos Factual - Tentando explicar o inexplicável




Boletim de Ocorrência, Data:29/12/2011

Natureza: Calúnia e Difamação
Logradouro: Na banca mais próxima de você

Vítima: Cultura Popular Brasileira
Acusados: Humberto Maia Jr., E Luís Antônio Giron, Marta Mendonça, Maurício Meireles, André Sollito. Repórteres e editores da Revista Época


"Com melodia fácil e letras que falam ao público jovem, o cantor paranaense bateu recordes na internet e traduziu os valores da cultura popular para todos"



Esse subtítulo é o culpado da discórdia, porque a matéria, pra quem leu, é bem escrita apesar da superficialidade do personagem. A falta de bom senso é óbvia no trecho polêmico "traduziu os valores da cultura popular para todos", e muita gente já escreveu sobre. Mas vamos experimentar um olhar diferente:

Você jornalista de uma das maiores revistas do país recebe um release do Michel Teló com recomendação de capa. Você tem que realizá-la. O que interessava à assessoria do rapaz era tê-lo na capa, o teor da matéria pouco importa.

Eu fico pensando, a tarefa foi delegada a cinco jornalistas, será que faltou o bom senso aos cinco? Não sei, isso me tem cara de uma grande sacaneada. Teló tem direito a capa não tem ?(provavelmente é uma matéria paga, muito bem paga). Então, os jornalistas resolveram escancarar essa pouca vergonha.

A melhor resposta que tenho da situação é essa, o jornalista poderia ter feito uma matéria que ninguém ia ligar, apenas para as fãs histéricas guardarem. Mas não, despertou polêmica e discussão sobre o que é a cultura popular brasileira. Sobre o quanto estamos distantes de nossas raízes.

No mais, o hit de Teló não é sertanejo, não tem identidade nenhuma: nem letra, nem ritmo. Tornou-se um sucesso através de jogadores de futebol, primeiro os tupiniquins, depois o ídolo mundial Cristiano Ronaldo. Por isso, creditar algum mérito ao artista é desrespeito à inteligência. Pra quem ainda insistir nisso, presta atenção nessa letra:


A gente foi criado em playground,
jogando futebol no carpete,
tomando leitinho com pêra às 5:47...

A gente nunca andou na grama,
A gente nunca sujou pneu de lama,
temos no farmville uma plantação de banana...

Fui feita para agroboy, cowboy de posto,
Fivela dourada e creme no rosto.

Railuque & Maloque - Agroboys
(Jingle de Comercial da Nissan)



João Ninguém @jaoninguem

domingo, 20 de novembro de 2011

Música Suja - Tão Tom Zé Para Mulheres


Tom Zé parece um velho doido, e o é. Em seu disco, “Estudando o Pagode” começou a desenvolver seu discurso feminista. Um exaltar da liberdade para as mulheres, a condenação dos feminismos que são machismos do avesso. O elogio ao direito da mulher gozar.
             

Essa ideia do direito ao gozo, explorada no disco, Tom Zé apresentou no “Programa do Jô” contra a vontade do apresentador. Revoltado com o reboliço que um jornalista tinha feito a partir da declaração “Tô ficando atoladinha é fruto da Bossa Nova”. Ele apresentou suas idéias sobre a música, sob o deboche do apresentador Gordo atrás da bancada e as hienas domesticadas da plateia. 

Os risos tentavam abafar a argumentação do baiano. Mas na sua habilidade de jogar com os que lhe acham apenas um pirado, por fim, concluiu “as mulheres brasileiras não gozam” e a platéia explodiu em mais gargalhadas. Eis, o cheque mate: “Por que vocês tão rindo? Quem não goza, são as mulheres da USP, são vocês do auditório”, causou mais risadas mas alguns desses risos sentiram o golpe.


          
Tom Zé, um homem em discurso feminista, é uma das coisas mais bonitas que ouvi ultimamente. Recomendo muito o disco: “Estudando o Pagode – Tom Zé”

João Ninguém
@jaoninguem 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cultura Suja - Um Viva "póstumo" à Mulher Melancia

Peço que os guardiões da alta cultura não desejem minha morte, mas essa é uma tese que encaro com grande seriedade. Admiro o funk como manifestação de pessoas à margem social. Em seu papel protetor dos indivíduos ao assédio moral, verticalizado, das forças sociais.

Um caso emblemático, simples, a que poucas pessoas prestaram atenção é o caso da gordinha Mulher Melancia. O sucesso da grande bunda, comparada à fruta, transcende aos hits. Foi um gancho no queixo do modelo de desejo: as magricelas da passarela.

Na época, aumentou muito o número das moças de manequins GêGês que perderam a vergonha de desfilar por aí. Melancia redefiniu os padrões sociais do tesão masculino e amor-próprio feminino. Fora padrão rede globo de qualidade, era a vez de mulheres da realidade. 
João Ninguém 
@jaoninguem

Culto & Grosso - Não é toda mãe que é Maria








“Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte.
Amém.”

 Você pode ser bem cabeça aberta. Mas ainda sim, admita: no nosso inconsciente a maior virtude de uma mulher é sua santidade. Quanto mais santa, melhor. Esse desejo por mulheres cheias de graça (aqui não é bossa nova) é justificável pela raiz cristã da nossa sociedade. A religião pode ter perdido sua força no discurso e vida de jovens, mas a moral cristã ainda reina.

 É pecado levantar a voz contra o pai e passagem direta para o inferno duvidar do amor de uma mãe. A família é o sagrado maior, ao qual, não se pode contestar. Profanar a família é coisa que choca até mesmo nossa juventude atéia e agnóstica.

A família é, sim ,uma instituição social importante, mas o invólucro instintivo - que nem mesmo a razão esclarecida se permite atravessar – torna o seu papel altamente restritivo e nocivo aos indivíduos.

O amor entre pais e filhos é, felizmente, quase que inevitável, o que lamento é a automatização desse amor em obrigações. Uma autoridade paterna que necessariamente precise machucar, uma identidade feminina que não possa odiar o seu filho por um segundo, um filho que tenha que ser bom para os dois mesmo que eles não mereçam.

Nem toda mãe é Maria, e nem toda a mãe deveria tentar ser. Mães são humanas e imperfeitas, são cruéis e egoístas tanto quanto qualquer outro ser humano. Qualquer mãe que se sacrifique por seus filhos, tem em si que é o certo a se fazer, mesmo que isso seja contrário a todas suas razões.
 Quando agem mal, na educação cristã, há a culpa. Não fosse a culpa, talvez as mães pudessem ser mais sinceras, mais humanas. Mães, que apenas cumprem o seu papel, fazem da relação com um filho um grande sofrimento para ambos. Assumem para si responsabilidades de Ave Maria, com a diferença que não estão prontas para verem a morte de seus filhos, sacrificando à sua própria vida na intenção que os filhos possam viver em Paz, porém, podem ser literalmente o inferno para eles. 

João Ninguém
@jaoninguem
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