sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cultura Suja - José Saramago e o Ensaio


Uma epidemia de cegueira. É disso que trata o livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, maior escritor em língua portuguesa da atualidade. Mas como a cegueira pode ser contagiosa? Através da metáfora Saramago critica a sociedade e a natureza humana, bebendo na fonte do Absurdo e do pessimismo de Franz Kafka.

Segundo as palavras do próprio autor, “São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.” Por meio de uma narrativa filosófica e instigante, o autor nos carrega pra dentro da história, de modo que sentimos a angústia passada pelos personagens.

À medida que avançamos constroem-se em nossas mentes as imagens marcantes da competição, sujeira física e moral, depravação e egoísmo. Imagine se o modelo de sociedade em que você vive for por água abaixo, e de repente só sobrarem você e seus instintos.


Antigas barreiras se desfazem, e poucos valores restam. Como nos mostra o autor, os olhos são uma forma de controle social. Se ninguém mais tem olhos, não haverá quem veja para que os cegos possam sentir. E não haverá quem possa controlar os cegos se ninguém mais vê.

Porém no meio do caos coexiste o altruísmo, não de forma predominante, mas sim determinante. “A responsabilidade de ter olhos quando outros os perderam” será sempre importante para nos protegermos de nós mesmos. Pois quem se lembra da ética e do pudor quando a impunidade é uma certeza?


Recomendo o livro e o filme, que tem a competente direção de Fernando Meirelles e um elenco hollywoodiano de primeira linha. O filme não consegue reproduzir toda a angústia do livro, por isso ele deve ser visto como um complemento ilustrativo do primeiro. Vale a pena conferir enquanto você ainda tem olhos.

Lilly Zowie

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sujos Factual - Justiça cega, Justiça que cega.


O Superior Tribunal de Justiça condenou o estado de Pernambuco a pagar R$ 2 milhões por danos morais e materiais a Marcos Mariano da Silva, por mantê-lo preso ilegalmente por mais de 13ANOS, sendo tal erro considerado como “o mais grave atentado à violação humana já visto na sociedade brasileira”.

Mais sobre o caso no link: Conjur

Embora o Supremo Tribunal tenha caracterizado esse fato como o mais grave da história judiciária brasileira, fica exposto, em casos como esse, a fragilidade da justiça a quem não tem recursos em sua defesa. Por outro lado quem conhece seus direitos a fundo e faz parte do executivo e legislativo, não se preocupa em tripudiar os próprios deveres em busca de interesses próprios, sem parecer temer o judiciário.

Pincei com muita dificuldade alguns casos para exemplificar essa descarada falta de proporção que a interpretação da lei permite. Dizer que político nunca vai para atrás das grades no Brasil é um erro. Mas afirmar que isso significa cumprir as sentenças ou qualquer punição, haja ingenuidade.


O senador Flexa Ribeiro foi acusado por participar com sua empresa de um esquema de fraudes em concorrência pública. No dia 4 de Novembro de 2004 foi preso pela operação Pororoca. Mas QUATRO DIAS depois já estava em liberdade.

O deputado federal Jader Barbalho foi preso escândalos envolvendo a Sudam(Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), a acusação tratava-se da coação de testemunhas e ele somente passou ONZE HORAS atrás das grades. Depois disso ainda foi reeleito como deputado mais bem votado no Pará em 2002 e em 2006.

Uma das figuras mais poderosas e cara-de-pau da política brasileira, Paulo Maluf é quem acabou batendo o recorde dos colegas, ele passou QUARENTA DIAS na cadeia por ameaçar testemunhas.


Mais perto geograficamente dos Sujos temos o caso do ex-prefeito de juiz de fora Alberto Bejani, que a Operação Passágarda encontrou cerca de um milhão de reais em dinheiro em uma de suas propriedades, que ele não conseguiu explicar a justiça, além algumas armas exclusivas de uso militar. Bejani foi preso no dia 9 de Abril de 2008, e passou TREZE DIAS atrás das grades, sendo libertado por hábeas corpus. Mas por continuar sem explicar a origem do dinheiro, voltou a ser preso no dia 12 de junho do mesmo ano.

Bejani cumpriu mais SESSENTA DIAS e foi liberado mais uma vez e se sentiu tão a vontade, que ao encontrar a liberdade, disparou. “Não se assustem se daqui a dois anos vocês virem por aí cartazes com o meu nome como candidato ao governo do estado”.


E agora diante de todo o carnaval que o ex-governador José Roberto Arruda armou no Distrito Federal, será ele mais um a sair impune? Muito provável. Mas fica aqui a brincadeira, será que alguém aqui acerta quanto tempo ele vai durar atrás das grades?

Enquanto isso, o nosso amigo que encabeça o texto, luta contra o estado de Pernambuco que se nega a restituir financeiramente a injustiça, o tempo e a humilhação que ele passou atrás das grades. Sem contar que a tal justiça, literalmente, o fez cegar.



João Ninguém

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Contos Sujos - Mudanças - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última!

Depois de sentar-se em uma das cadeiras, tudo que aconteceu dentro da sala pareceu durar pouco mais que alguns minutos. Enquanto Rannah rancava a minúscula calçinha, rebolando freneticamente, Betty chupava Tosh da cabeça aos pés. Seu pênis, completamente ereto, penetrou Rannah de forma violenta.

O movimento foi rápido. Os seios de Betty ocupavam-se da face do estudante, indo de um lado para outro. Quase que sem perceber, as duas trocaram de posição e agora era Betty, que de frente para Tosh abria e fechava suas pernas com destreza. Completamente dominado, Tosh soltou 19 anos dentro de Betty, acompanhado de um susurro.

A garota envergou-se completamente, enquanto Rannah lhe apalpava as genitais. O cansaço abateu-se sobre Tosh. E a partir dali, não lembrou-se de mais de nada.

As semanas que se passaram foram de tormento. Risos tomavam corredores da universidade. Em todos os lugares, passou a ser apontado. Comentários surgiam e desapareciam com uma velocidade espantosa. Onde Tosh chegava, o principal assunto era o silêncio. Não demorou muito para que ele descobrisse o porquê de tudo aquilo.

-Senhor Tosh, o conselho da universidade convoca você para uma reunião imediatamente-recebeu a intimação em seu quarto.

Enquanto caminhava até a a sala tentou pensar no assunto tratado. Nem precisou cogitar muito. O conselho foi breve:

-o que significa isso senhor Tosh?

Na Tv, eram as imagens do trote. Havia sido filmado e nem percebera. Imediatamente entendeu o motivo de tantas doses de tequila. Tudo o que havia acontecido estava disponibilizado na internet. A universidade corria risco. Reputações estavam em jogo. Tanto a da instituição, quanto a dele. Não foi preciso pensar muito. Ele teria que sair dali. E o mais rápido possível.

A expectativa com a chegada do envelope era a maior possível. Quando abriu, e viu que seu pedido de visto havia sido negado, não soube o que fazer. Tinha programado sua fuga. Agora teria que encarar seu passado. Encarar as sombras e o pânico que a sua vida havia se tornado. Por pior que fosse.

Contos Sujos-Mudanças-parte 2


Se você não está acompanhando este conto a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

Tosh falou com raiva, tomado pela embriaguez da sequência de tequilas. O veterano sorriu, e já abraçando o calouro, propôs o que era inimaginável:

-fique calmo, meu caro. Seremos generosos. Temos disponíveis 10 garotas e como você e seu amigo ali sobraram, deixaremos que cada um de vocês escolha duas. Queremos ver uma surra hoje...

Tosh pareceu não acreditar na proposta. Mas sua cara de espanto ficou rosada quando dez garotas, apenas de calçinha e sutiã entraram na sala, dançando sensualmente. O veterano continuou sua fala, passando pela fila de mulheres e apresentando cada uma das garotas:

-esta é Judy. Seios fartos e cintura pequena. Esta aqui é Lindsey. Olhe que rabo! E esta é Samantha, olhe o tamanho da boca dessa vadia...

Tosh já tinha feito suas escolhas. Queria seios e rabo farto, como num filme pornô. Estava cansado de apenas se garantir na bronha. Apontou para suas preferidas e disse com autoridade:

-quero Betty e Rannah

Betty era realmente gostosa. Sua boca tinha lábios fartos. Seus seios pareciam ter vida própria. Sua pele era branca e contrastava com seus lisos cabelos negros. Seus olhos verdes carregavam calor, e transmitiam algo que Tosh queria saber o que era. Já Rannah era grande.

A pornstar que Tosh queria. Negra, com rabo e seios fartos, cabelos longos e uma calcinha minúscula. Já não conseguia disfarçar seu tesão, quando duas cadeiras foram colocadas no centro da sala. O mesmo veterano tomou posição entre elas e iniciou um novo discurso:

-que os calouros tomem suas posições na sala. Como tradição, será este o laço que unirá veteranos e novatos. O silêncio em relação ao que aqui acontecer.

Tosh pareceu não entender, mas enquanto alguém lhe rancava as calças e outra pessoa tirava sua camisa compreendeu tudo. Se quisesse penetrar naquela noite, teria que ser feito ali. Talvez, senão tivesse bebido tanto, não toparia tal proposta.


Continua...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Contos Sujos-Mudanças-Parte1


Quando Tosh pegou o envelope e abriu, a surpresa foi inevitável. Havia programado quase tudo para sua fuga de Big City. Nos últimos dois anos vivia sendo perseguido. Por todas as ruas vultos o observavam. Pessoas o olhavam desconfiado. A sombra e a escuridão da noite da cidade há muito tempo haviam se tornado suas únicas amigas.

Durante todo o ano que passou, Tosh havia sido torturado psicologicamente. Suas constantes frustrações faziam com que a perseguição sombria de cada dia piorasse.

Tinha boas perspectivas. Começou cursando finanças em Limarick, principal universidade de BC, sem qualquer ajuda de seus pais. Logo cedo, mandou uma carta para a universidade com suas notas no colégio secundário. Era um gênio.

Logo a Limarick lhe chamou, dando-lhe uma bolsa integral de estudos. Enquanto seus pais brigavam durante semanas seguidas, saiu sem deixar vestígios e esqueceu-se de sua vida passada. Logo foi morar no alojamento com outros quinze garotos de todas as partes do país. Ali, além de estudar conheceu todo tipo de bebidas, mulheres e entorpecentes.

Logo na primeira semana, no batismo dos calouros, tomou seu primeiro porre e foi iniciado em uma festa na casa de um veterano. Depois da tradicional sabatinada nos novos estudantes, era obrigação das veteranas iniciarem os novatos. Mas era preciso vencer as oito rodadas tequila antes de conseguir trepar.

Dezenove anos de tesão reprimido não era para qualquer um. Nem para qualquer tequila de beira de estrada. Tosh foi vencendo uma-a-uma as doses. Claro que a embriaguez lhe tomava quase que a totalidade de seu corpo. Porém, só a possibilidade de penetrar qualquer uma daquelas garotas era o suficiente para manter ele e seu instrumento em estado de alerta.

Ao final das última dose, Tosh se manteve em pé. Um dos veteranos se aproximou, e ao pé do ouvido lhe disse:

-você se deu bem calouro... só sobraram, você e aquele outro ali. Por isso seremos justos...-o veterano olhou obliquamente para Tosh.
-trato é trato. Quero minha buceta...

Continua...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Cultura Suja-7 Motivos Pra Odiar o Carnaval


Não é todo mundo que se excita com o clima carnavalesco, portanto esta matéria é dedicada a quem está muito feliz com a volta a vida “normal”.

1) Fobia social. Você que odeia lugares cheios, provavelmente não vai gostar desse feriado prolongado que se caracteriza pela aglomeração de corpos humanos suados na avenida mais próxima, pulando ao som de Axé Music.

2) Peso na consciência. Se você se enquadra na primeira opção, aí vem a conseqüência. Você, ao mesmo tempo que repudia a aglomeração, se sente mal por que afinal está rolando uma festa e festas não acontecem todos os dias. Que impasse! De qualquer jeito, meu amigo, você não vai gostar.

3) Engarrafamento. Se você opta por viajar com família ou amigos, com certeza vai encontrar uma fila quilométrica de carros entre você e o objetivo final. No calor da situação, literalmente ou não, você acaba tirando alguém do sério com seu mal-humor.

4) Pecado. O que originalmente foi concebida como festa religiosa e privativa, se tornou desvirtuada e carnal. Nudez, violência, drogas. A primeira coisa é boa, mas é estranho ver isso numa festa cujo nome deriva da expressão carna vale, que significa afastamento da carne.

5) Fraude. Quem acha que o Carnaval é uma festa tipicamente brasileira, está enganado. O formato brasileiro pode até ter sua originalidade, porém o evento foi criado antes do descobrimento, na Europa Medieval, sendo uma festa católica.

6) Rede Globo de Televisão. Onde tem projeção, tem a Globo. E não é diferente no Carnaval. Você vê as maiores celebridades globais desfilando com seu glamour, inclusive a Suzana Vieira só que desta vez sem os recursos do Photoshop.

7) Teoria da Relatividade. O tempo é relativo, já dizia Albert Einstein. Já reparou como o período carnavalesco custa pra passar? Você fica sonhando com o dia em que vai voltar pra sua rotina, e cada dia que passa é mais demorado que o anterior.




Lilly Zowie

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sujos Factual - Pequena história por trás da história


Mathias Rust, alemão ocidental nascido em 1968. Esse nome representa algo para algum de vocês? Se não representa, é por que nunca ouviram a história dele. Com dezenove anos ele surpreendeu o mundo. Levou a coragem da juventude ao extremo.

Com habilidade para conduzir um monomotor esse garoto resolveu realizar uma invasão. Uma simples invasão. Invadir o espaço aéreo soviético em 1987.


O vôo kamikaze aconteceu dia 28 de maio de 1987, ele partiu de Malmi (Helsinque, na Finlândia) e percorreu cerca de 900km até o destino final em Moscou em plena Praça Vermelha.

Com a chegada do monomotor no temido espaço aéreo quem caiu dois dias depois foi um dos alicerces do governo na União Soviética, o Ministro da Justiça, Serguei Sokolov.

Rust foi detido e condenado a quatro anos de prisão após cumprir catorze mesmo foi libertado no dia 03 de agosto de 1988.


Esse episódio rebaixa certas rebeldias modernas a verdade do que são. Meras vaidades de jovens mimados sem ter fome de poder, sem capacidade de se sentirem injustiçados. Alienados e satisfeitos em nada serem.

João Ninguém

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sujos Factual - Cinzas





Expediente Sujo

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Música Suja - Ramones Carnival


Para terminar a folia mmomesca bem, aproveita o videozinho aí e se supreenda com a criatividade e com a falta do que fazer alheia:

Marc Balender video

Marc Balender

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Culto e Grosso-Olhava vaginas e via pétalas. Percebeu que estava fadado ao fracasso, seria poeta




Muitos jovens hoje em dia acham que ser ranzinza é um mérito, como se da velhice, aonde miram a desejada aparência de maturidade, se tirasse apenas as reclações da vida.

Não percebem que esta maturidade vem pelo bom e pelo ruim, e sábio é quem consegue extrair percepções das experiências que passam. Tropeçam então mais nos ranços do que nos avanços.

Tive minhas fases diversas. Em certos momentos eu quis tomar os maiores goles de tudo o que aparecia. As maiores bocadas. Achei que deveria viver uma vida experimental para experimentar a vida. Em outros momentos achei que a sabedoria e a inteligência é que contavam.

Novamente estava caminhando pela via dos excessos e exageros, mas aportando nas terras da arrogância pura e simples, sem aproveitar o que é de melhor oferecido neste belo porto, desenvolvendo apenas ego, não externalizando os aprendizados.

Percebi que se deve viver e ler, e também ler e viver. Leitura não falo apenas de livros, mas das visões dos outros mesmo. Cada pessoa tem uma história, algumas tiram mais proveito, outras preferem andar por aí como se tivessem passado por uma lobotomia.

Mas por pior que seja o jeito de viver do outro aos teus olhos, não deixa de ser uma pulsação, anêmica ou grandiosa, ainda é uma pulsação. Não estou pedindo que percebam todos como iguais, ou que achem correto tudo o que é dito. Falo para serem os mais críticos possíveis, em tudo, contra todos. Choquem, mas também critiquem o que está dentro de vocês.

E construam um algo interno, ao seu tempo, de sua forma, sendo fiel ao que mais importa, vocês mesmos. Cansei de em certas horas deixar de me expressar, principalmente através de meios que não se apagam, como por exemplo textos e ações, por medo.

O medo de que hoje esteja com pessoas que não gostem de explosões, ou amanhã esteja interessado em uma guria que não goste do meu blues, e depois esteja querendo o contato de alguém que queira a cor aonde vejo cinza, ou cinza aonde vejo a cor. Mas se não sou fiel a mim mesmo, serei a quem? Não conheço o mundo.

Não o suficiente para achar que posso definir o que é certo ou errado, ou saber com exatidão o que passarei, o que pensarão, ou que devo viver ou não. Então sigo aos meus instintos e raciocínios. Errados? Descobrirei.

Não levem sempre tudo tão a sério. Sejam sim rebeldes e malditos, mas percebam que aos 20 e poucos anos estamos apenas em uma espécie de começo da viagem de Bob Zimmerman e Tom Sawyer.

Ismael 'Fly' Al. Schonhorst

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sujos Factual - Organização


Para melhorar a organização do blog, apresentamos cada colunista e seus respectivos dias de publicação. Assim fica fácil, para você leitor, acompanhar o blog e distinguir quem é quem:


Cultura Suja
Lilly Zowie
Comanda a coluna todos os sábados. Música, hábitos, cinema artes em geral se encontram aqui com sagacidade e rapidez, no típico papo cabeça aberta. Prepare-se para se sentir instigado.

Dia:sábado
Contato: lillyzowie@gmail.com


Imagem Aqui
Jota de Oliveira
Todos os domingos a pintura do fato, o aprofundamento e a análise da notícia estão na Imagem Aqui. Sente-se e prepare-se para ter seus sentidos e suas concepções alteradas drasticamente.

Dia:domingo


Culto e Grosso
Ismael 'Fly' Al. Schonhorst
A tempestade interior extravasada ao ponto máximo sem limitações, perturbando ainda mais a sua mente e o seu dia. Mas no fim, uma boa dose de reflexão para desintoxicar sua alma.

Dia: segunda-feira


Música Suja
Carlos Carvalho
A análise sociológica da música aprofundada ao extremo. Notas e acordes transformados em instrumentos ideológicos. Um papo cabeã, com funk e blues se misturando em um som caótico, mas ao mesmo tempo singular.

Dia: terça feira


Contos Sujos
Marc Balender
Pequenos desvios de caráter e personagens que exalam lealdade canina. Ações duvidosas, com consequências desastrosas. Heróis sem qualquer pudor. Viciados, bêbados e malucos. Todos se encontram em Big City.

Dias:quartas e quintas


Sujos Factual
João Ninguém
Uma mesa de debate aberto da política e dos políticos de nosso país, mediadas com o tom sujo do blog. O acompanhamento de um ano decisivo para nosso país, com um jeit diferente e independente.
Dia: sexta-feira

O blog segue aberto para a adesão de novos colunistas. Eventualmente, colunas extras poderão aparecer. Ainda na ressaca do carnaval, o blog apresentará seu novo twitter, e seu e-mail para contato.

Expediente Sujo

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cultura Suja - Stay Black!


Ele é um ícone do cinema afro-americano. Morou no Brooklyn, bairro que o fez adquirir toda a sua consciência social. É dessa fonte que Spike Lee bebe, e boa parte de sua filmografia é marcada pela polemização da questão racial dentro dos Estados Unidos.

O ponto forte de seus filmes são os diálogos bem feitos, que expõem as contradições entre brancos e negros, tais como a divisão territorial e cultural, e é claro, o preconceito. Spike nos mostra a complexidade dos guetos norte-americanos, que são formados não só por negros, mas também por italianos, hispânicos, orientais, etc.


A sua obra-prima, em minha opinião, é “Febre da Selva”, um filme que trata do relacionamento entre um negro e uma branca de ascendência italiana, e denuncia o repúdio infundado entre brancos e negros, evidenciando todas as barreiras que o casal encontra simplesmente por se envolverem descompromissadamente.

Desde o princípio de sua carreira Spike já era polêmico. Em 1980 ele produziu um curta-metragem chamado “The Answer”, que é na verdade uma resposta ao clássico racista do cinema mudo “O Nascimento de uma Nação”, de 1915, que justifica a segregação racial e foi em parte responsável pelo reaparecimento da Ku Klux Klan.


O diretor assina ainda a cinebiografia de Malcolm X, líder negro que lutou contra o racismo e a supremacia estética, cultural e social branca, e o filme “Faça a Coisa Certa”, que fala sobre a convivência de uma minoria branca em um bairro predominantemente negro.

Esse filme tem uma expressão que me marcou bastante, que é “Stay Black” (Permaneça Negro). Spike costuma colocar esse tipo de expressão nos filmes, incentivando o público a “se ligar” nas questões raciais.

Lilly Zowie
lillyzowie@gmail.com

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sujos Factual - Amores de borracha e garotas pictóricas


Como diz o cantor Lobão: é com enorme paudurecência que eu começo esta matéria

O clima carnavalesco contagiante e lascivo que vivemos na Ilha de Vera Cruz anualmente, chega a sua mais nova versão. Seja nas Escolas de samba tradicionais no Rio de Janeiro, ou no carnaval de Salvador, que rola desde 1500, a maioria dos brasileiros comungam das comemorações de momo com muita irreverência e animação.

Mas não é necessariamente sobre carnaval que se trata a substância deste texto. O que iremos fazer na verdade é um gancho entre este ritmo de festa com o tema da indústria do sexo!


A milionária indústria do sexo, aproveita-se da reificação inerente ao sistema de produção econômica que a humanidade escolheu para si. Com a volatilidade dos vários desejos e paixões, construídos neste paradigma coisificador, os empresários do ramo beneficiam-se, deveras, com o fetichismo sexual.


1. Para se ter idéia, durante a crise econômica a indústria do sexo foi um dos poucos segmentos da “indústria cultural” que não sofreu com as intempéries da bancarrota globalizada. De acordo com uma pesquisa da Information Resources Inc. replicada pelo site Advertising Age, no primeiro trimestre de 2009, a venda de lubrificantes íntimos aumentou cerca de 32%.

Produtos de "aprimoramento sexual" (como vibradores) foram ainda além e atingiram receita de US$ 10,1 milhões. Frente à 2008, isso significa 74% de crescimento. Quem tiver interesse em tornar-se um empreendedor do ramo pode inteirar-se nas palestras que serão ministradas na 16ª Erótika Fair entre os dias 09, 10, 11, 16, 17 e 18 de Abril/2010. Segue o link do evento:

http://www.erotikafair.com.br/ef16/index.html

THE LINGERIE DAY








TRAILER - Lars And The Real Girl
video

Carlos Carvalho

Contos Sujos - Passado - Parte 3


Para quem não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se você está, manda bala na última!

Depois de voltar para sua sala, Jane continuou fixada no trabalho. O dia já se extendia, e entrava noite a dentro. No escritório, seguia elaborando e elaborando relatórios, quando escutou alguém batendo na porta. Já eram pouco mais de oito horas da noite. Todos, teoricamente já haviam ido embora.

Não teve um bom pressentimento sobre aquilo. Caminhou até a porta, e a abriu. Mesmo com a escuridão que tomava o ambiente do lado de fora, não teve dificuldades para identificar a pessoa. Era seu superior imediato, o Sr. Millen. Sentiu-se aflita ao perceber que estavam sozinhos ali.

O Sr. Millen não tinha em nada uma boa fama na empresa. Era conhecido pelas noitadas em clubes e boates da cidade, e por seus porres homéricos. Havia se separado de sua esposa depois de tomar um porre que durara um final de semana inteiro. A mulher, indignada com o sujeito, saiu de casa.

O homem então trocou as chaves de todas as portas, e jogou tudo o que a ela pertencia na rua. Rasgou roupas. Queimou pertences. E depois sentou em sua poltrona e prolongou o porre por mais uma semana. O boato crescente era o de que agora soteiro, estivesse ainda mais deselegante do que antes.

Mesmo casado, insistia com cantadas e carícias com as poucas funcionárias da usina. Porém, com Jane, nunca havia feito qualquer tipo de insinuação. Mas desta vez parecia ser diferente:

-vi a luz de sua sala acesa, resolvi passar aqui para ver se estava tudo bem – enquanto o homem dizia, forçava a passagem.
-o senhor sabe que costumo trabalhar até mais tarde-Jane tentava bloquear a porta sem sucesso. Millen já havia entrado.
-claro que sei... é por isso que vim aqui. Não queria ver você, sempre assim trabalhando tanto. Acho que podemos fazer algo para melhorar isso...- enquanto falava, aproximou-se muito de Jane, que a esta altura já estava sentada no computador. Esticou uma de suas mãos e tocou-lhe o ombro, ameaçando apalpá-la.

Jane sentiu um calafrio. A raiva subiu-lhe pelo corpo. Sentiu o tom sacana das palavras de seu chefe e não teve dúvidas sobre o jogo sexual e hierárquico que se desenvolvia. Tentou controlar-se, dizendo poucas palavras:

-senhor, tenho muito trabalho para ser feito.
-Não se preocupe, eu posso dar um jeito nisso-disse o homem

A mão do homem desceu até os seios de Jane, apertando-os grosseiramente. Ela movimentou-se de forma tão lenta quanto seu oponente. Levantou-se da cadeira delicadamente. Olhou fixamente nos olhos de Millen, aproximou suas mãos da calça do homem e baixou seu zíper lentamente.

O homem fechou os olhos, de forma triunfante. Com um movimento rápido e suave, Jane movimentou sua perna. Um chute seco e silêncioso. Com violência, golpeou as genitais do homem. O que seria prazer, se transformou em dor rapidamente. Millen não esboçou reação. Caiu no chão, se contorcendo. Jane olhou a cena sem piedade alguma. Juntou suas coisas, suspirou e disse para o sujeito caído:

-o senhor tem razão. Já é hora de ir embora. Por hoje, chega.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Contos Sujos - Passado - Parte 2


Para quem não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Para quem está, manda bala na segunda!

Lembrou-se de sua antiga casa, em uma região afastada de BC. Não chegou a conhecer seu pai, mas sabia que ele tinha nome de família. Sua mãe trabalhara em sua casa antes de iniciarem o relacionamento. Pouco tempo depois de contratada, seguia sendo assediada pelo jovem rapaz dia após dia, e era cruelmente torturada com ameaças.

Durante uma viagem dos pais do garoto, não houve como impedir o ímpeto e o tesão do jovem. Ele dominou-a na cozinha, e sem que ela pudesse fazer muito, arrastou-a para seu quarto. Enquanto tentava resistir de alguma forma, ele abaixava suas calças, tentando penetrá-la. Uma breve luta travou-se, até que se sentiu vencida. Procurou alguma frase, antes que o garoto iniciasse um movimento violento e rápido. As palavras não o fizeram parar:

-pense nas consequências - disse a mãe de Jane
O garoto continou a penetrá-la como um bicho, e respondeu, sem qualquer tipo de pena:
-você me cozinhou demais, sua vagabunda...

A gravidez foi inevitável. Porém, com as seguidas ivestidas e ameaças, a mãe de Jane foi forçada a sair da casa em que trabalhava, carregando-a na barriga. Depois de seu nascimento, ela arrumara outro emprego, em uma lanchonete de estrada, na entrada de Big City, complementando a renda com programas esporádicos. Mas, ela tinha um talento especial para se envolver com todo tipo de canalha.

Conheceu um caminhoneiro. Os primeiros gracejos acabaram em uma semana de sexo intenso e terminaram em o sujeito em cima de Jane. Enquanto sua mãe trabalhava, o sujeito passava a maioria dos dias dentro de casa, bebendo.

Jane tinha pouco mais de doze anos, o suficiente para compreender o quanto aquele babaca era pevertido. De nada adiantaram seus alertas. Em uma noite, o caminhoneiro invadiu o quarto de Jane com o pênis enrijecido. Por sorte, ela ainda não havia caído no sono.

Aproveitou-se da embriaguez do homem, e com um chute direto nas genitais, o derrubou, gritando no chão palavrões de tanta dor. Depois daquele dia, Jane teve certeza. Não havia como continuar morando com sua mãe. Juntou suas coisas, e sem que ninguém reparasse, fugiu com alguns trocados, poucas mudas de roupa e uma casca dura sobre a pele, que a vida já havia lhe imposto.

continua...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Contos Sujos - Passado - Parte 1


Jane realmente sempre teve sérios problemas, como qualquer criança que crescesse em um ambiente ostil como Big City. Apesar de toda sua infância ter sido permeada por todo tipo de comportamento doentio, havia se tornado uma jovem adorável e competente, mas com traumas que a perseguiram durante toda sua vida. Seu grande medo sempre fora seu passado, que insistia em retornar nas pequenas coisas do seu dia. Talvez por isso, se prendia ao trabalho, ocupando-se com jornadas cada vez maiores.

O trabalho na Mancorp era duro. Ser assessora da principal poluidora da cidade não era fácil. A usina, diariamente despejava na atmosfera da cidade, toneladas e mais toneladas de pó de carvão, que coloria ruas e casas com a tonalidade cinza que a cidade havia tomado em alguns anos. Em troca, a cidade consumia a energia nos aquecedores, fornos e chuveiros quentes que amenizam o clima nada amistoso de BC.

Seus dias seguiam basicamente ao mesmo protocolo: na parte da manhã, envio de releases para a imprensa da cidade e reuniões com os principais setores da usina para captação de informações. Na parte da tarde, seguidas reuniões com a diretoria da empresa, para emissão de relatórios. No fim do dia, Jane procurava algo para ocupá-la até o início da noite, ficando na Mancorp até que todos fossem embora. Costumeiramente era a última a sair.

Talvez por sua postura rígida, parecia ser menos atraente do que realmente era. Os trajes sempre alinhados escondiam muito de seu corpo. Propositalmente. Cabelos sempre presos, com um penteado acima da cabeça, e óculos com grossas lentes aumentavam a sensação de que Jane tinha pouco ou quase nada de sexy. Mas ainda sim, convivia com cantadas cafagestes.

Na usina, praticamente todos os funcionários eram homens. Uma grande parte trabalhava nas caldeiras. Outros, com a logística, carregando todo tipo de coisa. O cheiro desses lugares logicamente não era agradável. Transpiração, perfumes vagabundos e todo tipo de cheiro se misturavam com gracejos em nada corteses. A última vez que Jane havia descido até o chão da fábrica, pelo menos cinco ou seis fizeram algum tipo de “elogio”.

Para ela não era fácil suportar aquilo. Era o passado voltando instantâneamente.

continua...

Imagem Aqui - O mundo da verdade e o desconforto da vida


O pior de tudo é isso: mijaram na minha cama como se assim dissessem para mim, “seu filho da puta, entramos aqui e te fudemos, zoneamos tudo e agora somos machos pra caralho por que te humilhamos e levamos várias das coisas que você se importa”! O pior de tudo é que, eu do meu lado, entristecido com a torpeza humana, irei falar disso como se fosse um tiro na minha crença misericordiosa e irrestrita na bondade dos homens.

Mas não, não me abalo, já até os perdoei, só não sei se a vida o fará também. Penso mais que são ingênuos e ignorantes do que realmente maldosos. Se por um lado, minha alma cambaleia e chora sem lágrimas, em compensação, os autores da façanha devem estar ostentando o feito como se fosse um troféu de campeonato - uma pena como nossa cultura vangloria a marginalidade mais literal ao invés de se pensar na sujeira da alma em relação à hipocrisia social, não à particularidade de cada indivíduo.

O político corrupto é todo um sistema, o pivete faz parte deste, assim como o PM. Não é o fulano tal, ou sicrano o responsável pelo rio de desordem e sim, a irresistível vontade de se agradar os olhos e ouvidos dos que estão à volta, fazer média para no final perceber o quanto sozinho sempre fora – não adianta dar nó em pingo d água, chega uma hora em que o temporal vira garoa.

Entretanto, a literatura marginal me soa como a chave para vencer está depressão. Por ela, me sinto a margem da sociedade poeticamente é de forma sadia com o meu próprio espírito, com a minha própria angústia de ser impossível não existir, simplesmente. Sou daqueles que acreditam que as coisas ruins são boas e fazem pensar.

E as boas, são sempre boas relativamente, muitas vezes parecem boas, mas no final das contas, podem ser efêmeras ou realmente, terríveis, como a ganância e a culpa dos que se cegam a primeira vista e depois acabam sentados no banco dos réus da própria ignorância.

Poucas foram às vezes em que a realidade física bateu à minha porta. Geralmente, todo o desconforto da vida me vem na minha relação subjetiva com o mundo. É claro que essa relação é profundamente conectada com as ações dos outros, mas os outros sempre foram outros bastante longe do que tenho aqui dentro, no mais abismal e sincero da minha alma. Uma pena.

Deveria sair um pouco de dentro de mim e sentir mais as coisas, ver o gosto da realidade, mesmo que seja de asfalto e de poeira. Como sempre me esgueirei pelas cavernas da minha alma e nunca precisei de muita coisa além de mim, viver do lado de fora sempre foi sufocante, como se eu fosse um peixe fora d água, como se esse não fosse o meu quadrante no universo.

Por isso, nunca penso positivamente em prejudicar as pessoas por sadismo. É claro que acabamos machucando aos outros, mas isso também é problema deles. Entretanto, se existem alguns preceitos que tento seguir e aconselhar, eles estão em torno da não agressão física ou verbal, financeira ou material a qualquer tipo de gente ou animal, seja capitalista ou burocrata, mendigo ou vira-latas. Disputa e sarro, só no futebol, o resto ou é silêncio ou é elogio.

O que cabe a mim, somente a mim interessa; o que cabe ao outro, a ele lhe convém.

Jota de Oliveira

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Culto e Grosso-Sangue marginal!



Cinema marginal! Média metragem. Como ver? De graça! 154MB apenas. E vocês devem baixar. No link abaixo:

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Estava eu até com temática decidida para a coluna de hoje aqui n'Os Sujos. Eis que recebo um recado do amigo Petter Baiestorf falando sobre este filme. Entre umas e outras, esperei o álcool descer um pouco no corpo, deitei no sofá, e fui ver o que estava me enviando este demente do cinema independente nacional.

Vejam só. "Zé do Caixão" Mojica. Gurcius "Exija" Gewdner. Milici BocaDoInferno. Ramalho "Aquele Curta Sobre Amor e Mãe e Terror". César "Coffin" Souza. O Já Citado Demente Baiestorf. Felipe M. Guerra. Appezzato Black. Fernando Rick Vomit. E outros! Não sabe quem são? Baixe este documentário. Sabe quem são? Já estás baixando este documentário, não é safado?

Seja como for, baixem este documentário, assistam filmes marginais nacionais, façam filmes nacionais marginais. Não há desculpa. Depois deste vídeo suas vidas podem mudar. Ou não. Mas novamente:

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E esta é a minha coluna desta semana. Sem uma discussão. Sem polêmica. Só um puta documentário sujo, quer algo melhor para preencher a suas vidas vagabundas?


Ismael 'Fly' Al. Schonhorst

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Cultura Suja - Relações de Poder na Sociedade – Autoridade x Autoritarismo


Segundo a Wikipédia, “a Autoridade transmite a mensagem de ordem sem dar razões ou algum argumento de justificação e os indivíduos subordinados a esta autoridade aceitam e obedecem sem questionar" e o Autoritarismo "...pode ser caracterizado pelo uso do abuso de poder e da autoridade confundindo-se com o despotismo". Esses 2 conceitos são válidos tanto no contexto social quanto no político.

Porém sempre me pareceu que nós fomos criados em uma sociedade educada de forma à tomar o autoritarismo como certo, ou então, na melhor das hipóteses, apenas se irritar diante da violação da ética que nós mesmos criamos, ignorando a ilegalidade jurídica dos atos provenientes dos “déspotas” de nosso dia-a-dia.


A alienação começa muitas vezes no ambienta familiar, quando um pai autoritário agride o filho ou a mulher seguindo critérios que ele mesmo cria, e diante da passividade dos que o cercam, acabam modelando jovens conformistas que associam o abuso ao conceito de autoridade, e atribuem esse falso direito a outros líderes ou então a si próprios.

É um problema que passa de geração a geração, está na genética de muitas famílias e vê na impunidade, na ignorância e na indiferença virtudes que o alimentam. Você pode notar isso em frases como “hoje eu agradeço o que meu pai fez por mim... um dia você também me agradecerá, meu filho”, “em briga de marido e mulher não se mete a colher” ou então “você não é meu pai pra fazer isso”.

Será que os pais têm uma autoridade maior sobre seus filhos a ponto de abusar fisicamente e verbalmente deles? Ou que os patrões têm essa autoridade sobre seus empregados?


Ou que os maridos têm essa autoridade sobre as esposas? Para fazer uma relação com o cinema, quero citar o Capitão Nascimento. Não acredito que a idolatria do personagem tenha refletido a visão distorcida da sociedade. Se víssemos as cenas do filme em noticiários, relatando fatos reais, acho que a maioria de nós ficaria horrorizado.

Mas o cinema faz uma lavagem naquilo que representa, tornando o produto bem-visto pelo expectador. Buscando outros exemplos, temos Don Corleone e Tony Montana. São dois personagens que você iria querer ter em uma camisa, mas não perto de você. Assim, nós gostamos do Capitão Nascimento, mas não queremos um por perto.


Porém, guardadas as devidas proporções, acho que toleramos vários “Nascimento” durante a vida. Enquanto os veículos comunicativos e o governo não conscientizarem melhor a população a respeito de seus direitos e de como defendê-los, não se pode alcançar o máximo do potencial da legislação.

A novela “Mulheres Apaixonadas” gerou a polêmica necessária para impulsionar a penalização da agressão contra a mulher. A Rede Globo poderia continuar usando seu poder pra combater outros tipos de abuso, não só com novelas, mas também com propagandas.

Lilly Rose

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sujos Factual - Titia Dilma no Superpop!


Há algum tempo aqui na coluna eu falei sobre o desespero que o PT tem passado para transferir o carisma do Presidente Lula para a Ministra da Casa da Civil, a candidata da base governista para suceder Lula.

Era de se esperar toda artimanha desmedida, mas confesso que não esperava nada tão patético quanto ao episódio de ontem à noite em horário nobre.

Eu na sintomática troca de canais que a TV brasileira causa em qualquer um acabei encontrando a carranca da ministra Dilma na RedeTV.


Acompanhada de Luciana Gimenez, Dilma se esforçava em demonstrar o lado de dona de casa, mãe de família, mulher e futura avó. E mais uma vez em vão.

Tentou fazer uma omelete à mexicana, mas nem de untar a frigideira ela se lembrou, resultado: parecia um ovo mexido que faço as pressas na falta de algo mais prático.


Dilma ainda quis se mostrar seu lado mulher brasileira, declarando que não resiste a um batuque, mas felizmente, não houve o convite para que ela desfilasse a graça de seu samba no palco, imagino que seria digno de um vômito da quase omelete.

Entrevista fraca teve no ponto chave a felicidade em ser vovó, de política pouco se falou, quem sabe ela não deixe a disputa pra cuidar do netinho, acho que seria uma vitória do Brasil.


Nada contra mulheres no poder, mas acho que quem aceita ter sua imagem tão manipulada pela disputa eleitoral, seja homem ou mulher, não merece o menor respeito dos eleitores.

João Ninguém

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