segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Culto e Grosso - Amigo Oculto




Amigo oculto. Todo ano é a mesma coisa. A mesma chateação. Não que dar algo não seja algo empolgante de se fazer. Mas é ainda melhor quando você gosta da pessoa. O crédito a fabulosa brincadeira é incerto. É dado aos povos nórdigos, porém, também faz parte do costume dos pagãos.

O sorteio ficou popular a partir de 1929, em plena crise e depressão, onde não havia dinheiro para dar presentes para todo mundo. Desde então, firmou-se como um evento tradicionalde fim de ano, principalmente em ambientes onde reina a "coletividade".

Mas são tantos os compromissos sociais a que estamos submetidos que se você disser que "não quer participar" parece até um atentado contra a moral alheia. Das duas uma: ou você não gosta de ninguém, ou é um babaca.

O pior é que a brincadeira ocorre sempre em locais que já são naturalmente hostis, como por exemplo, o ambiente de trabalho. Este, considero como sendo o amigo mais complicado pois há laços ali que vão muito além do compromisso firmado na carteira de trabalho.

Tem o puxa-saco, tem aquele que joga bosta no ventilador o ano todo, tem aquela que adora uma fofoquinha, tem pra todos os gostos. E no fim do ano, no ponto máximo do corporate, você é obrigado (é obrigado sim. Diz que não vai participar sem um motivo coerente para você ver) a dar aquele tapa nas costas e rasgar a seda:

- eu tirei uma ótima pessoa, muito esforçada, dedicada, e trabalhadora que tem muita força

É um constrangimento só. Situação pior é quando você não consegue disfarçar o incômodo, e as palavras saem engasgadas. Aí começam os boatos, e meu amigo, pode crer que aquela pessoa que já alimentava uma antipatia natural por você, vai passar a ter certeza que você é um completo idiota.

O fato é que a gente despende tanto tempo nestes compromissos que integram um código de conduta duvidoso que deixamos de fazer as coisas que realmente importam. E isso tudo para agradar aaqueles que não se importam, não ligam, enfim não estão nem aí para o nosso couro indo embora dia após dia.

Bom seria se a cada ano, nossos amigos ocultos fossem feitos com aqueles que realmente gostamos, e não com pessoas que trabalham contra nossos sonhos ou que passam boa parte do ano nos dando presentes de grego. Não que tenhamos que desejar o mal para elas. Elas podem podem bolar um amigo oculto entre elas. Que tal? E a gente faz o nosso.

Seria ainda melhor se a gente pudesse dar um saco cheio de gentileza, ou de generosidade, ou de qualque coisa não ligada ao mundo das coisas. Qual seria a reação? Afinal, gentileza não tem marca e nem etiqueta de boutique.

Mas a hora é de se pensar em melhorar as coisas, por que como diz o sábio, “pior que tá não fica”.

Apesar de não gostar da época, faz parte realizar uma breve reflexão. Mas presentes acabam por anestesiar o ego. E a ânsia por querer agradar o outro acaba impedindo a nossa própria autocrítica. Será que isso realmente nos agrada?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Contos Sujos - Quente Solidão - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, leia as primeiras partes aqui em baixo. Se está, manda bala na última!

Jane estava nervosa. Continuava falando muito:

-Alec, Alec? me desculpa, não devia ter feito isso... estou arrependida, por favor, estou desesperada, entenda... o que você está fazendo. Posso falar com você? Posso ir aí? eu não sei... fala alguma coisa pelo amor de deus, seu cretino! Não quero falar daquele jeito de novo.. eu acho que eu gosto de você cara, acho... estou confusa...

Alec escutou tudo pacientemente. Não sabia o que dizer. Soltou a primeira coisa que veio a cabeça, sem pensar:

-traga a Julie aqui.
-como assim Alec, o que tem a Julie a ver com a gente?

Alec disse novamente sem explicar:

-traga a Julie aqui. Se você quiser ver, pode ficar também.
-como assim Alec, do que você está falando? - perguntou Jane
-quero ver a Julie. Tenho tesão nela.
-puta que pariu Alec, você é um filho da puta.

Jane bateu o telefone com força. Alec novamente não se preocupou. Levantou-se e saiu da posição de transe. Foi até a cozinha e preparou algo para comer. Ovos com bacon. Jogou as embalagens no chão. Enquanto o cheiro de fritura se espalhava pelo apartamento, ligou o som.

Escolheu um Blues. Jhon Lee Hooker. Comeu, se fartou. Pouco mais de quarenta minutos depois, sua campainha já estava tocando. Foi a porta, agora completamente nu, e olhou pelo olho mágico. Era jane. E estava acompanhada de Julie. Ele virou a maçaneta, e atendeu:

-olá, en...

Não deu tempo de terminar de falar. Jane aplicou-lhe um tapa com a mão espalmada. Ele fingiu não sentir. Fez um gesto para que elas entrassem. Elas entraram e se sentaram. As duas em um sofá, ele de frente para elas. Começaram um breve diálogo. Jane queria saber tudo:

-o que estava fazendo esta semana?
-pensando - disse Alec, nu, sentado e de pernas cruzadas.
-e agora o que está fazendo?
-pensando - Alec desdobrou as pernas. Seu pênis estava duro.

Julie ficou corada. Jane furiosa. Ela o repreendeu:

-vai deixar está merda desse jeito? Nos chamou aqui para isso?

Alec não respondeu. Levantou-se e foi em direção a Julie. Jogou seu corpo em cima do dela. Agarrou-lhe os seios com voracidade, quase rasgando a blusa. Enfiou sua língua como uma serpente na boca da mulher. Julie respondeu. Pegou o pênis do homem com força, fazendo um movimento rápido para cima e para baixo. Jane olhou a cena chocada e falou, boquiaberta:

-mas vocês dois são uns filhos da puta!

Não demorou muito para que fossem para a cama. Julie gritava, querendo ser atacada. Jane tirou a roupa, deitou-se ao lado, jogando o corpo de Julie para fora da cama.
Virou-se para Alec, dizendo com autoridade:

-você é um filho da puta. Mas é o meu filho da puta.

Alec seguiu revesando-se entre as duas mulheres tomadas de tesão. Tinha pensado muito durante a semana Era muito tempo. E a única conclusão a que havia chegado era que "tesão é tesão" e ponto final. Arrumou-se e resolveu sair para pensar um pouco. Sua cabeça estava uma bagunça. Uma cerveja lhe faria muito bem.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Contos Sujos - Quente Solidão - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está manda bala na segunda!

Do outro lado da linha, uma voz perguntou:

-Alec? Alec? me responde cara, to tentando falar com você durante todo esse tempo... eu não sei.. o que você ta fazendo Alec, você ta me escutando? Me responde porra, to desesperada pensando que você morreu. Já faz uma semana... tá todo mundo perguntando. O que tá acontecendo Alec? Me fala, preciso te ver cara, me fala...

Alec desligou o telefone. Tentou se concentrar novamente. Segundos depois o barulho irritante do telefone recomeçou. Era Jane. Insistente. Alec pensou em não atender. Mas era óbvio que a mulher estava desesperada. Se ele não atendesse, ela poderia, em alguns minutos, estar ali na porta dele, esmurrando desesperadamente para entrar.

Preferiu não correr o risco. Atendeu o telefone. Desta vez falou. Mas sua voz parecia a de um morto, sem vida, sem qualquer tipo de sentimento. Saiu seca, dolorida:

-olaaá... - falou prolongando a última sílaba, mas foi interrompido
-seu filho da puta! eu tô desesperada preocupada com você e você bate o telefone na minha cara? Seu escroto! O que que você tem dentro dessa cabeça hein? Você me come, faz o que quer e... porra! Você quer que eu vá aí na hora que sua pica quer é? Isso acabou aqui... - ela falou aos berros, engolindo sílabas e cospindo outras tantas

Foi Jane quem bateu o telefone desta vez. Mas Alec não se sentiu aliviado. Sabia que o telefone ia voltar a tocar. Ou que na pior das hipóteses, a porta dele seria derrubada a socos e ponta pés.

Concentrou-se novamente e voltou para dentro de si. Conseguiu pensar durante mais algumas boas horas sem sem incomodado. O episódio do telefone pareceu até bom. A concentração aumentou e o cansaço parecia apenas um detalhe pequeno.

Mas o que Alec pensara, havia se confirmado. No início da noite, o telefone tocou novamente. Era Jane. Parecia estar arrependida do que tinha feito. Aquilo preocupou Alec ainda mais. Aquela conversa tinha tudo para ser longa. E ele ainda tinha muito o que pensar.

Continua...

Contos Sujos - Quente Solidão - Parte 1


O telefone celular tocava sem parar. As janelas estavam abertas. O vento gelado do inverno de Big City entrava congelante. Alec estava no meio da sala, sem camisa, de frente para uma das janelas, em silêncio, pensando. Já tinha uma semana que estava na mesma posição de meditação, sem esboçar qualquer reação. Sem ir ao banheiro cagar. Sem deixar de se concentrar. Mas o telefone não parava.

Alec sempre fora sozinho. Não que não gostasse de gente. Na verdade gostava é da solidão, e tinha necessidade em mante-la viva. Sempre achou que as pessoas demandavam muito tempo com amenidades tão bobas que não valia a pena se esforçar para compreendê-las. Naquela semana, havia tomado uma decisão. Não faria outra coisa, a não ser pensar. Deixou tudo. O escritório, os compromissos, tudo.

Do ouro lado da linha, Jane insistia. Já havia perdido as contas de quantas vezes havia tentado falar com Alec. Os dois estavam envolvidos. Ou Melhor, Jane se envolvera primeiro. Alec não sentia nada além de tesão. Quando perguntado sobre amor, e sobre essas baboseiras, tinha sempre a mesma resposta:

-cara, o homem do lado de uma mulher vira um saco de bosta, como dizia o poeta. Você pode ter tudo cara, pode ter tudo... porra, mas você quer é virar um sacode bosta? Prefiro tesão cara, tesão saca? aquela parada dura, você va lá, e faz...

O telefone seguia tocando sem parar. Aquilo realmente começara a atrapalhar os pensamentos de Alec. Pensou em pegar aquela merda e jogar pela janela. Mas foi impossível continuar Não conseguiria se concentrar novamente. Saiu do transe. Olhou pra o telefone. Esticou o braço e atendeu.

continua...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Imagem Suja - Séries e Cultura Pop



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Você não precisa acompanhar uma série, ver todos os capítulos para saber algo sobre personagens, intrigas e tramas. A internet se encarregou de disseminar o formato importado e de sucessos. E é claro, os produtores pegaram carona. Não é necessário ter uma TV com assinatura para poder acompanhar seu personagem preferido. E que fascínio é este que as séries exercem?

Longas temporadas, piadas que se repetem, elementos que são colocados ao deus nos acuda para dar aquele refresh. Vale tudo para criar novos significados, mesmo que por ventura, nem sejam explicados no fim. Mas talvez, os principais fatos que diferem as séries das novelas sejam a forma narrativa e a independência (sim, existem as particularidades).

A narrativa é rápida, dinâmica, como pede a geração Y. As séries estão completamente adptadas a rotina diária, de pouco tempo para lazer. Outro ponto é que não é necessário ver todos os episódios para poder compreender (em alguns casos). A construção funciona com pequenos contos, o que faz com que qualquer pessoal se torne um consumidor em potencial.


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O Buzz gerado pelas história é tal, que mesmo você que não conhece se senta e assiste. Alguém lhe passa um breve histórico de cada personagem, alguns pontos história e pronto. O suficiente para que você mesmo, depois,consiga seguir junto com a trama.

As séries são ícones da cultura pop. Personagens vendem camisas, canecas, chaveiros. Os boxes com os DVDs não param em locadoras e nas pratileiras. Os downloads são feitos quase que no mesmo momento em que a temporada é lançada nos Estados Unidos.

Além do produto audiovisual, as séries vendem lifestyle. E isso gera fofoca. A cada temporada, os bastidores das renovações contratuais, das brigas, das trocas de personagem, e dos namoros fazem a transição de um ano para o outro. Os fans aguardam atentos cada detalhe. Não há perda.



Tudo se aproveita. Quem nunca quis uma camisa com o X gigante no peito. Ou quem nunca soltou um bazinga na mesa com os amigos. Produtos que vendem estilo e identificam o fã.

No caso de Lost, o final da trama foi alvo de comentários por todo mundo. Aqui no Brasil, o coletivo o www.oesquema.com.br publicou boas resenhas, com diversos pontos de vista sobre o fim da trama. Tudo, nos mínimos detalhes, falando sobre os flashforwards e flashbacks. Cada elemento foi colocado por um autor, com uma interpretação diferente. Vale a pena conferir aqui.



Quanto vale esse buzz e essa mobilização? É impossível mensurar exatamente, pois trata-se de informação. Mas a força do fenômeno Lost é algo a ser estudado. Como pessoas em todo o mundo se identificaram de forma tão fiel, com um programa de TV que durou tanto tempo? E que receita é essa?

Para quem trabalha com comunicação, é impossível ficar de fora. As séries, juntamente com o bruxo Harry Potter, a saga Crepúsculo, Lady Gaga e tantos outros símbolos desta década já são importantes elementos na organização do espaço virtual e na formatação dos referenciais de nosso tempo. Até por que, cada um, a sua maneira, utiliza a comunicação e os meio com sucesso e inovação.

E as séries como um produto, são hoje, um sucesso de vendas.

E claro, este assunto ainda dá muito pano para manga.

No próximo post da coluna: Porquê brasileiro não faz série.





segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Culto e Crosso - Pensando baixo




Vai mais um ano embora. E quantos dias este ano você viveu. Tá acabando meu camarada. Tá chegando no fim. Mas pensa comigo. Tem um monte de gente que está aí, na farra, curtindo, aproveitando, se esbaldando em plumas e confetes e joga tudo isso na sua cara. Fala que você trabalha de mais. Que vive de menos. Mano, a vida é dura!

Se você não nasceu no chiqueirinho de ouro, paciência. Tem que fazer a correria. E tem que bater a laje todo dia, mesmo que você não esteja vendo ela ficar pronta. É assim mesmo. Mas o mais foda disso tudo é que nessa época, aparece um monte de gente para te dar aquele tapinha maroto nas suas costas. E se bobiar, entra na sua casa e come o peru de natal!

O sujeito não te ajudou em nada, e até trabalhou para o contra, e você tem que apertar a mão do camarada. Mas o que eu quero dizer é o seguinte. Não trabalha para o mal desse sujeito. Pensa nesse cara feliz da vida.

Ele não vai te encher, pois provavelmente é o tipo que se deslumbra e esporra sua felicidade por aí. Enfim, fim de ano é isso aí. Vamos pensar no bem coletivo. Mais do que o individual se isso é possível. E daqu até o fim do ano, papai noel vai ter muito trabalho. Pensa baixinho e deseja o bem. Assim o mundo melhora.

sábado, 27 de novembro de 2010

Música Suja - Seleção


A coluna volta com uma seleção para o fim de semana: Phoenix + The XX com versão ao vivo. Senta o dedo e curti aí:

Crystalised-The XX

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Basic Space - The XX

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Lisztomania - Phoenix

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cultura Suja - BLU


Arte Urbana. Este vídeo circulou na internet e é uma incrível performance de desenho contínuo feito pelo italiano conhecido como BLU. Vale a pena conferir. Mais do que o trabalho dele, o vídeo tem uma programação e edição incríveis, e parece ser um trabalho de vários dias. Detalhista, minucioso e ambiocioso. É arte de verdade.

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Marc Balender

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Contos Sujos - A Caçadora - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última parte!

Anie continuava descendo e subindo sem parar. O movimento chamava a atenção de todos. Todas as partes do seu corpo pareciam estar em perfeita sincronia. O bêbado seguiu em passos largos e rápidos. Não tinha se dado conta do quanto havia tomado, e cambaleou. Chegou bem perto do ouvido de Anie e por alguns segundos colou seu corpo junto ao da mulher sentindo um pouco do calor da mulher.

Seu pênis endureceu. Foi tomado por um tesão súbido. Impossível de ser controlado. Com uma das mãos, pegou o braço da mulher e tentou movimentá-la. Porém, a última coisa que viu foi o chão se aproximando rapidamente do seu rosto.

Anie virou-se, e com a mão cheia, desferiu um soco certeiro no rosto do sujeito. O impacto foi forte e o homem não esbanjou qualquer tipo de reação. Seu corpo se transformou em uma massa inerte, que durante alguns segundos se equilibrou. Logo depois pendeu, e caiu, direto no chão do bar.

Todos olharam a cena assustados. O sujeito ficou em silêncio por alguns instantes. Anie abaixou-se, e falou com o homem:

-não quer falar agora? Odeio conversar com estranhos.

O homem levantou a cabeça com dificuldade. E com um esforço ainda maior falou:

-sua vagabunda

Anie levantou-se. Arrumou de cabelo, e seu decote. Com toda pose, fez um movimento sutil. Sua perna foi ao encontro do pênis do homem. Forte e seca, e mais uma vez certeira. O que se escutou foi um uivo de dor. O homem se contorcia no chão aos berros. Enquanto isso, a mulher caminhou em nossa direção. Mason cantou no meu ouvido desesperado:

-puta que pariu, ela tá vindo pra cá
-calma - falei sabendo que o próximo a levar um cruzado poderia ser eu

Enquanto o outro bêbado acudia o comapnheiro caído no chão, Anie se sentou ao meu lado. Pediu um drink. Um conhaque, do tipo ruim. Acendeu um cigarro de filtro vermelho. Deu uma longa tragada. Olhou pra mim e perguntou:

-está assustado?
-não
-porquê? Não tem medo do que eu fiz com aquele sujeito?
-não - disse calmamente
-E por que não? - Me perguntou curiosa.

Pensei durante alguns instantes. Valorizei a resposta. dei um trago no meu cigarro que já estava no fim e falei:

-porque não vou fazer o mesmo que ele

Anie deu outra longa tragada no cigarro dela. Bebeu a aquela dose, e pediu outra. Depois, sentou a mão em mim. Mas no meu apartamento. E dentro das minhas calças, durante a noite inteira.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Contos Sujos - A Caçadora - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

Anie percorreu o balcão procurando por algo. Propositalmente retirou um objeto de dentro de sua bolsa e o deixou cair no chão. Queria instigar os machos do lugar para a briga. O movimento que fez foi rápido. Inclinou-se totalmente para a frente, ficando de quatro.

O vestido subiu, mostrando praticamente toda a grossura das pernas. Seu rabo cresceu exponencialmente. Na outra parte, o par de seios forçava a saída do vestido. Tateava o chão, fazendo com que aquele conjunto perfeito se movesse incrivelmente bem.

Aquilo durou poucos segundos, mas pareceu uma eternidade. Todos pararam. Não pude resistir, é claro. A visão era simplesmente encantadora. Mason, um dos bêbados que estavam rigorosamente todos os dias no bar também não pôde evitar um comentário gentil. Falou para mim, quase caindo, tamanho era o seu porre:

- que vagabunda hein? Isso deve dar um trabalho - tomou uma dose inteira de conhaque vagabundo. O líquido pareceu que voltaria.

Me contentei a concordar com Mason. Sabia que se entrasse na pilha dele, me arriscaria. Era hora de estudar o território. Do meu lado, outros dois bêbados tiravam a sorte e falavam:

- se eu comer essa vagabunda, você me paga mais duas rodadas
- fechado - disse o outro bêbado

Foi impossível não pensar. Como alguém, depois de pegar uma mulher dessas ainda pensa em bebida? Enquanto raciocinava, ou tentava fazer isso, vi o homem atravessar o balcão indo se sentar ao lado de Anie.

Ele cambaleou, mas conseguiu se acertar. Eu, Mason, e Bill o garçom, resolvemos observar aquela conversa. A noite ia ser bem longa.

Continua...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Contos Sujos - A Caçadora - Parte 1


Ela entrou no bar no desfilando o que tinha de melhor. E realmente não era pouca coisa. A blusa era extremamente decotada. Dentro, um par de seios únicos. Nem mesmo eu, rodado nessa vida, havia visto coisa igual. Uma combinação de cima e baixo tão perfeita.

Um short mínimo não era capaz de esconder tudo que havia ali . Pernas extremamente bem definidas, que ao andar, chamavam a atenção de olhares por todos os lados. Não havia marcas de nada, de idade, de porra nenhuma. Quando vi, não consegu pensar em outra coisa. Logicamente todos os outros pensaram o mesmo. E claro, em uma casa noturna, aquilo ganhava proporções absurdas.

O que ninguém sabia é que quem estava à caça era ela. Anie saiu a procurando literalmente uma bem dada. O que ela queria era uma pegada diferente. Na verdade, ela sempre buscava isso. Estava cansada de um monte de caras que viviam dando um mole filho da puta e não eram mais que frangos bombados.

Na noite de Big City, tem todo tipo de gente. Vagabundos, cafetões, putas. Mas o tipo mais óbvio são os que procuram uma foda de qualquer jeito. E a maioria é o tipo bêbado.

Continua...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Culto e Crosso - O Carimbo Social


Sabe quando você acha R$ 10,00 no bolso da calça. Ou que o pipoqueiro, sem se dar conta, coloca uma dose extra de queijinhos na sua pipoca. Ou que sei lá, tá tudo extremamente ruim, e do nada surge algo que muda totalmente a sua vida. Uma tacada de mestre. Isso só acontece por que você trabalha muito. Ou que porque você é pouco ligado no dinheiro. Ou talvez seja porque o pipoqueiro estava num dia de fanfarronice mesmo.

Mas enfim, o lance é que tem um monte de pessoas aí fora pensando, sonhando e querendo algo, e quebram a cara tantas vezes, que pequenas coisas passam a fazer toda a diferença. Não há problema algum. Quem sou eu para julgar isso. Mas o foda nessa história é que essas mesmas pessoas recebem um carimbo social que dá medo. De que se acomodaram, ou de que se contentam por pouco. Enfim, quem sabe o que eles já viveram nessa porra de vida?

O cara pode estar tão grosso, que sei lá, perde a noção mesmo das coisas. Imagina você taxado com uma coisa dessas. Uma estampa na sua testa, imensa. Você aguenta? E pode crer que nenhuma destas pessoas é incapaz. Faltam tantos backgrounds que não há sonhos, nem devaneios. Mas ninguém pensa nisso.

O fato é que se alguma destas pessoas é premiada com um queijinho, fatalmente seria um fator de desequilíbrio no ambiente. E para melhor. É tanta porrada, que elas só querem gerar oportunidades. O mundo tá cheio de pavões que voam na garupa dos outros e que só querem mostrar o rabo e fazer coisas para si mesmos. Uma coisa de louco.

Enfim, deu vontade escrever isso. Vamos todos tomar um chá para relaxar. E tente achar R$10,00 no seu bolso. Não desista não.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Conto Sujos - Pavões em bando - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto as primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

O show de horrores continuava rolando. A cerveja e o conhaque subiam na cabeça de Nathan. E parecia pior do que realmente estava. Os exibicionismos contagiavam a platéia que ficava polvorosa. Rodadas de gim eram distribuídas enquanto insultos eram proferidos as famílias e entes próximos.

Como se tudo que estavam vivendo naquele momento não fosse proveniente do trabalho duro de vidas despertiçadas. Parecia que o que tinham não era suficiente. Mas tinham bebidas, cigarros, viagens, luxo e o principal: tranquilidade. Aquilo na entrava na cabeça de Nathan como um soco na cara quando se baixa a guarda. Pensou em meio a goles e goles:

-De que merda de vida estavam falando? Reclamam quando tem tudo em mãos... como conseguem juntar tanta bosta, e ainda se acharem orgulhosos disso? Da onde essa gente vem?

Claro. O referencial de Nathan era diferente. Nunca tinha tido nada. E aquilo era muito. Muito que foi conseguido com muito couro gasto. Enquanto servia-se, Nick sentou-se e parou com aquela conversa. Foi então que Nathan levantou cambaleante, e foi em direção a roda.

Caminhou com dificuldade. Estava alcoolizado. E sabia como niguém ser desagrável quando estava bêbado. Os ouvintes perceberam que ele iria tomar a palavra. Alguns levantaram tomando rumo para a parte externa da casa. Nathan levantou o braço, colocando a dose de conhaque no alto, falou berrando:

-fiquem onde estão – cambaleou dando a impressão que iria cair – agora sou eu quem vai falar, já escutei merda de mais por hoje...

Butt levantou-se, querendo roubar a cena, fazendo estardalhaço, apontando o dedo para Nathan e dizendo:

-Você não...

Não houve tempo para que terminasse a frase. Nathan desferiu um soco tão potente no rosto de Butt, que seu corpo caiu sobre as outras pessoas que estavam na roda. Todos olharam assustados. Nathan tinha uma boa direita. Enquanto alguns prestavam algum socorro, gritou para que todos escutassem:

-isso é o que a vida faz. Esse aí levanta amanhã. E talvez, levante melhor. E vocês, tratem de cuidarem destas bocas. Tem muita merda saindo daí de dentro.

Nathan pegou uma garrafa de conhaque e saiu sem que os outros percebessem. Butt acordou no hospital, 5 dias depois, sem saber o que havia acontecido.

Para todos os outros, foi impossível esquecer aquela noite.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Contos - Pavôes em bando - parte 2


Se você não está acompanhando este conto a primeira parte está aqui. Se está, manda bala na segunda!

Nathan continuava ali. Era o guardião do freezer. Enquanto o tempo passava, aumentava o grau de bossalidade do assunto que era tratado do meio da roda. Claro, para quem não queria nada com aquilo era cada vez mais difícil permanecer ali. Mas ainda sim, bem ali perto, ele tinha bebida. E farta. Agora quem estava no centro da roda era Nick.

Era uma das mais populares. Claro, era também uma das mais gostosas da universidade. Até mesmo o próprio Nathan já tinha se aventurado ali sem qualquer tipo de sucesso. Mas ainda sim foi obrigado a escutar toda aquela merda:

-claro que meus pais não queriam. Mas como eu, deste jeto que vocês estão vendo, poderia deixar esta oportunidade. Tem coisas que você tem que deixar para trás, empurrar com a barriga, sei lá... nem todo mundo consegue ver o que você está fazendo. Então fica assim, eu faço o que quero, e quem acredita ou quer acreditar fica desse jeito por que quer. É por isso que eu to nessa, na crescente, vejam bem... tem gente que fica parada, até tem talento, gente que eu conheço, bem próxima... estou falando mentira? Foda-se, não é? Nós que é que sabemos e deixar ficar pra trás o que tem que ficar. Tem muita coisa nessavida que na verdade é uma grande bobeira. Beba, ai pra uma festa e esquece. Cara, vocês tão entrando agora.

As pessoas novamente concordavam com a colocação. Aquela mensagem era dirigida a alguém apesar de ninguém saber. Na verdade eram coisas que deviam ser seguidas. Pelo menos foi issso que Nathan concluiu.

E claro, sentiu asco do que pensou. Mas foi impossível também não chegar a conclusão que ele chegou:

-é claro, tem alguém nessa história. E posso apostar que é um homem. E todo homem, do lado de uma mulher, vira um saco de bosta.

Deu um trago forte na cerveja. Misturou com o que tinha disponível e tentou desviar o olhar para algo útil. Claro, estava complicado.

Continua...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Contos Sujos - Pavões em Bando - parte 1


Era muita gente. Na sala, alguns violões e bebidas para todos os lados, som, jazz, e mais inúmeras vozes que se misturavam. Os alunos da Universidade de Big City faziam sempre o mesmo ritual no início das aulas. Um fim de semana fora da cidade, em uma casa que ficou conhecida como “maternidade”.

Era o batismo dos novatos. Rolava realmente de tudo naquilo. Gente que bebeu até se cagar todo, sexo grupal, orgias, drogas e tudo que cabeças juvenis, perversas e cheias de álcool se permitem pensar.

Para Nathan, aquilo era uma merda. Pavões ficavam de um lado para outro mostrando os rabos ornamentados, tentando faturar uma foda. Era um show de exibicionismo que dava ânsia. Apesar de não agüentar mais aquilo, tinha que ir. Os faltantes sofriam tantas penas, que seria duro demais aguentar aquela gente torrando o resto do semestre inteiro.

Resolveu beber durante todo o tempo, sem parar. Sabia que fazendo aquilo se tornaria tão desagradável que ninguém se aproximaria . Ficaria em paz e longe daquela gente.

Sentou-se ao lado de um dos freezers da sala, e concentrou-se em beber o máximo possível e ver o movimento das pessoas pela ampla sala do casarão. Ali era o palco ideal para a apresentação dos pavões. Não demorou muito para que o show começar.
Uma rodinha se formou. No meio daquilo, Butt, um dos organizadores do evento exporrava suas glórias para os ouvintes:

- já fui a muitos lugares... Veneza, Milão, fui até a Índia.... minha família tem muita grana, torro o dinheiro todo do meu pai, aquele babaca... ele nunca soube dar valor ao filho que tem...

Todos concordavam com o falante e olhavam com olhar de comoção. Nathan olhou aquilo, e deu uma golada na cerveja. Desceu terrivelmente mal. Procurou outra bebida para acompanhar. Encontrou conhaque. De péssima qualidade. Serviu-se, tomou um duplo e pensou:

-que merda.

Continua...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Imagem Suja - Cachorro Morto


Trailler do curta Cachorro Morto Um pouco da vida de Charles Bukowski. produzido pela Inhamis filmes.

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Para ficar por dentro do lançamento é só seguir os caras @inhamis

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cultura Suja - Indicação - Charles Bukowski

Particularmente nunca gostei de heróis perfeitos, cheios de virtudes e de moral convencional. Quando no colégio, o primeiro livro que realmente gostei foi Macunaíma. Talvez por que o herói tinha pouco do que é considerado heróico.

Vivia dando uma de malandro e soltando balão em todo mundo. Depois conheci outros autores, que tratavam o ato heróico de outra forma, ou simplesmente desdenhavam dele. É o caso desse cara aí em cima.

Primeiro e mais importante: não sou crítico literário. Segundo: estou dando uma dica. Terceiro: você tem todo direito de discordar e cagar para o que eu vou falar adiante. Isso porque, se algum dia você já pegou um livro de Charles Bukowski para ler pode ter tido uma experiência, digamos, traumática. E sim, eu vou falar bem dele, especificamente desta obra.

Os temas de Bukowski são variados. Vão da bebedeira à completa falta de noção. Jogos de azar, putas, cafetões, violência são alguns de seus assuntos preferidos. Até então, tinha lido outras obras dele. Mas essa realmente tem me chamado a atenção para a riqueza de detalhes. E para os fatos descritos.

A leitura corre fácil. São contos. 10 a 12 páginas de histórias. A princípio, todas as histórias são verídicas. Comprei este livro depois de assistir o filme, que leva o mesmo nome. É uma das coisas mais bizarras que já vi.

Mas ao mesmo tempo, para quem é amante do que é sub, do que é feio, e do que é chocante, vale a pena.

Algumas histórias envolvem fatos realmente pesados que até para quem está acostumado com ele fica um pouco estranho. Mas não vou falar sobre cada conto, pois ficaria chato. Só digo uma coisa. Se você encontrar este livro, sugiro que você compre.

Amanhã tem o curta da Inhamis Filmes sobre Charles Bukowski.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Culto e Grosso - Extremistas



Extremistas são um saco. Seja do lado em que estiverem, são um saco. Ontem o país conheceu seu novo presidente. Ou melhor, presidenta. Mas o que parece é que se trava de uma briga entre duas cores. Tanto os que venceram, que tripudiaram e esfregaram o sabor da vitória no rosto do derrotados; quanto os derrotados que engolem tudo com um sorriso amarelo. Ora bolas, nessa disputa só tem um lado que pode sair vencedor! É o lado do povo!

Não estou aqui para falar sobre política. O blog já conta com um analista que é fera. Estou aqui para comentar as manifestações e os sentimentos que tomaram parte do povo, da mídia e de alguns segmentos da sociedade. Uma batalha entre o bem e o mal. Que porra é essa? E o país, onde fica nessa história? Ondeio colocar perguntas retóricas, parece coisa de político, mas é necessário.

E os extremistas. Ah, os extremistas. Durante este tempo foi duro ter que ficar policiando cada comentário. Por que se você fala algo que desagrada a turma da estrela você é um vendido neoliberalista da high society. Agora se você fala que quer um país com mais oportunidades e igualdade para todos é a turma do papagaio que vem como uma onda te chamando de socialista.

Ainda bem que acabou. Todos querem defender o seu. Mas estamos preparados para fazer a nossa terra crescer quando não é um dos nossos que está lá? Ou só há sempre um caminho a seguir: aquele que eu acredito. Aquele que eu voto.

Quando a gente muda, o mundo muda. É hora de dar passos para frente. Ficar de cara amarrada xingando muito no twitter não resolve nada. Braços cruzados não geram trabalho, riqueza e renda. Se é com ela que vamos estar nos quatro anos, vamos trabalhar para que sejam grandes anos.

domingo, 31 de outubro de 2010

Contos Sujos - O pênis falante - parte 3


Se você não está acompanhando, as duas primeiras partes desta história estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última!

O Cadillac rodou rápido por algumas ruas do centro antigo de Big City. Enquanto Leni dirigia procurando um beco escuro para estacionar o carro, Suzan lhe apalpava as pernas, subindo até as suas partes. A mulher subiu suas mãos até o meio das pernas do motorista. O motor do carro roncou.

Novamente a voz veio lá de baixo:

-para logo esse carro, para logo
Leni tentou ignorar novamente, mas o pênis era insistente:
-deixa eu sair daqui, para logo esse carro!
-aaaahhhh!!! – Leni soltou um berro.
- nossa, o que foi? – disse Suzan sem entender nada.
- tesão da porra, tesão da porra – repetiu nervoso.

Leni achou beco. Entre dois prédios. Era escuro como ele queria. Parou o carro. Suzan subiu no seu colo, já dobrando o banco para trás. As coxas da mulher ficaram expostas. Eram grossas e brilhavam com a luz da noite. O decote do vestido desceu fácil, revelando seios fartos e perfeitamente arredondados.

Parecia obra de um artista. Leni mordeu. Suzan soltava gemidos abafados. O carro balançava. As mãos do homem entraram por baixo do vestido e voltaram empunhando uma calçinha minúscula. Ao mesmo tempo a mulher abria o zíper da calça do parceiro já encaixando-se para ser penetrada. Leni escutou de novo a voz inconveniente:

-ahn lá vou eu! Agora! Agora!

Leni penetrou Suzan com força. Parecia que queria calar o seu pênis. A mulher gritava, sentindo a força dos movimentos. Mas a voz não parava:

-sim, sim! Vamo! To lá dentro! Eu sou demais!
-cala a boca! – gritou Leni novamente no momento em que soltava tudo que estava guardado há tanto tempo. Suzan olhou para ele nervosa e falou:
-que merda é essa de me mandar calar a boca?
-não foi com você que eu falei – disse constrangido
-ahn não? Estamos eu você e mais quem aqui?

Leni não sabia o que dizer. Mas, por mais louco que parecesse, disse o que se passava na esperança de não perder aquela foda:

-falei com meu pênis. Ele deu pra falar comigo deste a hora que te viu.
-ah é? Você é louco ou acha que eu sou uma idiota? Então tá, minha xota tá dizendo que é melhor eu ir embora por que você é um tarado. Me leva pra casa agora – Suzan falou vermelha de tanta raiva, enquanto se acomodava no banco do carona e se arrumava.

Leni deixou Suzan em casa. Depois que loira subiu e fechou a perto, ele escutou:

-que foda, hein?
-cala boca! Já te disse! Ou eu te enfio num lugar que você não vai se esquecer.

Desde então, Leni não conseguia mais se concentrar com aquela voz falando o tempo todo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Contos Sujos - O pênis falante - parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

Leni achou que aquilo era uma alucinação, fruto de tanta bebida misturada durante a noite. Porém, mesmo que seu saco não estivesse falando, uma coisa era certa: tinha que fuder com aquela mulher.

Resolveu tentar a sorte. Pegou mais uma dose, e ainda no balcão, virou o copo goela a baixo. A bebida desceu queimando. Foi o suficiente para ele tomar coragem. Levantou-se e caminhou rápido em direção a pista. Por alguns segundos ficou só observando a mulher subindo e descendo. Ela viu que alguém a comia com os olhos.

Começou a realizar movimentos ainda mais sensuais. Leni observava em transe. Porém, a viage nas curvas de Suzan foi interrompida pela mesma voz:

-anda, eu quero entrar lá! - disse o pênis
-mas que porra, cala a boca! - Leni respondeu gritando e gesticulando para o próprio orgão genital

Algumas pessoas perceberam a cena, e olharam sem saber o que extamente estava acontecendo. Leni voltou a si. Pensou no quão ridículo era aquilo. Porém, antes de mais nada, foi até o pé do ouvido de Suzan e soltou algumas doces palavras:

-deixa eu ver o que tem aqui em baixo...

Suavemente Lenin enfiou a mão por baixo do vestido de Suzan sem que ninguém percebesse. Enquanto as nádegas de Suzan roçavam o corpo de Leni, sua mão passeava descobrindo cada área. A loira tinha calafrios. Porém, tinha mais alguém querendo se divertir:

-ei cara, e eu? me coloca nessa jogada aí, anda logo!

Leni tentou ignorar, mas a voz continuava insistindo:

-cara, eu tô aqui durão, me ajuda aí!
-puta que pariu -disse Leni bufando.

Suzan virou o rosto para o homem dizendo:

-o que foi que você disse?
-perguntei se você não quer ir para outro lugar - falou Leni sem certeza
-é claro que quero. Com o tesão que você me deixou, você acha que eu vou ficar aqui?

Os dois caminharam rapidamente para a porta do Acustic. A noite ia terminar no Cadillac de Leni.

Continua...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Contos Sujos - O pênis falante - parte 1




Leni não conseguia mais se concentrar. Seu pensamento se perdia a cada cinco minutos. Ao mesmo tempo não sabia o que fazer. Se sentia acuado. Louco. Suava. Enquanto digitava, aquela voz não parava de falar.

Há pelo menos 6 meses o pênis de Leni começara a falar. No início ele achou aquilo uma bobagem, mas com o tempo foi se tornando cada vez pior. Tudo começou quando Leni comeu Suzan depois de uma festa no Acustic (boate no centro de Big City). Aquela noite ele bebera tanto, que perdera a completa noção do que estava acontecendo.

Entrou no Acustic tarde, ventando, derrubando copos e logo encostou-se no balcão do bar prolongando seu porre. Doses de Martini e conhaque desciam como água. Ao mesmo tempo que sua embriaguez aumentava, um súbido tesão lhe tomava o corpo. Havia pelo menos 5 meses que ele usava seu pênis apenas para mijar.

Quando se deu conta do tempo que estava sem uma bimba, ele viu Suzan se acabando na pista. A loira subia e descia em um movimento único que só parava quando os peitos insistiam em sair do decote apertado. As mãos arrumavam o vestido, que logo já não dava conta de segurar o conteúdo.

As curvas da cintura e das nádegas torneavam o corpo esculpido. A essa altura do campeonato, Leni já estava mais bêbado que um porco, mas no meio do barulho e da música alta, uma voz se destacou, dizendo:

-vai lá, e me coloca lá

Leni assustou-se. Todos ao seu redor ou bebiam como ele ou se ocupavam de outra coisa. A voz voltou a falar:

-anda, vai lá e me coloca lá seu porra - em tom imperativo

Leni não entendeu. Assustou-se. Por um momento a embriaguez passou. Ele então pensou em voz baixa:

-eu bebi demais. Tá na hora de parar. Já to escutando vozes...

-ei, seu bebum, sou eu quem ta falando! Olha aqui pra baixo.

Leni olhou para baixo e algo se movia dentro da sua calça. Foi impossível não pensar:

-Que porra é essa? Meu saco agora deu pra falar?

Continua...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Música Suja-Relíquia Hard Sun


A coluna volta com uma relíquia. É melhor escutar. Versão original de Hard Sun, música que faz parte da trilha sonora do filme "Na Natureza Selvagem".

Hard Sun 1989 Original -'Indio' - Gordon Peterson

video

Contribuição de @navarro85 e @tiagosarmento.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cultura Suja - “O Povo Brasileiro” de Darcy Ribeiro


Tudo começou quando os portugueses chegaram ao Brasil e começaram a traçar as índias.

Com seu espírito ibérico e aventureiro, e ainda por cima sem a presença de uma instituição católica sólida, praticaram o fornicamento em massa como forma de aliviar a frustração sexual advinda dos milhares de quilômetros de distância de Portugal, sem suas mulheres brancas.

É claro que isso foi também uma forma de povoar o que seria o futuro território brasileiro, antes que ele caísse nas mãos dos espanhóis.

Analisando as raízes da colonização brasileira, Darcy Ribeiro nos mostra em seu livro “O Povo Brasileiro” como se formou nosso povo, como surgiu o sentimento de “brasilidade” que nos faz sentir parte da mesma nação e como a realidade sócio-econômica do país está relacionada com 1500.

Através de uma linguagem extremamente didática e prazerosa, o autor nos faz refletir a respeito da miscigenação da qual praticamente todos nós somos originários. Não tem dessa de falar que você é italiano, espanhol, português, alemão, judeu, etc. Você é brasileiro, porra! A não ser que você more numa comunidade fechada do Rio Grande do Sul.

É isso que Darcy nos mostra com seu livro, que resultou de uma vida inteira de estudos antropológicos.


A partir desta conscientização muitas coisas se encaixam em nossas cabeças. Entendemos o porquê de a cor da pele escurecer cada vez mais à medida que adentramos os subúrbios e favelas do país.

Entendemos como as disparidades se originaram a partir do empreendimento colonial, com a concentração das terras nas mãos de latifundiários, e se reproduziram em todas as regiões do Brasil, criando uma eterna alternância entre “opressor” e “oprimido”. Os favelados de hoje foram os escravos, sertanejos, caipiras, caboclos e sulistas de ontem e a maioria de nós, desde o negro pobre ao branco latifundiário, é descendente de portugueses ou mestiços que comeram negras e índias.

Isso mostra como, apesar de tantas diferenças no fenótipo, pertencemos a mesma etnia. Serve inclusive para questionar sistemas como o de cotas, onde se tenta rotular uma pessoa como negra num povo que se originou desta etnia. A verdade, infelizmente, é que a definição de negro no Brasil ultrapassa a genealogia e atinge o campo social.

Aqui só é visto como negro quem, além de ter a pele escura, é pobre. Os negros foram todos alforriados, mas as amarras da marginalidade e do apartheid social ainda não foram desatadas.


Indico este livro para você que quer aprender a respeito da etnia brasileira. Todo brasileiro tem que lê-lo, até por uma questão de valorizar a cultura nacional e conhecer a História que foi contada de modo superficial nos livros de Ensino Fundamental e Médio.

Você encontra uma versão Pocket da obra nas livrarias e o E-book na internet. Talvez na biblioteca pública desfalcada mais próxima a sua casa você também ache um exemplar. Tem ainda o documentário baseado no livro, com a participação do próprio Darcy Ribeiro, Chico Buarque e grandes nomes das Ciências Sociais.

Arthur Viggi

domingo, 3 de outubro de 2010

Imagem Suja - Sujos em Berlim 2

Segunda parte do Graffiti em Berlim, com fotos produzidas pelo jornalista David Gomes. Vale a pena dar uma sacada.

A maioria dessas fotos estão localizadas em uma parte preservada do histórico Muro de Berlin, construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961 e que dividia a Alemanha em duas.

A parte Oriental, adepta do regime socialista, e a Ocidental, pertencente ao bloco capitalista durante o período que ficou conhecido como Guerra Fria. A queda do muro aconteceu em 3 de outubro de 1990, quando a Alemanha novamente se tornou um país unificado. As imagens estão lá desde a época em que o muro caiu.

Atualmente, são preservadas. Não se pode apagar alguns dos graffites, e nem se pode derrubar essa parte do muro devido ao valor histórico das obras.

















Semana que vem tem mais.

Créditos: David Gomes, jornalista, residente em Londres

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