sábado, 10 de abril de 2010

Cultura Suja - Paz, Amor e Um Pouco de Comércio

Vocês devem ter acompanhado na imprensa o anúncio de uma edição do lendário festival de Woodstock, que está para acontecer numa fazenda paulistana em outubro de 2010. Isso me lembrou imediatamente a exportação do ”Rock In Rio” para Portugal,o chamado “Rock In Rio Lisboa”. Um nome, no mínimo, controverso. Você não se entristece com a venda de uma marca nacional para um “país periférico de 1º mundo”? Eu sim. A história se repete, mas desta vez são os americanos que vão se amargurar.



Segundo a imprensa, o festival acontecerá na cidade de Itu, no interior paulista. Especula-se que poderão vir atrações como Pearl Jam, Bob Dylan, Foo Fighters, Linkin Park e Green Day, e que desta vez, ao invés de se pregar a paz e o sexo livre, será levantada a bandeira do ambientalismo. Somente por este fato o evento já não merece ser chamado de “Woodstock”. O festival, em sua forma original, foi um marco histórico da contracultura. Como alguém se atreve a criar um festival dentro de um novo contexto histórico, e com uma outra ideologia, usando um rótulo antigo?



O instinto “caça-níqueis” dos grandes empresários acaba com a originalidade dos festivais. Você pode constatar isso olhando a programação das antigas edições do “Rock In Rio” e comparando com a última. Vai notar o contraste forte dos ícones do rock e da MPB com o pop descartável liderado por bandas como “N’Sync”, “Five” e “Sandy e Junior”.



A suposta edição brasileira de “Woodstock” será musicalmente e ideologicamente bem interessante. São válidas as boas intenções ambientais, mas por mais que os empresários queiram colocar essa etiqueta no festival, nunca houve nem nunca haverá nada como o festival hippie americano. Pra mim o “Woodstock Brasil” pode ser metaforizado na seguinte situação hipotética: você chega numa padaria e pede uma Coca-Cola. Quando está bebendo, percebe que na verdade o líquido da garrafa não é Coca-Cola, e sim Toddy. A única coisa que resta de original é o canudinho. O canudinho é o Rock N’ Roll.

Arthur Viggi

7 comentários:

  1. Este evento ainda vai dar muita polêmica. Quantas coisas ainda podem ser discutidas hein?

    ResponderExcluir
  2. Tudo é comercializado até a ideia de ambientalismo e preservacionismo ambiental, infelizmente, fazendo com que o evento em si diferencie-se tanto do de 1969.

    A partir de um canudo pode-se chegar até a boca ou ao objeto!!!

    ResponderExcluir
  3. Realmente deveria ter outro nome, já que a bandeira e a conjuntura são outras. Mas será interessante um tipo de evento deste, num país emergente como o Brasil, sobretudo, com a temática ambientalista ! Como neste mundo "nada se cria e tudo se copia" são previsíveis as manifestações pseudo-hippies da classe média brasileira no festival. Além disso, torçamos para que a causa ambiental trascenda a lógica legitimadora do mercado e não seja enlatada pela indústria como foi a música popular Folk e o Rock and Roll.

    ResponderExcluir
  4. hauauahuahauhauhauhauahuahuauhahauahuahuahuahau

    isso é tudo que tenho a dizer...

    ResponderExcluir
  5. Texto foda Arthur!

    É...um rótulo antigo pra quê? Se vão mesmo conseguir trazer todas essas atrações por que usarem um nome antigo?

    O que dizia a palavra "WoodStock" antes do festival? ele teve esse nome insignificane e os seus atores construíram pra ele esse significado mágico, tão fascinante a nós(duas, três gerações após).

    Claro, o dinheiro corrompe a música que nasce na garagem, nada trágico para nossa geração que aprendeu a conviver com essa lógica. Mas, volta e meia com esse dinheiro sujo os artistas tem a liberdade e o espaço pra se expressarem, mas não vejo exercerem com vontade. Vejo os ícones musicais acomodados, sem vontade de dizer algo novo, fazendo shows pra ganhar dinheiro já que não se vende mais discos.

    A preocupação do empresário é expor suas marcas e atrelar a responsabilidade social a elas, fora isso, ele pouco ligam pro que vai rolar...Todos esses artistas em todos esses festivais tem milhares de pessoas prontas pra receber o que ele quiserem professar, mas só ouvem os três minutos de música pop, umas falas desconexas e um engessado "Obrigado" de quem aprendeu a palavra na véspera.

    Não quero um discurso ideológico num show de roquenrou, mas quero uma atitude que me faça pensar, que me choque, que me emocione. A música pop pura eu ouço em casa...

    Ou seja, se vem Dylan, Vadder, Grohl, Billy Corgan, Chris Cornell a esse festival é responsabilidade deles fazer algo diferente, algo que muito não se vê...

    Quando era reprimido o roquenrou gritava por espaço pra dizer algo maior...
    Agora com todo espaço e liberdade, ele se cala por não saber o que dizer.

    Que venha logo alguém com algo novo pra dizer, e renovar o ímpeto do nosso amado cinquentão roquenrou, que venha algo novo pra ressucitar o sentido de se ter festivais

    A música é a arte mais direta na formação do pensamento do Homem. O Homem que recebe uma música vazia, vai ser um homem vazio sentado num bar pouco se importando se a sua coca tem gosto de Toddy...Se a sua vida tem cara de morte...

    ResponderExcluir
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  7. Luiz Bianco Cunha12 de abril de 2010 08:02

    ótimo comentário. Não encarei este anúncio como como algo positivo. E desconfioque a programação do festival continuará atendento a obejtivos comerciais, ou seja, teremos os backstreets boys da vez se apresentando

    ResponderExcluir

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...