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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Culto e Grosso-Manifesto da Surr-Sub-Urgência Literária.



Escreva como quem cospe para cima, olhando os respingos cairem nos transeuntes, e levando o que restar na própria cara, transmutado em ouro.

Escreva como quem come uma buceta e propositalmente deixa o pau escapulir para o cu da moça.

Escreva como quem dança no centro uma canção mexicana vestido de africano, e falando em dialeto tupi-guaraná.

Escreva como quem anda rebolando uma bunda que não é sua, vomitando um pensamento que não é seu, chorando um amor que não te deu.

Escreva como quem come lentilhas no café da manhã, panquecas no almoço, e uma leve salada de pólvora no jantar.

Escreva como quem olha através do próprio umbigo, pois assim durante os saltos no trampolim da vida fica mais fácil de olhar por baixo da saia das garotas virgens.

Escreva como quem desistiu de escrever, e só quer aproveitar a água de coco e as sobras frescas.

Escreva como quem esqueça...

Esqueça! Foda-se sozinha, realidade. Renego-te! Prefiro transar com a outra, a vida, e a gozar.

E depois do ato, exijo o direito de escrever como quem escreve um conto erótico para um site vagabundo, para um leitor desatento achar as melhores partes e acabar de vez com a masturbação.

Escreva como quem descarta um lenço na pós-punheta.

Protesto textos descartáveis, só pela vida, pelo escrever, pelo expressar, a rebeldia no representar. Manifesto o texto que pulsa como a vida, e como a vida, sem créditos e pontuação, assim acaba

Publicado originalmente em http://nemcultnempop.blogspot.com/

Ismael 'Fly' Al. Schonhorst

domingo, 22 de novembro de 2009

Cultura Suja - Dan Brown


Esta semana, um renomado site inglês publicou uma lista com os melhores e os piores livros da década. No topo da lista, um dos livros mais vendidos nos últimos anos: O Código Da Vinci, de Dan Brown.

A análise feita pelo portal menciona a superficialidade do texto do autor norte- americano, que conduz sua obra como um blockbuster hollywodiano, que em certos aspectos perde a conexão com a realidade.

Porém, ao que parece a análise é muito mais uma birra contra um autor que conseguiu ser bem sucedido em sua carreira, do que propriamente pelo seu texto. Para quem teve a oportunidade de conhecer a obra do autor, sabe que seu texto não traz qualquer tipo de lição moral. A intenção não é essa.

Seu texto está sim muito mais ligado ao plano da ficção da indústria cinematográfica americana, do que a literatura erudita, o que em momento algum desmerece o talento do escritor.

Seu mérito é adaptar sua arte como um produto consumível, sem perda de qualidade de conteúdo, ao contrário do que acontece em grande parte do que é produzido para as telonas e para a TV por exemplo. Faz parte do seu estilo ser rápido, coeso e superficial no que diz questão a linguagem. Faz parte da estética com o qual suas obras foram construídas e absorvidas por milhões em todo o mundo.

Além disso, o cuidado na pesquisa é outro ponto a seu favor. Suas obras começam com notas, dizendo o tempo de duração da pesquisa, as pessoas entrevistadas e as tecnologias descritas que realmente existem.

Desmerecer o trabalho de Dan, é cair na máxima de que todo best seller é uma merda. É claro que Paulos Coelhos existem em todo lugar, mas não é o caso.

Dan pode ser pop. Qual o problema? Salvador Dali também era. E Bob Dylan ainda é.

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