Arthur Antunes
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
O Anjo Pornográfico
Arthur Antunes
domingo, 18 de janeiro de 2015
Auschwitz e o Café Corporativo
O relacionamento profissional é algo estranho. Os colegas de trabalho estão reunidos em equipe, em prol de um interesse comum. Mas isto não quer dizer que haja amizade entre eles. Aliás, não é nem recomendável que exista amizade no trabalho, por uma questão de bom senso. Eu me recuso terminantemente a me envolver com as pessoas no dia a dia profissional. “Boa tardes” e “tudo bens” já são bastantes. Polêmicas corporativas até caem bem de vez em quando, se você tiver empatia com o insurgente. Alguns comentários de corredor também são válidos. Mas amizade, amizade, não. Amizade e trabalho são como água e óleo. Os problemas de uma esfera afetam a outra decisivamente. Portanto, têm que ser separadas.
Lembro-me bem de meu primeiro emprego, num ambiente muito fraternal e descontraído. Havia um contingente de mulheres que compunham uma panela indelével. A panela, a propósito, era tanto figurativa quanto literal, pois uma das meninas era cozinheira e fazia almoços coletivos na cozinha, como numa república. Uma outra usava o telefone da recepção como um orelhão. Fazia longas DR’s e contatos pessoais. Havia também churrascos freqüentes de confraternização. Resultado: a fofoca comia solta; conflitos eram recorrentes; vi colegas cortarem relações por brigas mesquinhas.
Eu mesmo tive problemas, e quando mudei de emprego, 5 meses depois, senti um alívio emocionante. Agora adoto uma conduta anti-social, da qual me orgulho. Já auferi a fama de funcionário “que não dá idéia pra ninguém”. E sou respeitado por isso. Ou pelo menos criticado pelas costas, o que não deixa de ser uma forma de respeito. Existem, no entanto, momentos de sofrimento protocolar. E o maior deles é na hora do café corporativo. Vou até a cozinha por uma necessidade fisiológica. Tudo que eu desejo é comer meu pão com manteiga e sair fora. Mas acabo me deparando com brincadeiras, risadas, sorrisos envernizados e conversas clichê.
Se tem um momento em que me sinto uma puta, é no café corporativo. Sinto-me traidor de mim mesmo. Sinto-me um deputado do PMDB. Pois me rendo, afinal, aos protocolos corporativos. Devolvo os olhares, faço piadas incidentais. Abro sorrisos de botox, sou gentil de uma forma que não gostaria de ser. Eu converso.
Arthur Antunes
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
O tempo que é valioso
sábado, 21 de abril de 2012
Música Suja - Estudando o Samba
O ano era 1986. O cantor David Byrne, do extinto grupo Talking Heads, perambulava pelo Rio de Janeiro e, passando por uma loja de LPs, resolveu pedir alguns discos de samba para conhecer melhor o estilo. E graças à despretensiosa e providencial intervenção de um simples empregado, acabou levando um disco que o marcaria e, por conseguinte, mudaria para sempre a vida de Tom Zé.
sábado, 14 de abril de 2012
Música Suja - Exile On Main St.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Música Suja - Músicas para Churrasco Vol. 1
http://www.youtube.com/watch?v=MubPUt0F7_M&ob=av3e
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Cinema Livre - Duas terça-feiras onze de setembro
O maior atentado terrorista da história foi o ataque às torres gêmeas? Não acredito, aliás, como fica claro nesse vídeo há oculto na história uma outra terça-feira muito mais sangrenta e cruel que a tragédia americana. Dores são dores e não devem ser comparadas. Mas historicamente é preciso refletir.
João Ninguém
domingo, 29 de janeiro de 2012
Música Suja - Noel Gallagher’s High Flying Birds


Confesso que na primeira vez que ouvi o novo álbum de Noel, “High Flying Birds”, fiquei um pouco desapontado. Não encontrei a agressividade do Oasis no disco, o que já era de se esperar, visto que não é um trabalho do Oasis, e sim do Noel. Na verdade, reneguei este álbum por vários meses, desde seu lançamento, simplesmente por ter perdido o costume de ouvir BritPop. Somente há pouco tempo sintonizei meu ouvido na freqüência musical britânica, e agora posso expor uma conclusão sensata a respeito do disco.

O repertório começa com “Everybody’s On The Run”, música que me lembra bastante o som do Seal. O vocal limpo e afinado de Noel se encaixa bem melhor no Pop; daí vem minha estranheza inicial por carência de agressividade. "Dream On" dá seqüência ao disco, usando uma fórmula antiga do Oasis. Digo o mesmo de “If I had a Gun”. "The Death of You and Me" marca a ascensão do disco, com uma sonoridade burlesca, de marchinha, inovando com arranjos de sopro jazzísticos. "(I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine" também é uma música cool que segue a fórmula antiga.

Parece que o longo hiato subseqüente ao último disco de Oasis não atrapalhou, afinal, o desempenho de Noel Gallagher. “High Flying Birds” é um disco simples, despretensioso e definitivamente carente de agressividade. Não que isso seja uma crítica; pelo contrário, pode ser uma virtude etérea que comporá a nova identidade do cantor. O desafio é esse mesmo: distanciar-se da imagem do Oasis e, principalmente, do errôneo estigma de ter copiado os Beatles. Noel deu início a uma consistente carreira solo e mantêm-se no patamar de um dos maiores talentos da Inglaterra. O mesmo não digo, porém, de Liam, que apesar da marra icônica e do vocal potente, mal sabe tocar um violão e tampouco emplacar um repertório
domingo, 15 de janeiro de 2012
Imagem Suja - Quem poderia prever?
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Sujos Factual - Tentando explicar o inexplicável
Boletim de Ocorrência, Data:29/12/2011
Natureza: Calúnia e Difamação
Logradouro: Na banca mais próxima de você
Vítima: Cultura Popular Brasileira
Acusados: Humberto Maia Jr., E Luís Antônio Giron, Marta Mendonça, Maurício Meireles, André Sollito. Repórteres e editores da Revista Época
"Com melodia fácil e letras que falam ao público jovem, o cantor paranaense bateu recordes na internet e traduziu os valores da cultura popular para todos"
Esse subtítulo é o culpado da discórdia, porque a matéria, pra quem leu, é bem escrita apesar da superficialidade do personagem. A falta de bom senso é óbvia no trecho polêmico "traduziu os valores da cultura popular para todos", e muita gente já escreveu sobre. Mas vamos experimentar um olhar diferente:
Você jornalista de uma das maiores revistas do país recebe um release do Michel Teló com recomendação de capa. Você tem que realizá-la. O que interessava à assessoria do rapaz era tê-lo na capa, o teor da matéria pouco importa.
Eu fico pensando, a tarefa foi delegada a cinco jornalistas, será que faltou o bom senso aos cinco? Não sei, isso me tem cara de uma grande sacaneada. Teló tem direito a capa não tem ?(provavelmente é uma matéria paga, muito bem paga). Então, os jornalistas resolveram escancarar essa pouca vergonha.
A melhor resposta que tenho da situação é essa, o jornalista poderia ter feito uma matéria que ninguém ia ligar, apenas para as fãs histéricas guardarem. Mas não, despertou polêmica e discussão sobre o que é a cultura popular brasileira. Sobre o quanto estamos distantes de nossas raízes.
No mais, o hit de Teló não é sertanejo, não tem identidade nenhuma: nem letra, nem ritmo. Tornou-se um sucesso através de jogadores de futebol, primeiro os tupiniquins, depois o ídolo mundial Cristiano Ronaldo. Por isso, creditar algum mérito ao artista é desrespeito à inteligência. Pra quem ainda insistir nisso, presta atenção nessa letra:
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Culto & Grosso - Não é toda mãe que é Maria
“Ave Maria, cheia de graça,
É pecado levantar a voz contra o pai e passagem direta para o inferno duvidar do amor de uma mãe. A família é o sagrado maior, ao qual, não se pode contestar. Profanar a família é coisa que choca até mesmo nossa juventude atéia e agnóstica.
O amor entre pais e filhos é, felizmente, quase que inevitável, o que lamento é a automatização desse amor em obrigações. Uma autoridade paterna que necessariamente precise machucar, uma identidade feminina que não possa odiar o seu filho por um segundo, um filho que tenha que ser bom para os dois mesmo que eles não mereçam.
Nem toda mãe é Maria, e nem toda a mãe deveria tentar ser. Mães são humanas e imperfeitas, são cruéis e egoístas tanto quanto qualquer outro ser humano. Qualquer mãe que se sacrifique por seus filhos, tem em si que é o certo a se fazer, mesmo que isso seja contrário a todas suas razões.
sábado, 12 de novembro de 2011
Sujos Factual - Quebrando o Tabu

O princípio ativo da maconha não devia se chamar THC, mas sim FHC. Através de seu documentário, Quebrando o Tabu, Fernando Henrique Cardoso tenta sobrepujar a repulsa que acompanha a discussão a respeito das drogas, trazendo à tona a questão que realmente interessa: a política de repressão ao tráfico e ao consumo é eficaz? Longe de fazer apologia ao uso, o filme foi meticulosamente montado, com argumentos consistentes e várias personalidades de respaldo, como Dráuzio Varella, Jimmy Carter, Bill Clinton e Paulo Coelho.

Durante a maior parte do filme tive uma sensação prevalente de orgasmo intelectual. Não é qualquer dia que você vê um sociólogo das antigas versando sobre um tema tão interessante e polêmico. Abarcando desde o cigarro e o álcool até a heroína, a película leva a discussão para fora do Brasil, através de entrevistas, analogias, dados quantitativos, que revelam a droga não como substância do capeta, mas como problema mundial de saúde; um mal inexpugnável que deve ser encarado de frente pelo sistema de saúde. Indico para você, leitor, que gosta de polêmica e bons argumentos. “Quebrando o Tabu” vai virar sua cabeça do avesso. E quem não vir é careta.

Arthur Viggi
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Música Suja - Black Sabbath volta aos palcos e grava CD com inéditas em 2012

Uma das maiores bandas da história do rock mundial acaba de anunciar a sua volta aos palcos: o Black Sabbath fará uma turnê em 2012 e lançará um álbum com músicas inéditas.A tarde de hoje foi acompanhada com muita tensão. O anúncio era esperado por fãs do mundo inteiro, que esperavam ansiosos pela nova reunião. Depois de 33 anos, a banda se está reunida novamente com a sua formação original que tem Ozzy Ousbourne nos vocais, Tommy, Geezer e Ward .
A última vez que a banda tocou junta foi em 1997. No ano seguinte, o registro das apresentações gerou o disco Reunion, ainda hoje um clássico.
No Twitter, o movimento para chamar a atenção do grupo para o Brasil já começou. A ideia é relacionar toda a informação à hastag #BlackSabbathBrazil.
Confiram o vídeo de anúncio exibido hoje:
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Contos Sujos - Roadster - Parte 3

Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes dele estão no post anterior. Se está, manda bala na segunda parte!
Agora foi a vez do motorista pensar naquilo tudo. Um longo período de silêncio se seguiu enquanto o homem acelerava o carro por planícies e descampados. Ele parecia processar aquelas palavras. Parecia ser a primeira vez que havia escutado algo tão certo em relação a vida.
Do lado de fora, as nuvens ficavam mais feias. O sol já não brilhava e o tempo estava cada vez mais escuro e pesado. Os primeiros pingos riscaram o vidro da frente do carro. Eram pequenos. Aquilo parecia ser apenas uma amostra do que ainda estava por vir. Depois que a chuva começou a cair mais forte, o homem que dirigia o carro recomeçou a falar:
-você tem uma boa opinião. Veja, há tanta gente nesse mundo que perde tempo com tanta bobagem que eu não entendo... perdem tempo em computadores, trocando palavrinhas, mantendo um tesão reprimido enquanto a vida esta aí... correndo aí fora pelos campos, o cheiro de chuva, essa porra toda que conecta o mundo, saca?
-sei. Eu sei exatamente do que você está falando.
A viagem seguiu. A chuva apertou muito no caminho, mas logo o sol já estava de volta no finzinho da tarde. Neil saltou em uma cidade pequena e caminhou por mais algumas horas. É, a vida era aquilo mesmo.
Contos Sujos - Roadster - Parte 2

Se você não está acompanhando este conto a primeira parte dele está no post anterior. Se está, manda bala na segunda parte!
Neil encostou na porta do carro e colocou o braço para se apoiar na janela. O motorista era um velho barbudo, com uma aparência angelical. Neil iniciou o diálogo:
-para onde vai, amigo?
O velho parou e o observou por alguns instantes. Estava analisando Neil, provavelmente pensando se não estava fazendo uma grande besteira parando o carro ali. Pareceu aprovar o homem que aguardava a resposta do lado de fora e disse:
-vou descer a estrada até onde puder. Não tenho destino, sou um sem destino... se quiser, entre.
-não sou de negar a ajuda dos outros, principalmente vendo que a coisa aqui vai ficar feia. A chuva que vai cair não é brincadeira. Respeito a estrada. Vamos lá...
Neil destrancou a porta e entrou. Jogou sua mochila surrada no banco de trás do carro. Era um modelo Cadillac, muito bem conservado. O estofado era todo em couro branco e a lateral era em um azul platinado que refletia incrivelmente a cor do sol que ainda brilhava entre as nuvens lá fora. Um cheiro bom, de alguma planta tomava conta do carro. Enquanto o motorista se preparava para dar a partida, Neil tentou começar uma conversa:
-meu nome é Neil, qual é o seu amigo?
-meu nome não importa... – disse com um leve sorriso no rosto – vocês caroneiros se esquecem logo depois que saltam do carro o nome daqueles que lhe oferecem ajuda...
Neil sabia que o homem tinha razão. Uma coisa era um roadster eventual, que nem sempre se aventurava na estrada. Outro era um cara como ele, que vivia rodando por todos os lados, com todo tipo de gente. Não havia como guardar o nome de todos.
-sim, você tem razão. É impossível lembrar do nome todos que me ofereceram carona, comida ou abrigo. Estou na estrada há muito tempo. Mas sou grato, e me lembro de cada experiência e por isso sou grato. Mais do que nomes, lembro do que cada um é.
Continua...
domingo, 6 de novembro de 2011
Contos Sujos - Parte 1 - Roadster

Havia cheiro de chuva no ar. Só quem já pegou a estrada e colocou o dedão para o alto esperando por uma carona perdida no meio do nada sabe o que isso. O ar fica abafado, pesado e você sabe que em algum momento a água vem para limpar a terra em um rotual puro, selvagem e claro inspirador. É engraçado como que nas cidades as pessoas buscavam todas as formas de proteção contra aquela água.
Capas, guada-chuvas, pequenas bolhas que impediam que o líquido da vida tocasse seus corpos. Neil não conseguia compreender isso. Já não era um novato nas estradas. Tinha pego caronas de costa a costa. Sabia exatamente que a estrada era generosa com aqueles que a respeitavam, mas era traiçoaeira com aqueles que se julgavam mais fortes. Em cada caminhada ao longo das grandes rodovias, pensava muito. Isso foi um problema no passado, mas agora não, agora ele sabia que tempo era o que ele mais tinha.
Depois de ter saído de Big City, Neil começou a enxergar a porcaria de vida que levava. Não conseguiu acreditar no tempo que passou alimentando as tetas daqueles idiotas. Ficou preso dentro daquele escritório, trabalhando como um burro por conta de alguns trocados que mal davam para curtir um pouco. Fora que Big City é uma cidade cruel.
Como diz a música, naquele lugar não há amor. Só ha ganância, podridão e insetos que tentam sobreviver ao que existe de pior no ser humano. O sol brilhava forte no alto, mas nem aquilo incomodava Neil. Quando levantou o dedão, um velho Cadillac parou. Era um bom sinal.
Continua...
sábado, 5 de novembro de 2011
Imagem Suja - 7 Bilhões

O mundo chegou a 7 bilhões de habitantes. Ao mesmo tempo em que vivemos um período de crescimento acelerado e avanços, presenciamos também a escassez de alimentos e a divisão cada vez maior entre ricos e pobres.Não custa nada lembrar que o planeta tem recursos ainda hoje em grande escala, mas que o ritmo de consumo deverá utilizar boa parte do que ainda resta durante a nossa geração. Não adianta ficar indignado com o imperialismo do riscos, se nós vamos ao shopping e compramos a marca que escraviza.
A mudança parte de cada um, e não é tão fácil quanto se imagina. Temos opções: começar a mudar ou deixar que o planeta nos mostre que esta hora chegou. Estas são fotos do The Boston Big Picture, e mostram crianças que nasceram em diversas parte do planeta no dia em que o mundo mais uma vez chega a uma marca impressionante.












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