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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Conto Sujos - Pavões em bando - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto as primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

O show de horrores continuava rolando. A cerveja e o conhaque subiam na cabeça de Nathan. E parecia pior do que realmente estava. Os exibicionismos contagiavam a platéia que ficava polvorosa. Rodadas de gim eram distribuídas enquanto insultos eram proferidos as famílias e entes próximos.

Como se tudo que estavam vivendo naquele momento não fosse proveniente do trabalho duro de vidas despertiçadas. Parecia que o que tinham não era suficiente. Mas tinham bebidas, cigarros, viagens, luxo e o principal: tranquilidade. Aquilo na entrava na cabeça de Nathan como um soco na cara quando se baixa a guarda. Pensou em meio a goles e goles:

-De que merda de vida estavam falando? Reclamam quando tem tudo em mãos... como conseguem juntar tanta bosta, e ainda se acharem orgulhosos disso? Da onde essa gente vem?

Claro. O referencial de Nathan era diferente. Nunca tinha tido nada. E aquilo era muito. Muito que foi conseguido com muito couro gasto. Enquanto servia-se, Nick sentou-se e parou com aquela conversa. Foi então que Nathan levantou cambaleante, e foi em direção a roda.

Caminhou com dificuldade. Estava alcoolizado. E sabia como niguém ser desagrável quando estava bêbado. Os ouvintes perceberam que ele iria tomar a palavra. Alguns levantaram tomando rumo para a parte externa da casa. Nathan levantou o braço, colocando a dose de conhaque no alto, falou berrando:

-fiquem onde estão – cambaleou dando a impressão que iria cair – agora sou eu quem vai falar, já escutei merda de mais por hoje...

Butt levantou-se, querendo roubar a cena, fazendo estardalhaço, apontando o dedo para Nathan e dizendo:

-Você não...

Não houve tempo para que terminasse a frase. Nathan desferiu um soco tão potente no rosto de Butt, que seu corpo caiu sobre as outras pessoas que estavam na roda. Todos olharam assustados. Nathan tinha uma boa direita. Enquanto alguns prestavam algum socorro, gritou para que todos escutassem:

-isso é o que a vida faz. Esse aí levanta amanhã. E talvez, levante melhor. E vocês, tratem de cuidarem destas bocas. Tem muita merda saindo daí de dentro.

Nathan pegou uma garrafa de conhaque e saiu sem que os outros percebessem. Butt acordou no hospital, 5 dias depois, sem saber o que havia acontecido.

Para todos os outros, foi impossível esquecer aquela noite.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Contos Sujos - Pavões em Bando - parte 1


Era muita gente. Na sala, alguns violões e bebidas para todos os lados, som, jazz, e mais inúmeras vozes que se misturavam. Os alunos da Universidade de Big City faziam sempre o mesmo ritual no início das aulas. Um fim de semana fora da cidade, em uma casa que ficou conhecida como “maternidade”.

Era o batismo dos novatos. Rolava realmente de tudo naquilo. Gente que bebeu até se cagar todo, sexo grupal, orgias, drogas e tudo que cabeças juvenis, perversas e cheias de álcool se permitem pensar.

Para Nathan, aquilo era uma merda. Pavões ficavam de um lado para outro mostrando os rabos ornamentados, tentando faturar uma foda. Era um show de exibicionismo que dava ânsia. Apesar de não agüentar mais aquilo, tinha que ir. Os faltantes sofriam tantas penas, que seria duro demais aguentar aquela gente torrando o resto do semestre inteiro.

Resolveu beber durante todo o tempo, sem parar. Sabia que fazendo aquilo se tornaria tão desagradável que ninguém se aproximaria . Ficaria em paz e longe daquela gente.

Sentou-se ao lado de um dos freezers da sala, e concentrou-se em beber o máximo possível e ver o movimento das pessoas pela ampla sala do casarão. Ali era o palco ideal para a apresentação dos pavões. Não demorou muito para que o show começar.
Uma rodinha se formou. No meio daquilo, Butt, um dos organizadores do evento exporrava suas glórias para os ouvintes:

- já fui a muitos lugares... Veneza, Milão, fui até a Índia.... minha família tem muita grana, torro o dinheiro todo do meu pai, aquele babaca... ele nunca soube dar valor ao filho que tem...

Todos concordavam com o falante e olhavam com olhar de comoção. Nathan olhou aquilo, e deu uma golada na cerveja. Desceu terrivelmente mal. Procurou outra bebida para acompanhar. Encontrou conhaque. De péssima qualidade. Serviu-se, tomou um duplo e pensou:

-que merda.

Continua...

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