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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Contos Sujos - Vingança - Parte 2


Para quem não acompanhou a primeira parte deste conto está logo aqui em baixo. Para você que está acompanhando, manda bala na segunda!

Tod caminhou até a sala e se sentou. Era praticamente impossível encontrar algum lugar naquele apartamento que estivesse limpo. Retirou algumas garrafas vazias, mas ainda sim não se sentia confortável. Além da sujeira, um cheiro forte de fezes agora tomava conta do ambiente:

-Loyd, você desistiu de ir ao banheiro?
-sim, é perda de tempo...
-perda de tempo? Esse apartamento tá fedendo a merda. Tudo aqui tem com cheiro de merda
-o que importa? - Loyd disse realmente não se importando com aquilo
-pelo amor de deus Loyd, você ainda tá vivo cara. Se você ficar se cagando todo vai piorar essa porcaria que você tem que ninguém sabe o que é!
-Tod, se você veio aqui ficar falando como se fosse uma puta na chuva levanta esse rabo e vai embora daqui. Me dê meu conhaque, meus remédios e não me encha o saco.
-eu não trouxe nada disso hoje... - agora foi a vez de Tod se fazer de desentendido
-como assim seu filho da puta? eu me cagando todo esperando meu remédio... e meu conhaque e você me aparece sem eles? - Loyd estava completamente alterado agora
-calma aí. Eu tenho outra coisa comigo hoje.

Tod tirou um embrulho de dentro de um pacote. Era pesado. Quando colocou o objeto em cima da mesa, uma barulho metálico se espalhou pelo ambiente. Loyd sabia o que era aquilo:

-seu filho da puta, você veio me matar?

Continua...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Conto Sujos - Pavões em bando - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto as primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

O show de horrores continuava rolando. A cerveja e o conhaque subiam na cabeça de Nathan. E parecia pior do que realmente estava. Os exibicionismos contagiavam a platéia que ficava polvorosa. Rodadas de gim eram distribuídas enquanto insultos eram proferidos as famílias e entes próximos.

Como se tudo que estavam vivendo naquele momento não fosse proveniente do trabalho duro de vidas despertiçadas. Parecia que o que tinham não era suficiente. Mas tinham bebidas, cigarros, viagens, luxo e o principal: tranquilidade. Aquilo na entrava na cabeça de Nathan como um soco na cara quando se baixa a guarda. Pensou em meio a goles e goles:

-De que merda de vida estavam falando? Reclamam quando tem tudo em mãos... como conseguem juntar tanta bosta, e ainda se acharem orgulhosos disso? Da onde essa gente vem?

Claro. O referencial de Nathan era diferente. Nunca tinha tido nada. E aquilo era muito. Muito que foi conseguido com muito couro gasto. Enquanto servia-se, Nick sentou-se e parou com aquela conversa. Foi então que Nathan levantou cambaleante, e foi em direção a roda.

Caminhou com dificuldade. Estava alcoolizado. E sabia como niguém ser desagrável quando estava bêbado. Os ouvintes perceberam que ele iria tomar a palavra. Alguns levantaram tomando rumo para a parte externa da casa. Nathan levantou o braço, colocando a dose de conhaque no alto, falou berrando:

-fiquem onde estão – cambaleou dando a impressão que iria cair – agora sou eu quem vai falar, já escutei merda de mais por hoje...

Butt levantou-se, querendo roubar a cena, fazendo estardalhaço, apontando o dedo para Nathan e dizendo:

-Você não...

Não houve tempo para que terminasse a frase. Nathan desferiu um soco tão potente no rosto de Butt, que seu corpo caiu sobre as outras pessoas que estavam na roda. Todos olharam assustados. Nathan tinha uma boa direita. Enquanto alguns prestavam algum socorro, gritou para que todos escutassem:

-isso é o que a vida faz. Esse aí levanta amanhã. E talvez, levante melhor. E vocês, tratem de cuidarem destas bocas. Tem muita merda saindo daí de dentro.

Nathan pegou uma garrafa de conhaque e saiu sem que os outros percebessem. Butt acordou no hospital, 5 dias depois, sem saber o que havia acontecido.

Para todos os outros, foi impossível esquecer aquela noite.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conto Sujos - Catarro - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

Um movimento estranho parecia acontecer na cidade. Enquanto Malcomn descia tragando seu cigarro, mais e mais pessoas caminhavam na mesma direção. Aquilo chamou a atenção. Seguiu o fluxo. Em algum lugar não tão distante, um som de multidão se espalhava.

Outro som também era possível de ser percebido. Alguém parecia gritar palavras de ordem. Porém, ainda estava abafado e não era possível decifrar a voz antes de se aproximar do local. A caminhada seguiu, e cada vez mais pessoas seguiam junto à Malcomn.

Enquanto andava, o catarro brotava em sua garganta. As vezes parecia que sua garganta iria ficar bloqueada, tamanha era a consistência do líquido.

O som foi ficando cada vez mais claro. Alguém estava discursando de forma inflamada. Frases emblemáticas: “tudo para todos!”, “faremos o futuro”, não há por que mudar!”.
A raiva tomou conta de Malcomn.

Era propaganda de partido, um comício. O atual prefeito discursava como um herói, enquanto o povo aplaudia inflamado. Foi preciso cruzar apenas mais uma rua para ver a cena deplorável.

Milhares de pessoas disputavam cada espaço. Enquanto o homem discursava em cima do palco, assessores jogavam brindes ao povo. Em meio aos brindes, notas de dinheiro distribuídas à multidão.

Malcomn olhou aquilo com nojo. Mais uma vez a cidade estava sendo enganada pelas promessas daquela gente. Quantos ali estavam comprometendo o futuro por causa daquela gente em cima do palco? E a troco de algumas migalhas? No mesmo momento, mais uma bola de catarro foi expelida com força no chão.

O barulho chamou a atenção dos que estavam perto. Ou melhor, a cara de Malcomn, furioso com a cena,transformado em um bicho tomado pela raiva, assustou quem estava perto.

Aquilo era muito. Enquanto ele estava ali, fadado a estar preso naquela realidade medíocre, os parasitas sugavam-lhe cada gota de sangue. Tinha que fazer algo.

Continua...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Contos Sujos - Catarro - Parte 1


A cidade estava abafada. O ar cada vez mais seco em Big City. A poeira formava uma nuvem que deixava tudo opaco. O fim do dia chegava com o sol vermelho caindo em meio aos prédios e do centro de negócios da metrópole.

Chegava a ser bonito, as vezes melancólico, mas todos tinham plena consciência do quão falsa era aquela visão. A cidade estava suja. Não só pela poeira e pelo lixo. Estava poluída de gente. De sentimentos e coisas ruins.

Assaltos, ganância, dinheiro, ambição, prostituição. Tudo de mais podre escorria como sangue, porém fétido e contaminado. Pior. A sujeira aumentava com as propagandas dos mesmos corruptos que comandavam aquele lixo. Faltava menos de um mês para as prévias, e Alex Halfen, o atual prefeito, seguia líder absoluto nas pesquisas. Era óbvio que os jornais estavam comprados.

A esta altura, quase com a noite caindo pela cidade, Malcomn subia pela principal da cidade. Sua garganta estava irritada com o ar e a falta de umidade. A cada 100 passos que dava, expelia catarro em meio à saliva pelas calçadas da cidade. O cigarro, sempre queimando em uma das mãos só piorava a situação.

Enquanto caminhava olhava para a cidade emporcalhada por propaganda política. Olhando para aquilo, Malcomn se lembrava de quando era jovem, e fazia parte da guerrilha urbana. Sabotavam políticos, assustavam poderosos, espalhavam dossiês. Até a polícia respeitava o grupo.

Agora, hoje, aquela merda de juventude estava perdida. Enquanto meia dúzia sugava o sangue de toda a cidade, o restante se esbaldava como porcos na lama com o pão e circo da politicagem. Qualquer coisa servia para aquela gente se sentir. Cada um só pensava em si. Big City tinha se transformado no quintal dos poderosos.

domingo, 25 de outubro de 2009

Sujos Factual - Teoria de Melhoramento da Merda



Vamos combinar o seguinte: se você não curte escatologia, pare de ler aqui. Se você não tem problema algum com isso, continue e se delicie.

Imagine todas as situações em que você é forçado a produzir algo que você não concorda, ou que tenha a mínima percepção que não vai dar certo. Trabalho, escola ou faculdade. E quando está pronto, você olha o produto e diz para si: "mas que bela bosta". E depois da cagada, os mentores que orientaram o processo de confecção ainda lhe propõe diversas alternativas para melhorar o dito cujo.

Aumente os tons de azul e verde. Embrulhe com papel celofane rosa. Pinte de verde limão. Escreva sobre Adorno, relacionando com o texto do Boninho que saiu esta semana. Procure alguma reportagem da Ana Maria Braga falando sobre como cozinhar um leitão havaiano, ou formate tudo em times 12, e imprima em papel vegetal sabor estrombelhete. E no fim de tudo isso você pensa. " Cara, isso ainda tá uma merda."

Agora um exercício de abstração. Não tente limitar sua criatividade, ok? Pense em uma trança de merda. Um peloto de bosta. Agora coloque um laçinho, desses de presente de natal. Embrulhe em um papel bonito. Coloque um cartão, e diga para todos os seus amigos que foi caríssimo.

Oresumo é o seguinte meu chapinha. Faça o cacete a quatro, mas continuará sendo merda. E todos os dias assinamos nosso nome em um monte de coisas desse naipe.

Um abraço e amanhã tem mais.

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