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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Contos Sujos - Pavões em Bando - parte 1


Era muita gente. Na sala, alguns violões e bebidas para todos os lados, som, jazz, e mais inúmeras vozes que se misturavam. Os alunos da Universidade de Big City faziam sempre o mesmo ritual no início das aulas. Um fim de semana fora da cidade, em uma casa que ficou conhecida como “maternidade”.

Era o batismo dos novatos. Rolava realmente de tudo naquilo. Gente que bebeu até se cagar todo, sexo grupal, orgias, drogas e tudo que cabeças juvenis, perversas e cheias de álcool se permitem pensar.

Para Nathan, aquilo era uma merda. Pavões ficavam de um lado para outro mostrando os rabos ornamentados, tentando faturar uma foda. Era um show de exibicionismo que dava ânsia. Apesar de não agüentar mais aquilo, tinha que ir. Os faltantes sofriam tantas penas, que seria duro demais aguentar aquela gente torrando o resto do semestre inteiro.

Resolveu beber durante todo o tempo, sem parar. Sabia que fazendo aquilo se tornaria tão desagradável que ninguém se aproximaria . Ficaria em paz e longe daquela gente.

Sentou-se ao lado de um dos freezers da sala, e concentrou-se em beber o máximo possível e ver o movimento das pessoas pela ampla sala do casarão. Ali era o palco ideal para a apresentação dos pavões. Não demorou muito para que o show começar.
Uma rodinha se formou. No meio daquilo, Butt, um dos organizadores do evento exporrava suas glórias para os ouvintes:

- já fui a muitos lugares... Veneza, Milão, fui até a Índia.... minha família tem muita grana, torro o dinheiro todo do meu pai, aquele babaca... ele nunca soube dar valor ao filho que tem...

Todos concordavam com o falante e olhavam com olhar de comoção. Nathan olhou aquilo, e deu uma golada na cerveja. Desceu terrivelmente mal. Procurou outra bebida para acompanhar. Encontrou conhaque. De péssima qualidade. Serviu-se, tomou um duplo e pensou:

-que merda.

Continua...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Contos Sujos-Livros e mais livros-Parte 3


Se você não está acompanhando, as outras duas partes deste conto estão aqui em baixo. Se está, manda bala na terceira!

Sua caminhada foi rápida. Logo já estava no café, que ficava posicionado do lado de fora da livraria, em uma espécie de varanda. Atravessou a porta que dividia os dois ambientes e correu o olhar em buscar da mulher que havia visto a cena. Estava a esquerda, posicionada em uma mesa no fundo do local, tragando delicadamente um cigarro de filtro vermelho.

Procurou em seus bolsos e não encontrou nenhum cigarro. Achou um último em seu maço. Sentia-se excitado. Algo remexeu em suas calças e nem preocupou-se em disfarçar. Foi em direção a loira e perguntou:

-teria fogo para me emprestar, neném?

A loira olhou e respondeu quase que sem expressão:

-claro.

Renê acendeu o cigarro. Deu uma longa tragada e começou a falar, pouco confiante:

-aquilo que você viu lá dentro...sabe... não é... – enquanto dizia coçava a cabeça e suava – não é o que estava paracendo ser...

A loira o interrompeu:

-aquilo que eu vi lá dentro é algo típico de um sujeito escroto, típico de um tarado punheteiro que deveria estar preso com outros vinte caras, numa cela três por quatro, todos loucos para que ele se tornasse a Alice do lugar.

Renê apagou o cigarro enquanto ela falava. Apressou o passo e deixou a livraria. Comprou uma cerveja, mas não levou o livro de história para casa.

domingo, 18 de outubro de 2009

Contos sujos-O relógio-parte 3

Se você não está acompanhando o conto, as outras duas partes estão aqui em baixo. Se está, manda bala na última.

Marc continuava simulando uma raiva profunda.

-Apenas fiz um convite. Mas aposto que você está acostumada com este bando de trouxas que dizem 10 palavras imbecis a cada 11 que cospem. Não está acostumada a alguém te tratando de forma decente. E quando alguém tenta, você se afasta.
A mulher olhou desconcertada para Marc.

Parecia que havia sido desarmada. Mas ele não deu chances:

-Desse jeito vai ficar aqui mesmo, nessa merda. Vou seguir seu conselho. Vou embora desse lugar. Meu ônibus passa daqui a pouco.

Marc levantou-se apressadamente e caminhou para fora do bar. A chuva ainda caía forte, e ainda tinha pouco menos de dois minutos antes da condução passar. Porém, antes que o ônibus apontasse pela rua, um carro parou apressado. Era a morena do bar em um possante negro turbinado:

-Ei, você não vai precisar pegar ônibus hoje.

Marc não dormiu em casa aquele dia. E seu ônibus se atrasou em 4 minutos e 15 segundos.

Amanhã te sujo factual. Não percam galera.

sábado, 17 de outubro de 2009

Contos sujos-O relógio-parte 2

Se você não leu a primeira parte, ela está aqui em baixo. Se leu, manda bala na segunda.

Não poderia pensar muito, pois o tempo estava contado. Caminhou com passos acelerados até o fim do bar. Haviam se passado algunssegundo preciosos. Enquanto caminhava colocou seu relógio para despertar 60 segundos antes da passagem do seu ônibus o que lhe dava exatos6 minutos de conversa com a mulher. Chegou ao balcão secundário onde a mulher estava sentadatomando seu gim tônica. Não fez firula. Começou a falar:

-não pude deixar de notar você aqui. O que me espanta é uma dama como você frequentar uma espelunca como essa. Se quiser podemos ir para outro lugar, onde possamos conversar melhor, e tomar alguma coisa decente.

A mulher apenas olhou para Marc, e continuou bebendo seu drink.

-Não quero parecer rude, de forma alguma, mas é que gostaria que você respondesse.

A mulher olhou novamente para Marc, agora com uma expressão de desprezo e respondeu lentamente:

-eu não iria com você a lugar nenhum. E se não está satisfeito aqui, vá embora.

A acidez da resposta era o que Marc queria escutar. Agora ele estava apto a fakar o quebem entendesse. Ele ainda tinha 4 minutos e 35 segundos.

-aposto que se eu ficasse aqui fazendo cena a noite inteira pra você, fazendo caras, e dissimulando com uma bebida vagabunda, seu rabo terminaria na minha cama. Mas esse é exatamente o tipo de coisa que eu não estou disposto a fazer.
A mulher respondeu com o mesmo tom de irritação:

-Ei, quem você ta achando que é? Acha mesmo que vai chegar aqui, e em cinco minutos vai comer quem você quiser? Vai se fuder seu canalha.

-não são 5 minutos. Faço em 4 minutos e 2 segundos.

continua...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Contos sujos-O relógio-parte 1

A chuva caía forte, mas o calor ainda era intenso. Na cidade, as sete da noite de um dia de verão, o tempo é caótico. Por isso, Marc Benoaux estava impaciente no ponto de ônibus. Conhecido como “o francês”, Marc havia acabado de sair do escritório no centro. Estava suando, mas em 10 minutos seu ônibus passaria em direção ao subúrbio. Havia tempo para uma cerveja.

Atravessou a rua e encontrou um bar aberto. Eram quase 10 da noite. O serviço no escritório aumentara, e a cada dia ele saía mais tarde. Já não aguentava mais aquilo. A cerveja seria apenas a mais justa das recompensas.
Quando cruzou a porta, Marc rapidamente foi em direção ao balcão principal. Sua aparência distinta dos demais frequentadores do bar chamou a atençãode todos. Marc se dirigiu ao atendente.

-boa noite. Quero uma cerveja preta. Estou com pressa. Então já vou acertar de uma vez.

-ok. Vou pegar sua cerveja.

Dois minutos haviam se passado entre o primeiro gole e o pagamento da birita, Depois que terminou a primeira golada. Marc examinou o bar. Ao fundo, uma morena vistosa conversava com o garçom. O vestido vermelho colante e curto revelava fartas coxas. O cabelo escorria pelo busto de forma suave, dando ainda mais forma,chegando ao decote que deixava a mostra o colo, com seios perfeitamente torneados.

A frieza com que suas curvas pareciam ter sido feitas era assustadora. E ao mesmo tempo espetacular. Marc examinou seu relógio. Tinha exatamente 6 minutos e 47 segundos para conversar com aquela mulher e não parecer ser o mais perfeitos dos pilantras.

Continua...

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