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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Contos Sujos-Livros e mais livros-Parte 3


Se você não está acompanhando, as outras duas partes deste conto estão aqui em baixo. Se está, manda bala na terceira!

Sua caminhada foi rápida. Logo já estava no café, que ficava posicionado do lado de fora da livraria, em uma espécie de varanda. Atravessou a porta que dividia os dois ambientes e correu o olhar em buscar da mulher que havia visto a cena. Estava a esquerda, posicionada em uma mesa no fundo do local, tragando delicadamente um cigarro de filtro vermelho.

Procurou em seus bolsos e não encontrou nenhum cigarro. Achou um último em seu maço. Sentia-se excitado. Algo remexeu em suas calças e nem preocupou-se em disfarçar. Foi em direção a loira e perguntou:

-teria fogo para me emprestar, neném?

A loira olhou e respondeu quase que sem expressão:

-claro.

Renê acendeu o cigarro. Deu uma longa tragada e começou a falar, pouco confiante:

-aquilo que você viu lá dentro...sabe... não é... – enquanto dizia coçava a cabeça e suava – não é o que estava paracendo ser...

A loira o interrompeu:

-aquilo que eu vi lá dentro é algo típico de um sujeito escroto, típico de um tarado punheteiro que deveria estar preso com outros vinte caras, numa cela três por quatro, todos loucos para que ele se tornasse a Alice do lugar.

Renê apagou o cigarro enquanto ela falava. Apressou o passo e deixou a livraria. Comprou uma cerveja, mas não levou o livro de história para casa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Contos Sujos-Livros e mais livros-Parte 1


A direita da biblioteca, a atendente se esforçava para organizar as altas pilhas de edições especiais de vários títulos educacionais. Ela empilhava Geografia, história mundial, Física, Química, Artes e mais Geografia. Tudo em várias e grandes colunas. Quando renê Capota entrou na livraria, percebeu o esforço que era empreendido pela garota para arranjar tudo aquilo.

Porém, mais do que os excitantes livros educacionais, era a altura que a garota estava suspensa do chão que lhe chamou a atenção. Com pouco mais de um metro e oitenta, e apoiada sobre o último degrau da escada de alumínio, o interior de sua saia estava à mostra. E Capota percebeu isso. Pensou rápido em como abordá-la, e não teve dúvidas.

A garota organizava os livros não por temas, e sim por cores. Ao perceber o que a jovem morena fazia, Capota apressou-se, caminhando em direção as gôndolas. Chegando até o local onde a garota trabalhava, disparou:

-interessante seu jeito de organizar tudo.... assim você vai encontrar tudo fácil, não é neném?

A garota virou-se e respondeu, orgulhosa com a observação feita pelo homem.

-claro! Aqui estão os azuis, ali do outro lado os verdes e aqui em cima os vermelhos.

Renê coçou queixo, enquanto pensava na resposta:

-sei... é claro...

continua...

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