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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sujos Factual-Oportunidade de ficar quieto


Esta semana o apresentador Boris Casoy, que comanda um grande telejornal da TV brasileira, manifestou em um comentário desrespeitoso, sua opinião sobre determinada classe de trabalhadores brasileiros. Não seremos nós, dos Sujos, os juízes dessa peleja. A opinião pública já se encarrega disso. O que queremos discutir é o que foi dito.

Boris ridicularizou o desejo de feliz natal de dois trabalhadores, por serem garis. Pensamento que não está na cabeça apenas do apresentador. Ele se manifesta como uma praga que se alastra na “nova elite média” do país. O que se vê é que trabalho é coisa de pobre, principalmente se for manual. Herança de nossa história de povo colonizado, que valoriza apenas o que é feito com a “cabeça”.



Confira o vídeo da declaração do apresentador neste link:
http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js

Os grandes meios de comunicação, alguns ainda desfrutando da soberania vinda dos tempos ditatoriais embasam a tese, apoiados em estruturas que retratam um cotidiano fantasioso, babaca e repetitivo. Como já dito aqui, a fórmula do Leblon Life Style que insiste em se apresentar como imagem e forma do brasileiro.

A geração giga-suco e giga-burguer do programa juvenil do fim de tarde, que frequenta o cursinho pré-vestibular, mas quer mesmo é atrapalhar o romance do coleguinha ou curtir uma festinha regada a música de qualidade duvidosa. Os programas dominicais que colocam bunda e sofrimento num paralelo impossível.

O pensamento de Boris é o mesmo dos que querem a manutenção de tudo como está. Dos que reclamam que o país não vai pra frente, mas não movem palhas para que as coisas mudem, e na hora do voto colocam os carrascos de novo no poder. São jornalistas, advogados, médicos, engenheiros. A tal elite cultural. Eles estão aí, e é por isso que prefiro ter um inimigo declarado como Boris.

Marc Balender

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Contos Sujos - Convites - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última!

Não tardou para que os primeiros fogos chegassem ao céu. Depois de pouco tempo, um barulho ensurdecedor tomou conta do local, anunciando a zero hora.
Pensou em quanto aquele ano havia sido bom para os negócios, levantou o copo e fez um brinde a si mesmo, combinando com um forte berro.

Antes que terminasse o brinde, um lenço foi colocado em seu nariz com agressividade. Uma mão travou-lhe os movimentos. Outra parecia sufocar sua garganta. Seu raciocínio ficou lento. Não teve tempo de olhar para trás. Enquanto desmaiava, o copo de whisky se quebrava no chão, espalhando a bebida.

Acordou com a cabeça doendo. Não tinha noção de quanto tempo havia se passado. Dores por todo o corpo lhe aflingiam. Um de seus olhos estava inchado e praticamente não se abria. Sentia frio. Muito frio, parecia estar dentro de uma câmara frigorífica.
Quando conseguiu abrir um de seus olhos, viu uma mensagem escrita com algo que parecia ser sangue, na parede do local.

“Feliz ano novo. Esse tentar me passar a perna novamente, não será só frio que você irá sentir. Assinado Jhon Baker”

Cat descobriu da pior forma possível quem havia lhe convidado para a festa. Tomou uma decisão: nunca mais vestir um smoking em sua vida.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Contos Sujos - Convites - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está manda bala na segunda!

Nunca havia colocado um smoking na vida. Por isso não economizou. Comprou um com corte especial. Vestiu-se e tomou um taxi para a festa. Do seu apartamento no centro, até a mansão, demoraria pouco mais de 30 minutos. Enquanto o carro atravessava Big City, manuseava o convite em suas mãos, ainda duvidoso da proposta:

-por que fui convidado para esta festa?

Quando o carro cruzou o portão da mansão, teve a noção exata do tamanho da casa. Era enorme. Quadras de tênis, piscinas e tudo que o dinheiro poderia comprar. Um grande pista de dança estava montada na áreaa externa. Por um momento, esqueceu-se do que lhe atormentava.

Ocarro parou. Desceu logo em frente ao portal principal. Vários seguranças recebiam os convidados e recolhiam os convites. Cat entregou o seu, e se dirigiu ao interior da casa.

Estava cheia. Muitos bebiam champagne fino. Outros se posicionavam nas mesas de jogos. Faltavam menos de 10 minutos para que um novo ano chegasse. Tentou se posicionar em algum lugar tranquilo, para poder ver os fogos. Com uma rápida olhada, viu uma varanda no fundo do salão, em que ainda não havia ninguém. Pegou seu copo e se dirigiu para lá.

Continua...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Cultura Suja - O Jogo dos 7 Erros


Estamos perto do Natal e do Ano Novo. Todos reunidos em nome de Jesus. Todos ansiosos para ver o presente que vamos ganhar e os parentes que moram longe. É uma data perfeita para agradar crianças e animais domésticos. O objetivo desta matéria, e arrisco dizer, de todo o blog, é desmascarar o fim de ano. Para isso nós insistimos em apontar os “furos” presentes nessa festividade. Corrijam-me se eu estiver errado.

1)Amnésia inconsciente. Nessas datas todos somos amigos. É tempo de esquecer antigas mágoas, até que o próximo ano se inicie. No dia 2 de janeiro de 2010 estaremos fazendo fofocas e intrigas, além é claro do pouco caso a respeito dos presentes ganhos.

2)Felicidade comprada. Quem tem o Natal mais feliz é aquele que ganha o melhor presente. Quanto a isso, não se preocupe. Afinal, aquela sua tia rica, de quem você esperava muita consideração, mandou a secretária comprar um presente bem barato e ainda escreveu seu nome errado no cartão de “Feliz Natal”.

3)Igreja lotada. A igreja mais próxima de sua casa estará lotada na véspera de Natal. Sinal de que alguns se lembram de que Natal não é só comércio. Pena que logo apenas os beatos freqüentarão o espaço.


4)Simpatia e camaradagem. Nunca foi tão fácil fazer novas amizades. Do pedreiro ao playboy, todos formarão um círculo de calor humano intenso. Aproveite, pois daqui a alguns dias você não será mais tão popular.

5)O inimigo não mora mais ao lado. Seu vizinho não está mais com raiva de você, porém deve estar se gabando pelo fato de a casa dele estar mais bem decorada.

6)Ano novo, vida nova. Por um momento chegamos a acreditar que a virada do ano significa crescimento pessoal. Não creio que isso seja verdade, afinal o ano já começa com embriaguez. Eu posso até perder vícios, mas não vou adquirir virtudes.

7)O sétimo furo ficará por conta do leitor. Apontem o que eu esqueci de dizer. E, a propósito, um bom Natal e Ano Novo pra vocês. Aproveitem a festa sem se deixar contaminar pelo ambiente dissimulado ao redor. Até o Carnaval.

Lilly Rose

sábado, 26 de dezembro de 2009

Imagem Suja-Logo Sanders


Para você que nuca foi ao Sanders, esta é a logo do bar.



Amanhã tem mais.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Sujos Factual-O preço do natal


A principal pauta do fim de semana na mídia é conhecida: a corrida desenfreada pelo consumo natalino. Todos os anos as vendas crescem 15% ou um pouco mais. Empregos temporários são criados “ao deus dará”. São frutas cristalizadas, bonecas da Barbie encalhadas, DVDs da Xuxa remasterizados e todo tipo de panetone, comercializados em quantidades surreais. Quem fica fora da festa, está no mínimo ferrado.

E sim, os shopping centers lotados. Agora fica a pergunta: você olha para a vitrine, e vê uma camisa custando pouco mais de R$ 400,00. E junto você ainda leva um conjuntinho camiseta/casaquinho pela bagatela de R$ 100,00. Quais os atributos que levam a crer que seu “look 2010” custa realmente o que você está pagando?

Natal é época de pose social. Faz parte mostrar que se pode. E que natal pode ser melhor qunado se tem uma etiqueta para demonstrar status?Ou um presente posudo? Mais do que o valor do produto, o que se compra é poder. E se está na vitrine, pode crer que há alguém que se dispõe a efetuar tal operação monetária/moral.

Sobre os valores que são celebrados nesta época, também há o que se dizer. Paz, felicidades, conquistas normalmente são compartilhados com nossos amigos ocultos. Com um investimento muito menor (variando entre R$10,00 e R$ 20,00) garantimos o “agrado”, e votos de um futuro glorioso.

É claro, renovar as esperanças é sempre válido. Mas renovar as idéias também vale muito a penam. E isso não tem preço, nem etiqueta de grife.

Marc Balender

Contos Sujos - AVelho Safado - Parte 3


Se você não acompanhou as duas primeiras partes deste conto, elas estão logo aqui em baixo. Se acompanhou, manda bala na última!

Enquanto caminhava em direção ao fundo do bar, o velho papai noel observava Suzan. Seu olhar não tinha nada de paterno ou de angelical. Ia de cima para baixo, como um raio x, tentando enxergar cada curva do corpo da mulher. Suzan sentiu-se incomodada, pois percebeu que Mass poderia estar certo. Tentou manter a postura. Chegou até a mesa, e serviu o drink.

-seu drink senhor.

O papai noel, olhou de cima em baixo novamente. O top apertava os seios, que pareciam querer saltar para fora do decote. O velho olhou sem qualquer tipo de pudor. Deu um grande gole no copo, e antes que Suzan se virasse para ir embora, iniciou o diálogo:

-minha jovem, um velho como eu fica muito sozinho neste dia...

Suzan olhou para o sujeito constrangida. Tentou disfarçar:

-imagino... o senhor deve ter trabalhado demais hoje. Deve estar cansado, talvez seja melhor ir para casa dormir.

Com outro gole, o papai noel terminou o drink. Enquanto limpava parte do líquido que escorria pela boca, segurou o braço de Suzan, mantendo o diálogo:

-não quero dormir minha filha. Gostaria de companhia para terminar minha noite de natal – enquanto falava, enfiava uma de suas mãos dentro da calça. Suzan olhou para trás, e não viu Mass. Olhou para o rosto do velho, envergonhada:

-por favor, não faça isso. Olhe para a placa em cima do balcão. Não tente comprar meu tempo.

O papai noel mudou o tom de voz, carregando sua fala com rancor e grosseria:

-olha só sua puta, eu tenho o dinheiro que você...

A frase foi interrompida por um grito agudo e rápido. Billy boy, o taco de beiseball já havia acertado a cabeça do velho, que caiu desmaiado no chão. Todos olharam a cena. Suzan, olhou assustada para Mass. Ele a olhou de volta. A frase que saiu de sua boca fui curta e grossa:

-ele sabia das regras. E eu também nunca acreditei em papai noel.

Mass arrastou o velho até o lado de fora. Sua cara agora estava exposta do lado de fora do bar. Billy Boy nunca esperaria ganhar um presente de natal tão bom.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Contos Sujos - Velho Safado - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto natalino, manda bala na primeira parte que está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

A ceia foi melhor do que Suzan esperava.Realmente havia muita fartura. Naturalmente, todos trocaram desejos e votos natalinos. Risos e abraços fizeram que a noite tivesse um gosto menos amargo. Pelo menos era o que parecia. Pouco depois da meia noite, todos já estavam no salão, inciando o expediente.

Uma pequena aglomeração já se posicionava no lado de fora do bar, esperando a porta ser aberta. Quando a porta se abriu, uma onda invadiu o Sanders de uma só vez. Todos ali só queriam ter algo no natal, mesmo que fosse um copo de gim tônica de qualidade questionável.

Todas as garotas vestiam trajes natalinos, o que as deixavam ainda mais sexy. Porém, ninguém era louco de infringir a principal regra do Sanders. Não tentar comprar o tempo das meninas. A pena, também exposta no bar, era levar uma sova do taco de beiseball de Big Mass. Porém, quando o relógio já marcava uma da manhã, uma figura inusitada entrou pela porta do Sanders.

Andando lentamente, e com uma bengala, um velho papai noel entrou pelo Sanders. Todos olharam espantados para a figura. O velho tomou rumo de uma mesa no fundo do bar e se acomodou lentamente. O próprio Big Mass fez questão de atendê-lo.

-boa noite, o que o senhor vai querer?

Falando como o próprio noel, o homem disse:

-meu filho, traga um conhaque por favor. Está muito frio, a noite foi de muito trabalho. Preciso me aquecer – falava, enquanto observava as garotas dançando no palco central.

Big Mass foi até o balcão e preparou a bebida. Olhou para Suzan que estava no caixa e disse, quase que sussurrando.

-Isso vai dar merda.
-O quê Mass? O papai noel? Ele só quer tomar uma bebida, qual o problema? – Disse Suzan, enquanto tomava o copo das mãos de Mass – pode deixar que eu mesma vou servi-lo!
Suzan, pegou o drink, e se dirigiu para a mesa onde estava o velho noel.

Continua...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Contos Sujos - Velho Safado - Parte 1


Big City não era uma cidade propriamente bonita. A fuligem e a sujeira que deixavam a cidade cinza durante boa parte do ano, nesta época, davam lugar ao aspecto frio e intimista da neve e das poucas luzes de natal. Não havia o que comemorar, pelo menos para quem ficava na cidade. Ficar “BC” normalmente era encarado como um castigo.

Suzan havia sido premiada. O Sanders iria ter expediente na noite de natal. Um sorteio havia sido feito para decidir quais garotas dançariam. A data particularmente era tida pelas garotas como a pior do ano. Quem ia ao clube normalmente estava sofrendo a mesma pena das dançarinas.

A única vantagem do dia era comer a farta ceia, regada a todo tipo de drink, que Big Mass, e o taco de beiseball Billy Boy serviam. Este, ficava indo e vindo na mão de seu dono, enquando todos comiam sem qualquer tipo de cerimônia.

Não era uma família. Mas pelo menos todos sentiam um pouco de conforto em meio ao caos que a cidade e a vida transformara.

Nesta data, apenas bêbados, bandidos, velhos e todo tipo de gente que não tinha onde ou com quem passar o natal dava as caras no Sanders. Suzan havia sido escalada para trabalhar servindo. Não dançaria esta noite.

Continua...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sujos Factual-10 coisas que você não escapa


Vamos combinar. Se você gosta de fim de ano, natal, tapinha nas costas, é melhor nem ler este o post. Se você dá bolinha para isso tudo e se diverte com a babaquice geral, então manda bala em 10 coisas que você não vai conseguir escapar neste fim de ano:

Amigo oculto corporativo
Você tirou aquele cara que sempre te olha de rabo de olho, e tá doidinho para te passar a rasteira. Nunca foi tão difícil dar um presente entre R$10,00 e R$20,00 na sua vida. Sua vontade era dar um panetone bomba para o sujeito. O presente não agrada. Você fica constrangido.

Festa de fim de ano na empresa

Aquela mina que você sempre procurou evitar, e que te dá mole todos os dias bebeu além da conta, e fica olhando para você de forma insinuante. Seu chefe bebeu demais e acha que é o seu melhor amigo. A cerveja está quente e é de qualidade duvidosa. A entrega dos presentes do amigo oculto só acontece no final da festa. Não há chances de escapar.

Retrospectiva 2009

Você vai tentar ingnorar. Vai tentar fugir. Porém, ela vai te pegar. Se o Michael Jackson morreu. Se o Massa bateu. Se o Rubinho perdeu (de novo). E se o Faustão emagreceu, você vai ter que rever. Chapelin te encontra, onde você estiver.

Especial Roberto Carlos

Rei é rei, não há o que dizer.

Parentes distantes. Intimidade zero.
Família toda junta. Encontro festivo. Todos se abraçam. Porém, a maioria dos seus tios nem conversa com você o ano todo. Você já está trabalhando, e ainda lhe perguntam como foi o vestibular. Constrangimento geral. Entre abraços e sorrisos, você tenta ser gentil, mas não consegue disfarçar a artificialidade.

Maratona de São Silvestre
Esquece. Quem vai ganhar de novo é um keniano.

Cidra Cereser
Tem sempre um engraçadinho que insiste que cidra é ótimo, e aparece com duas ou três garrafas, de sabores sortidos quando o novo ano adentrar. Quando ele ameaçar estourar aquela merda, passe uma rateira nele que está tudo resolvido.

Tapinha nas costas

Lembra do sujeito que disse que seu cabelo parecia uma samambaia? E do cara do estacionamento que ameaçou bater em você se a mensalidade atrasasse? Então, agora você encontra com eles no mercado, comprando a ceia e eles te dão um abraço efusivo e camarada. Está tudo resolvido. Depois vocês até combinam de tomar uma gelada.

Férias
Você queria tirar férias em janeiro (queria do verbo não vai tirar mais). Solzão, praia, cervejinha gelada. Esquece. Mesmo se programando com 2 meses de antescedência, quem vai tirar férias é o seu chefe.

Panetone
Depois de tudo isso, se nem o panetone for bom é sinal que seu fim de ano está perdido.


Marc Balender

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Contos Sujos - Amigão - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas partes estão longo aqui em baixo. Se está acompanhando, manda bala na última parte!

Não havia clima de festa. Todos estavam com cara de enterro. A música não agradava. A bebida estava quente. Os salgados duros e salgados. Mas David insistia em fazer com que o evento fosse um sucesso, falando e falando das suas conquistas e de seus feitos. Alguns o rodeavam, e batiam palminhas a cada história. Outros olhavam desconfiados. E os que não estavam em nenhum dos dois grupos, mantinham uma cara tão amarrada que chegava a assustar.

Entre eles estava Marc, furioso com a situação. Olhando para a cena que se desenrolava no centro da sala, ele tinha náuseas. Por um momento seu olhar se cruzou com o do gordo que havia questionado o porque daquela festa. Tentou ignorar, mas percebeu que o sujeito fazia gestos. Queria levar um lero particular com ele. Marc, apesar de reticente, se dirigiu a cozinha, onde não havia ninguém. O gordo foi atrás, e chegou pouco depois. De costas para o sujeito, tentando achar algo na geladeira que estivesse gelado, escutou o que ele tinha a dizer:

-sei que você não gosta dele - disse o homem.

Marc se fez de desentendido, e respondeu.

-do que você está falando?

O gordo foi duro nas palavras, como se falasse com confiança:

-sei que não gosta do pavão. Já percebi, não precisa disfarçar – Marc já havia se virado e estava de frente para o homem, agora tomando uma cerveja. Ela estava quente. – essa festa não foi idéia sua.

-não foi... e isso com certeza não é uma festa – a resposta de Marc veio rasteira.

O gordo continuou insinuando:

-podemos transformar isso numa festa de verdade. Tenho uma coisa aqui que faz freira virar boneca – enquanto falava, retirou de dentro do bolso da calça um vidro com um líquido escuro – basta uma gotinha, que a coisa esquenta. Vou colocar isso no copo do pavão. Você acha que pode dar merda?

-não consigo imaginar uma merda maior do que essa cerveja quente...

Foi o sinal que o gordo precisava. Da mesma forma que saiu, voltou para a sala. Sem que ninguém reparasse, posicionou-se na frente do copo de David e pingou o líquido, que desceu generosamente pela garganta do dono da casa. Em poucos instantes ele já dançava em cima da mesa, semi-nu, como um gôgo-boy. Sua cueca tinha um alvo na bunda.
Marc viu a cena de longe. Cruzou mais um olhar com o gordo e pensou:

“tenho que arranjar um gato novo com muita urgência"

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