quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Imagem Suja - VMB - Vai esperar o que?


Aqui não vamos fazer julgamento de valor quanto ao vencedor. Se a banda é ruim ou não, o problema é de quem escuta. O fato é que a febre teen do momento foi vaiada ao receber o prêmio da MTV, o VMB, na noite desta quinta-feira. Agora, cara pálida, me diz o que você esperava do VMB?


Já faz algum tempo que a MTV deixou de representar música de qualidade. Aquela cara alternativa no visual dos comerciais, e de quem manda o espectador desligar a TV e ir ler um livro, é a capa de uma organização que é nada mais que... uma empresa. E como é uma empresa, visa lucro meu chapinha.

A MTV está alinhada com as grandes gravadoras e selos. Não só no Brasil. É no mundo. Nada mais conveniente do que premiar quem é líder de vendas e de marketing. E não há como negar, os garotos das calças coloridas são. É uma indústria de óculos, camisetas, calças amarelas e tudo mais.

Trabalho para uma banda e posso dizer. Para entrar na MTV, por baixo, são R$ 10000,00. O clip pode ser a tosqueira que for, mas com essa grana ele entra, toca e vira hit.

Funciona assim mesmo. Esperar outra coisa é bobagem. Se não gostou, dá um Restart nos seus conceitos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Contos Sujos - Catarro - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última!

Malcomn avançou rapidamente pelo meio da multidão. No início foi fácil, havia muito espaço. A medida que se aproximava do palco, ia ficando mais complicado. Sentiu um incômodo grande. Sua garganta parecia estar fechando de súbito. Enquanto caminhava, esbarrava com o cigarro queimando em cada pessoa que estava no seu caminho. Pelo menos cinco ou seis se queimaram.

Chegou perto da escadaria. Estava fraco. Mal conseguia puxar um pouco do ar seco e quente no meio da multidão. Os seguranças observavam cada movimento. Seria preciso um vacilo muito grande para conseguir passar por eles. Mas vacilos acontecem.

Enquanto o prefeito discursava, um de seus assessores começou a jogar sacos pra a multidão cheios de dinheiro. Na verdade era muito mais papel de propaganda política do que propriamente dinheiro. Mas a multidão se exaltou a um ponto que foi impossível conter o tumulto.

O cordão de seguranças se rompeu. Enquanto a multidão lutava pelos pacotes, o caos crescia. Eram animais lutando por comida. Brigas começaram. Uma brecha se abriu.

Os seguranças foram para o meio da multidão. Malcomn se aproveitou e passou pelo cordão, subindo rapidamente a escadaria. Lá em cim, niguém percebeu sua presença. Todos estavam assustados com o que estava acontecendo lá em baixo. Sem que ninguém percebesse, ele se posicionou logo atrás do prefeito. Um cutucão rápido nas costas do homem e o gran finale.

Malcomn sugou todo o catarro preso em sua carganta e expeliu o líquido viscoso no rosto do político. O nojo tomou conta de todos. Aquilo parecia ter vindo da alma dele. Sentiu seu corpo leve. Limpo. Sua respiração melhorou. O homem, empapado, ficou sem reação.

Antes que ele tentasse qualquer coisa, Malcomn jogou seu corpo contra o dele. Os dois ficaram no ar por alguns segundos. Caíram no meio do povo furioso. Malcomn sumiu no meio da multidão sem deixar vestígios. Enquanto isso o povo mostrava sua força "política" contra o prefeito.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conto Sujos - Catarro - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda!

Um movimento estranho parecia acontecer na cidade. Enquanto Malcomn descia tragando seu cigarro, mais e mais pessoas caminhavam na mesma direção. Aquilo chamou a atenção. Seguiu o fluxo. Em algum lugar não tão distante, um som de multidão se espalhava.

Outro som também era possível de ser percebido. Alguém parecia gritar palavras de ordem. Porém, ainda estava abafado e não era possível decifrar a voz antes de se aproximar do local. A caminhada seguiu, e cada vez mais pessoas seguiam junto à Malcomn.

Enquanto andava, o catarro brotava em sua garganta. As vezes parecia que sua garganta iria ficar bloqueada, tamanha era a consistência do líquido.

O som foi ficando cada vez mais claro. Alguém estava discursando de forma inflamada. Frases emblemáticas: “tudo para todos!”, “faremos o futuro”, não há por que mudar!”.
A raiva tomou conta de Malcomn.

Era propaganda de partido, um comício. O atual prefeito discursava como um herói, enquanto o povo aplaudia inflamado. Foi preciso cruzar apenas mais uma rua para ver a cena deplorável.

Milhares de pessoas disputavam cada espaço. Enquanto o homem discursava em cima do palco, assessores jogavam brindes ao povo. Em meio aos brindes, notas de dinheiro distribuídas à multidão.

Malcomn olhou aquilo com nojo. Mais uma vez a cidade estava sendo enganada pelas promessas daquela gente. Quantos ali estavam comprometendo o futuro por causa daquela gente em cima do palco? E a troco de algumas migalhas? No mesmo momento, mais uma bola de catarro foi expelida com força no chão.

O barulho chamou a atenção dos que estavam perto. Ou melhor, a cara de Malcomn, furioso com a cena,transformado em um bicho tomado pela raiva, assustou quem estava perto.

Aquilo era muito. Enquanto ele estava ali, fadado a estar preso naquela realidade medíocre, os parasitas sugavam-lhe cada gota de sangue. Tinha que fazer algo.

Continua...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Contos Sujos - Catarro - Parte 1


A cidade estava abafada. O ar cada vez mais seco em Big City. A poeira formava uma nuvem que deixava tudo opaco. O fim do dia chegava com o sol vermelho caindo em meio aos prédios e do centro de negócios da metrópole.

Chegava a ser bonito, as vezes melancólico, mas todos tinham plena consciência do quão falsa era aquela visão. A cidade estava suja. Não só pela poeira e pelo lixo. Estava poluída de gente. De sentimentos e coisas ruins.

Assaltos, ganância, dinheiro, ambição, prostituição. Tudo de mais podre escorria como sangue, porém fétido e contaminado. Pior. A sujeira aumentava com as propagandas dos mesmos corruptos que comandavam aquele lixo. Faltava menos de um mês para as prévias, e Alex Halfen, o atual prefeito, seguia líder absoluto nas pesquisas. Era óbvio que os jornais estavam comprados.

A esta altura, quase com a noite caindo pela cidade, Malcomn subia pela principal da cidade. Sua garganta estava irritada com o ar e a falta de umidade. A cada 100 passos que dava, expelia catarro em meio à saliva pelas calçadas da cidade. O cigarro, sempre queimando em uma das mãos só piorava a situação.

Enquanto caminhava olhava para a cidade emporcalhada por propaganda política. Olhando para aquilo, Malcomn se lembrava de quando era jovem, e fazia parte da guerrilha urbana. Sabotavam políticos, assustavam poderosos, espalhavam dossiês. Até a polícia respeitava o grupo.

Agora, hoje, aquela merda de juventude estava perdida. Enquanto meia dúzia sugava o sangue de toda a cidade, o restante se esbaldava como porcos na lama com o pão e circo da politicagem. Qualquer coisa servia para aquela gente se sentir. Cada um só pensava em si. Big City tinha se transformado no quintal dos poderosos.

sábado, 11 de setembro de 2010

Cultura Suja - Uma folha de papel branco, nas mãos de Peter Callesen



Peter Callesen é um artista dinamarquês que se utiliza da arte japonesa do Kirigami ou Origami Arquitetônico, uma variação do origami que consiste em dobraduras e recortes de papeis que se transformam em monumentos de formas verdadeiras em 3D, variando sua escala, seja miniatura, tamanho natural ou gigante.


As obras de Callesen transformam a mídia mais usada em transporte de informação, a folha de papel A4, e retirando essas informações ele obtém um material branco e puro para mostrar a fragilidade do tema trágico e romântico que suas obras representam.


Callesen pensa que a folha de papel branco é um material que qualquer um pode se relacionar e que ela por si só é neutra e aberta para a criação, e sobre sua forma de trabalhar com esse material ele diz: “As esculturas de papel cortado exploram a transformação provável e mágica da simples folha de papel em figuras que se expandem para o espaço em torno deles".


Seu trabalho consiste na releitura de contos de fadas clássicos e associações à infância, os espaços onde o papel foi retirado se transformam, em sua maioria, sombras das esculturas. Exibindo nelas uma minúcia do real.



Callesen também gosta de usar humor e ironia em suas obras, mostrar um caminho entre o sonho e o real através de dobraduras, cortes e um pouco de cola. Peter Callesen possui um site onde se encontra tudo sobre seus trabalhos.

Acesse www.petercallesen.com, divirta-se com as imagens.

Confira mais:













Nane Doradinha

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Imagem Aqui - Fino do tosco


A estética do bizarro vem se popularizando de forma sagaz. Alguns já estão no mainstream da internet. Todos as razões para este fenômeno são expostas em cores, interpretações constrangedoras, efeitos visuais surreais e músicas que colam mais que chiclete.

Particularmente, sou um admirador assíduo do bizarro. Não aquele que se propõe a ser algo. Mas aquele maroto, que tem o objetivo de ser o fino do tosco. E não é fácil produzir algo que seja genuinamente bizarro, pois em algum momento, o criador sente a necessidade de dar um toque de sofisticação, que acaba com a originalidade da obra.


Por outro lado, ainda há muito preconceito. Mas se olharmos a história da arte, percebemos que normalmente o que é muito diferente da época é rotulado. Claro, a intenção aqui não é comparar ou igualar uma coisa à outra. O que vejo como ponto primordial nessa história é saber diferenciar o tosco do mal produzido.

No primeiro, a falta de recursos, o mal gosto, a produção realizada de forma mambembe e outros tipos de “problemas” podem ser considerados parte da estética, ou do produto. Já na segundo caso não. Aqui existe a necessidade de atender a um padrão estético e visual que segue o que temos como um senso comum de qualidade.


Materialize isso como o padrão Globo de produção, a indústria cinematográfica hollywoodiana ou qualquer coisa que esteja em comum acordo visual e referencial com você. A diferença é sutil, mas é claro, é possível de ser identificada. É só perceber que existe muita coisa aí que não pretende ser boa. Pelo menos não como nossas convicções estão acostumadas a apreciar.

Marc Balender

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Culto e grosso - Anagrama de Idéias


Peço o espaço ao camarada que faz a gestão da coluna. Tentei montar um anagrama de idéias. A tarefa não é fácil. A idéia é confundir tudo. Critiquem! Se gostaram ou não, a decisão é de vocês!

Decisões não são como aço.
E nem como um laço.
Que você amarra e não pode se soltar.

Quantas decisões você vai tomar hoje?
E outras quantas você deixou de tomar ontem?
Não teve tempo para pensar?

E se você quiser voltar atrás?
Volte.
Ou você quer viver pensando no que não fez?
Quantas perguntas.

Você pode continuar lendo.
É uma decisão.
E quais riscos você corre?
Pode estar perdendo tempo.
Pode pensar em tomar uma outra decisão.
Pode decidir que não decidiu porra nenhuma.
Pode parar.

A decisão é sua.
É claro que é!
Mas se quiser voltar atrás?
Volta logo, e pare de ser indeciso.
Tudo bem, você não sabe o que vai acontecer.
Mas se você não decidir, aí que não acontece nada.

Você quer que algo aconteça?
A escolha é sua.
E depois não diga que eu não avisei.
Ainda está indeciso?

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