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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Culto e grosso - Anagrama de Idéias


Peço o espaço ao camarada que faz a gestão da coluna. Tentei montar um anagrama de idéias. A tarefa não é fácil. A idéia é confundir tudo. Critiquem! Se gostaram ou não, a decisão é de vocês!

Decisões não são como aço.
E nem como um laço.
Que você amarra e não pode se soltar.

Quantas decisões você vai tomar hoje?
E outras quantas você deixou de tomar ontem?
Não teve tempo para pensar?

E se você quiser voltar atrás?
Volte.
Ou você quer viver pensando no que não fez?
Quantas perguntas.

Você pode continuar lendo.
É uma decisão.
E quais riscos você corre?
Pode estar perdendo tempo.
Pode pensar em tomar uma outra decisão.
Pode decidir que não decidiu porra nenhuma.
Pode parar.

A decisão é sua.
É claro que é!
Mas se quiser voltar atrás?
Volta logo, e pare de ser indeciso.
Tudo bem, você não sabe o que vai acontecer.
Mas se você não decidir, aí que não acontece nada.

Você quer que algo aconteça?
A escolha é sua.
E depois não diga que eu não avisei.
Ainda está indeciso?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Contos Sujos - Decisão - Parte 2


O início da segunda metade do ano em Big City faz a cidade ficar ainda mais cinza. Um vento soprava forte. O ar estava seco e pedia algo quente para beber. Enquanto descia a principal, Tony tomou um cigarro (filtro preto, do tipo mentolado) de dentro de seu capote surrado, acendeu e continuou sua caminhada.

Aquela hora da tarde a rua estava vazia. Caminhou pela avenida 41 e foi em direção ao Muddy`s, uma cafeteria no centro de BC. Pediu um expresso. Tony havia desenvolvido outra habilidade: tomar café sem açúcar.

Enquanto desfrutava do amargor do líquido, dava seus tragos no cigarro e observava o movimento na rua. Um estalo veio em sua cabeça:

-estou no lugar errado. Eu não deveria estar aqui...

Olhou novamente para rua enquanto pensava. Não sentia nada por aquele lugar. Pensou em tudo que havia feito contra sua vontade. Pensou em todas as coisas que tinha que fazer. Pensou em todas que tinha deixado de fazer. Falou quase que sussurrando:

-eu não preciso estar aqui...

Sem que tivesse notado, uma mulher acabara de ocupar o lugar em frente a ele. Tragava um cigarro. A garçonete estava servindo um conhaque. A mulher disse:

-por que está aqui então?
-não sei... – disse Tony sendo pego de surpresa.
-está aqui porque não consegue fugir desta realidade. Quer um conselho? Solte todos os laços...
-você não sabe o que está falando – retrucou Tony
-há algo que você não consegue largar. Se culpar por isso não vai resolver nada. Quer um conselho? Não pense, faça o que acha deve ser feito.

Tony acendeu outro cigarro enquanto tomava seu café. Estava difícil pensar naquela hora. Parecia que um golpe havia lhe acertado a cabeça. Forçou um pouco para tentar raciocinar, mas foi rapidamente vencido.

Pagou a conta, e despediu-se da mulher. Desceu a calçada da principal de Big City e sumiu sem deixar pistas. Alguém o procurou. Por várias vezes o telefone de seu apartamento chegou a tocar. Mas ele não queria ser encontrado. Tony tinha tomado uma decisão sem volta.

Contos Sujos - Decisão - Parte 1


Há muito tempo Tony chegava em casa e não conseguia encontrar paz. Ou melhor, em qualquer lugar em que ele se encontrasse não conseguia encontrar tranqüilidade. Parecia incomodado com tudo. As pessoas lhe incomodavam profundamente.

A forma como encaravam a vida, e faziam das coisas simplesmente... coisas.

Mais do que tudo, tinha asco de consumo. Se sentia mal, oprimido diante de luzes e peças de roupas caras, com marcas de grife. Sua conformidade com o pouco, ou com nada foi cultivada ao longo de longos anos.

Junto, criou uma capacidade quase pessoal de negar qualquer tipo de extravagância. Tinha tudo o que precisava para sobreviver e nada mais. Em seu pequeno apartamento no centro de Big City, poucos móveis.

Um abajur velho iluminava o centro de sua sala. Livros estavam cuidadosamente organizados ao redor de cada cômodo. Muitos livros.

A luz estava sempre a meio tom, quase escuro. Porém, nem aquele que ele considerava como sendo o último de seus refúgios, o tamanho de sua angústia era controlado.

Algo parecia crescer dentro de sua mente, e cada vez mais se tornava incontrolável. Apesar disso, não conseguia decifrar do que se tratava.

continua....

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