quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Imagem Aqui - Fino do tosco


A estética do bizarro vem se popularizando de forma sagaz. Alguns já estão no mainstream da internet. Todos as razões para este fenômeno são expostas em cores, interpretações constrangedoras, efeitos visuais surreais e músicas que colam mais que chiclete.

Particularmente, sou um admirador assíduo do bizarro. Não aquele que se propõe a ser algo. Mas aquele maroto, que tem o objetivo de ser o fino do tosco. E não é fácil produzir algo que seja genuinamente bizarro, pois em algum momento, o criador sente a necessidade de dar um toque de sofisticação, que acaba com a originalidade da obra.


Por outro lado, ainda há muito preconceito. Mas se olharmos a história da arte, percebemos que normalmente o que é muito diferente da época é rotulado. Claro, a intenção aqui não é comparar ou igualar uma coisa à outra. O que vejo como ponto primordial nessa história é saber diferenciar o tosco do mal produzido.

No primeiro, a falta de recursos, o mal gosto, a produção realizada de forma mambembe e outros tipos de “problemas” podem ser considerados parte da estética, ou do produto. Já na segundo caso não. Aqui existe a necessidade de atender a um padrão estético e visual que segue o que temos como um senso comum de qualidade.


Materialize isso como o padrão Globo de produção, a indústria cinematográfica hollywoodiana ou qualquer coisa que esteja em comum acordo visual e referencial com você. A diferença é sutil, mas é claro, é possível de ser identificada. É só perceber que existe muita coisa aí que não pretende ser boa. Pelo menos não como nossas convicções estão acostumadas a apreciar.

Marc Balender

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Culto e grosso - Anagrama de Idéias


Peço o espaço ao camarada que faz a gestão da coluna. Tentei montar um anagrama de idéias. A tarefa não é fácil. A idéia é confundir tudo. Critiquem! Se gostaram ou não, a decisão é de vocês!

Decisões não são como aço.
E nem como um laço.
Que você amarra e não pode se soltar.

Quantas decisões você vai tomar hoje?
E outras quantas você deixou de tomar ontem?
Não teve tempo para pensar?

E se você quiser voltar atrás?
Volte.
Ou você quer viver pensando no que não fez?
Quantas perguntas.

Você pode continuar lendo.
É uma decisão.
E quais riscos você corre?
Pode estar perdendo tempo.
Pode pensar em tomar uma outra decisão.
Pode decidir que não decidiu porra nenhuma.
Pode parar.

A decisão é sua.
É claro que é!
Mas se quiser voltar atrás?
Volta logo, e pare de ser indeciso.
Tudo bem, você não sabe o que vai acontecer.
Mas se você não decidir, aí que não acontece nada.

Você quer que algo aconteça?
A escolha é sua.
E depois não diga que eu não avisei.
Ainda está indeciso?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Cultura Suja - Ron Mueck e o hiperrealismo de suas obras



Ron Mueck é um australiano que começou seu trabalho com marionetes e manequins em Londres. Um de seus trabalhos foi encomendado por Paula Rego, e depois de ser descoberto por Charles Saatchi ficou conhecido por causar espanto com suas esculturas hiperrealistas do corpo humano.


Uma de suas primeiras esculturas após a sua descoberta foi a de seu pai, recentemente falecido, completamente nu, porem seu tamanho era menor que um metro de comprimento.


A precisão de detalhes, que foi exposta no National Gallery de Melbourne, Austrália, no inicio deste ano, é tamanha que se não fosse pela escala diminuta ou monumental de suas esculturas seria facilmente confundida com pessoas. Suas obras são tão intensas que provocam emoção por si só, mostrando o ser humano como é e não o humano perfeito.


O próprio Ron Mueck não sabe como denominar-se: artista, artesão ou técnico em hiperrealismo, pois diz: "Jamais quis ser um escultor. Não sei bem porque faço isto mas não me imagino a fazer outra coisa. Não me considero um artista, isto é simplesmente a única coisa que sei fazer."


A escultura de Ron Mueck mostra uma imagem falsa sem tirar a realidade do seu significado.

Veja mais:












Nane Dourado

sábado, 4 de setembro de 2010

Contos Sujos - O homem que tomava decisões - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última:

Sam logo já estava na rua distribuindo panfletos. Sua vida mudou rápido. O ranço do interior foi se perdendo aos poucos. E realmente ele estava conseguindo se virar. Mesmo com pouca grana, ele ainda conseguia viver bem.

Nunca tinha tido dinheiro, e por isso já se achava o cara mais rico do mundo. E na base da conversa conseguia se garantir.

Mas a vida na cidade realmente não era tão fácil. Sam não tinha nada parecido com um amigo. As pessoas eram diferentes. Distantes. Gananciosas. Ambiciosas.

E o tempo, com o tempo, passou a ser cruel. Sua vida não mudava. Não havia para onde correr. O trabalho a cada dia passou a ser mais desgastante.

Sentiu na pele o que era ser tratato com descaso enquanto entregava os papéis na rua. Era normal escutar palavrões de todo tipo. Ou ser sumariamente ignorado. Sam passou a guardar tudo aquilo. Passou a acumular tudo aquilo .

Até que tomou uma decisão. Pegar a estrada de vez. Abandonar tudo. E foi o que fez.
Sam pegou a estrada de vez. E foi em busca de algo. Algo que não tinha a menor idéia do que seria.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Contos Sujos - O homem que tomava decisões - Parte 2


Se você não está acompanhando, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda parte:

O caminhão seguiu rápido pela estrada. Sulley não podia fazer nada a não ser deixar o garoto na cidade. Quando o caminhão encostou na entrada da periferia, o caminhoneiro entregou um papel ao garoto:

-pegue. Aqui está meu telefone. Se precisar, ligue.

-obrigado, mas não vou precisar – disse Sam, colocando o pedaço de papel em um de seus bolsos, já virando-se e colocando a mochila nas costas.

A cidade parecia enorme. Rápida. Fascinante. Brilhante. Realmente impiedosa. O primeiro dia passou sem que ele percebesse, mas a primeira noite foi a mais longa de sua vida. Deitou-se em um banco de uma praça e tentou dormir. Não conseguiu. O barulho, o desconforto e o frio tomaram lhe o corpo. Cada hora, transformou-se em uma eternidade. O sol nasceu pálido, e junto, um pouco de esperança acendeu o coração de Sam.

Caminhou novamente pela cidade. Encontrou um banheiro público onde conseguiu fazer
parte de suas necessidades. Procurou por um mapa. Encontrou, foi atrás de algo para ganhar alguns trocados. Foi a duas agências, mas não tinham nada. Era preciso algo. Estudo. Não tinha nada. Caminhou novamente.

Alguns garotos entregavam folhetos na rua. Pizzas, restaurantes, dinheiro fácil, prostitutas, videntes. Havia de tudo. Enquanto analisava um folheto, puxou conversa com um rapaz:

-ela vê o futuro?

-vê...

-quanto cobra?

-20 por consulta. Traz amor de volta

-e você, quanto ganha?

-não sou vidente – respondeu o garoto

-quanto ganha para entregar os folhetos? – disse Sam impaciente

-25 por dia

-você deve ser rico. É muito dinheiro - disse maravilhado

-moro a três horas daqui, e mal tenho dinheiro para comer. Essa gente me ignora. Não existo para eles. 25 não dá nem para o início.

Continua...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Contos Sujos - O homem que tomava decisões - Parte 1


O sol brilhava forte na estrada. Cada novo passo para Sam era mais doloroso que o último. Suas botas estavam desgastadas com a longa caminhada. Seu corpo já apresentava marcas da jornada desesperada, e até por ele incompreendida. Despendia suas últimas forças para chegar a algum lugar que não conseguira nunca encontrar.

O suor escorria pelo rosto cansado, misturando-se a eventuais lágrimas que insistiam em descer de seus olhos. Sua única distração naqueles últimos meses era pensar em tudo que havia perdido e em cada revés que a vida lhe apresentara.

Sam estava cansado. Estava cansado de tudo. Durante toda sua adolescência sofreu, vendo-se colocado de lado em cada oportunidade. Cresceu em uma cidade do interior, recheada de preconceitos. A forma como as pessoas o olhavam. Como o tratavam.

Enquanto sua cabeça avançava, aquela gente o oprimia velada e sutilmente. Havia decidido pegar a estrada pela primeira vez, quando uma bolha estourou dentro de sua casa. As brigas de seus pais apareceram como um vendaval. Ele não suportou. Ainda pouco antes de um amanhacer, juntou o pouco que tinha, algumas mudas de roupas e saiu sem deixar rastro.

Não foi fácil até a primeira carona aparecer. Sulley, um caminhoneiro velho de estrada, parou o velho Ford na beirada da estrada. Enquanto o motor roncava alto, Sam alimentava seu sonho de sair e nunca mais voltar. Mas aquilo estava só começando.
Sulley alertou Sam sobre a cidade grande ainda no caminho:

-para onde está indo? – disse o caminhoneiro

-para a capital. Me leve pra lá

-o que vai fazer lá? Visitar alguma garota?

-não, vou fazer minha vida

Sulley viu que Sam sabia pouco sobre como seria a vida dele no meio do desconhecido.

-não tem onde ficar não é? Está fugindo...

-sei como me virar. Arrumo um emprego – disse Sam

-as coisas não são assim. Lá ninguém conhece você. Não sabem seu nome. Quem você é.

-disse que vou me virar. Não se preocupe.

continua...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Música Suja - BONOBO


Como já dito em colunas anteriores, o objetivo aqui não é fazer uma crítica musical consistente. Não tenho capacitação para isso, e nem me arriscaria a tal tarefa.

O que esta coluna pretende é indicar alguns sons que estão perdidos aí neste mundão da internet, e que no meio de buscas e pesquisas acabam aparecendo.

O que apresento hoje é BONOBO. O nome é derivado de um tipo de chimpanzé originário da África, e que vive especialmente em regiões do Congo. Porém, o grupo musical tem um europeu a frente, o DJ britânico Simon Green. Muitas das músicas estão ligadas a natureza, sejam no nome ou na forma orgânica como são construídas, e parecem realmente captadas ao ar livre.

O som é bem viajante, como vocês podem perceber. Mas é ótimo para fazer com que as idéias circulem melhor. Para quem está querendo tomar uma decisão importante vale curtir um pouco (não tenho o costume de escrever na primeira pessoa, mas eu me encaixo aqui). Incidental, calmo e bem bacana.

Days to Come


Terrapin

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