sábado, 13 de março de 2010

Cultura Suja - Muros Sociais Imperfuráveis

Nós vivemos em meio a tantos rótulos que é difícil se relacionar com todos sem ser julgado. Emos, playboys, funkeiros, pagodeiros, rockeiros, alternativos e nerds são designações que constantemente usamos. Criamos barreiras e universos muitas vezes independentes. A escola é um ambiente onde você percebe isso com facilidade.

Desde pequenas as pessoas são criadas com diferenças. “Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”. O trecho do livro de “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, ilustra bem o que estou falando. No começo da vida e principalmente na adolescência parecemos pré-destinados a sermos “winners” ou “losers”.




As salas de aula podem muitas vezes ser comparadas com as cidades modernas. No centro você tem a elite e em volta os marginalizados, os nerds e as pessoas “normais”, que não se enquadram em nenhum rótulo. Essa dualidade pode ser observada também, porém mais genericamente, entre escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio.

Portanto, num estabelecimento de ensino primário onde deveria ser ensinado um valor abstrato chamado “igualdade”, já pregam na sua testa que você é melhor ou pior, e esses rótulos são carregados para as ruas.



Os tempos de escola não costumam deixar muitas saudades. Arrisco dizer que vivemos em meio a um apartheid educacional. Só que ao invés de negros versus brancos, temos pobres versus ricos. Isso tudo leva aos muros sociais. Dessa forma, o pobre que consegue perfurar algum muro imperfurável através de uma bolsa de estudos, provavelmente acaba se sentindo um peixe fora d’água e vice-versa.




O sistema de cotas nas universidades reduziu os muros, apesar de não ter solucionado o problema. O REUNI está aí pra reduzi-los ainda mais. Mas será que a extinção dos muros será real? Se a qualidade do ensino for mantida, acredito que sim. Senão talvez seja criado para esta geração outro tipo de muro, com a dualidade profissionais pré-REUNI e profissionais pós-REUNI.

Arthur Viggi



sexta-feira, 12 de março de 2010

Sujos Factual-Para presidente Vote 69



As eleições presidenciais estão próximas, e entre Titia Dilma e o Vovô Serra é difícil saber quem é mais rejeitado. Claro que daqui a pouco a campanha eleitoral da TV vem entreter a grande massa e enfeitar a falta de carisma e a falta de competência dos dois principais candidatos.

Há quem diga que o presidente Lula é o maior fantoche político que o Brasil já teve, mesmo que seja um fantoche, não é o fantoche perfeito, é cheio de defeitos e falhas de fabricação e por isso um bom presidente.

Se lhe falta a lucidez para tantas coisas, lhe falta a lucidez para entender a necessidade de seguir a risca um discurso e desliza muitas vezes genialmente para o seu saber popular (não to sendo irônico). Um bom presidente feito de erros e sinceridade.


Mas, quem temia o Brasil governado por fantoches se prepare, porque nem Dilma, nem Serra escaparão de ser mera figuração a frente de interesses alheios.

Nessas horas se não há a outro candidato que nos agrade o que fazer? Voto em Branco?

Errado. Votar em branco não é a atitude mais adequada não, porque os votos em branco podem ser contabilizados a um dos candidatos. Se quiser abrir mão do seu voto, anule-o.


Votando em um número inexistente de candidato, fica a sugestão: 69. Vote 69, Anule seu voto. Mas a tal urna eletrônica vai tentar complicar sua vida, dizendo que seu voto é inválido e vai pedir que confirme seu voto novamente. Então vá e digite denovo: 69.

Pronto assim o seu voto não poderá ser reaproveitado por algum dos candidatos que você se recuse a votar.

O Voto é um direito importante, se for para anulá-lo que seja com consciência. Então se desaprova esses candidatos medíocres. Vote: duas vezes, 69.


João Ninguém

Culto e Grosso-Besta Mitológica



Um corpo alienígena, doente neste mundo. Uma mente envenenada pelos ares do medo que exalam os humanos. Um espírito livre, mas habitando um corpo, este quase livre, só preso pelo coração a uma corrente de moral, fixada por seus familiares, verdeiros ou falsos, pois a mentira quando repetida se torna familiar até ao mais bravo dos guerreiros.

Olhos prontos para ver a beleza na destruição, uma língua que chama o que há de pior das possíveis manifestações, e delas faz um martelo para desgastar a corrente aqui o prende. Sabe que não conseguirá em vida, mas prepara para subverter a morte. Se o ocidente estiver com a ordem, irá virar esqueleto de demência, e seu pó irá chocar aos demais por eras.

Se o oriente estiver com a ordem, estará pronto para transcender, mas não o fará, pois seria assim a prova em alma do Nirvana, e ele não quer provar nada, quer apenas ser ouvido, e que de suas tolas expressões e caretas disfarçadas as pessoas achem a desordem.

Não sabe o que quer, por isso pensa que é uma esfinge, com diversas pinturas em suas diversas faces, que estão sempre limpas, pois chora sem saber que chora, pois teme sem saber que teme, pois se engana, sabe disso tudo, mas se engana no delírio de que é superior, sendo que na verdade não passa de um corpo alienígena com garras e dentes pontudos, mil pênis, uma vagina em sua base, um ânus inchado porém selado por ele mesmo, intestino que brinca de correção ao se ofender, pés castigados, boca imoral, veneno ao invés do suor, plantações nos jardins em volta, alucinações inventadas, sentimentos apaixonados, verdades etéreas, um cérebro que teme ser narcisado pela sua existência, a dor de um poeta, a fúria pelo erro, o dualismo, uma grandiosidade fácil de abalar, mas que ao se perder não significa nada, grandiosidade nova existe neste corpo alienígena.

E dança, e canta, e ama, e dorme o sono atrasado. E morre para nascer novamente, diferente, igual aos demais.

Ismael 'Fly' Al. Schonhorst

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sujos Factual - Um verme aqui dentro


Os orientais adoram pensar na dualidade da existência, do mundo, dos fenômenos, das pessoas, da própria natureza. Acreditam que o que está em cima, embaixo também permanece, assim como, o dentro é o fora. Todas as dualidades formariam espelhos que ora se combatem, ora se complementam. O masculinho, ferrenho e desbravor em oposição e sincronia com o feminino recluso e detalhista.
Nos últimos tempos, dei um salto de qualidade na minha vida. Abandonei a carne. Meu consumo se restringe apenas aos vegetais, cereais, coisas com soja e, claro, carne viva - de vários sabores e genéticas.
Porém, o estresse da vida adulta acabou por carbonizar o meu corpo com dores e doenças misteriosas. A última delas, acaba de ocorrer em meu banheiro. Na privada havia um verme, algo próximo a uma lacraia, mas verme branco e com um escuro do seu alimento ou de seus ovos, na barriga. Uma legião de novos vermes. Todavia, eis que surge em mim a própria dúvida da dualidade:
Este verme ocupava os cantos do aparelho de descarga da minha casa ou da descarga do meu corpo? Demonstrava a torpeza dos canos do apartamento ou do alimento da minha alma?
Talvez, quem sabe, uma vingança cagada ou o anúncio de seu reinício!
Ele veio de mim ou para mim?
De qualquer forma a equação será a mesma: seras esse verme um corvo?




Jota Oliveira

Música Suja - Sobre a Democracia Chinesa no Planalto Central !


O despotismo esclarecido de Axl Rose, aliado à expansão mercadológica de sua obra operam numa lógica política absolutamente condizente ao título do mais recente trabalho dos Armas e Rosas. Sem querer me ater a idiosincrasias desnecessárias e improfícuas, não entrarei no mérito da dicotomia saudosismo versus experimentalismo. Falemos, pois, da apresentação dos Guns em Brasília neste último dia 7 de março!


Cerca de treze mil pessoas compareceram ao ginásio Nilson Nelson na capital federal para acompanhar o show de estreia aqui no Brasil. Apesar do atraso, o show parece ter agradado bastante a quem compareceu. A pirotecnia conjugada aos aparatos tecnológicos confirmaram a promessa de megaprodução e, por que não, megalomania de Axl.

A turnê segue para BH no dia 10, São Paulo dia 13, Rio de Janeiro dia 14 e despede-se do Brasil em Porto Alegre no dia 16. Segue abaixo o setlist bem mesclado com novas canções e clássicos da banda, além de alguns links com filmagens amadoras da fatídica apresentação! Tirem suas conclusões (...)


SETLIST :

"Chinese Democracy"
"Welcome To The Jungle"
"It's So Easy"
"Mr. Brownstone"
"Sorry"
"Better"
Solo de Richard Fortus
"Live And Let Die"
"If The World"
"Rocket Queen"
Solo de Dizzy
"Street Of Dreams"
"Scraped"
Solo de Dj Ashba
"Sweet Child O' Mine"
"You Could Be Mine"
Solo de Axl Rose
"November Rain"
"Knockin' On Heavens Door"
"Shackler's Revenge"
"Patience"
"Nightrain"

bis:
"Madagascar"
"Paradise City"

Confira mais aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=zjixUVDgCtg&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=wRfgoYxQNIY

Carlos Carvalho

terça-feira, 9 de março de 2010

Música Suja - O Anti-herói Britânico

Para alguns ele é uma cópia barata de John Lennon. Para outros, um compositor talentoso cujo a principal influência é John Lennon. Amado e odiado, Noel Gallagher é uma das maiores figuras da música britânica da década de 1990. Sempre controverso e polêmico, construiu uma respeitável carreira com o grupo Oasis, se destacando como o principal compositor, além de se tornar freqüentador assíduo dos tablóides devido a suas declarações e brigas com o irmão e vocalista do Oasis, Liam Gallagher.

Muitas dessas brigas foram encenadas, segundo eles próprios. Ah, é claro. O marketing é uma arma muito usada pelo Noel. O cara adora ser famoso e não nega. Certa vez disse: "Nada me incomoda mais quando grupos como Pearl Jam e Nirvana reclamam da vida e da fama.

Deixe eu lhe falar: ser famoso é ótimo! A emoção de quando alguém lhe pede um autógrafo, inacreditável!... Eu acho que não consigo entender os pensamentos de Eddie Vedder e o resto... quero dizer, se você não gosta do seu trabalho, porque você não vai trabalhar num lava-jato ou no McDonald's?"


Apesar das jogadas de marketing, Noel conseguiu tudo o que tem devido a seu talento. Ele compôs a maioria das músicas do Oasis sozinho, mostrando uma facilidade incrível para fazer boas músicas com poucos acordes. Muitos o criticam pela arrogância, mas não vejo isso como um aspecto negativo e sim como auto-confiança e marketing, acima de tudo.

Noel não é o modelo de herói que costumamos idealizar no mundo das celebridades. Ele não é o Bono Vox. No DVD do filme Trainspotting você encontra uma citação a respeito do músico, tecida por Irvine Welsh, autor do livro homônimo, num texto em que faz comentários sobre o filme.

Ele enquadra Noel numa categoria de “modernos anti-heróis da classe trabalhadora britânica que tiveram seu pedaço do bolo e comeram”. Gallagher pode ser melhor entendido, portanto, como um anti-herói que não tem qualquer problema com o fato de passar essa imagem ao público.


Agora separado do Oasis devido a uma real briga com o irmão, Noel segue em frente e já tem shows marcados para março, no Live For Teenage Cancer Trust, evento beneficente do qual ele participa desde 2000.

Ele nunca vai ser um herói, mas sempre será um músico de talento peculiar e uma personalidade irônica, introvertida e ambiciosa. Para finalizar e mostrar o que estou falando, aí vai outra célebre frase dele: “Tá perguntando se eu sou feliz? Olha, tenho 87 milhões de libras no banco, um Rolls Royce, 3 fãs me perseguindo, vou entrar na diretoria do Manchester City, faço parte da maior banda do mundo. Estou feliz? Não, eu quero mais!!!”

http://www.youtube.com/watch?v=uc2vvQx-ibM

Arthur Viggi






sábado, 6 de março de 2010

Cultura Suja - O Gênio dos Velhos Tempos Modernos

O nome “Charles Chaplin” é como “Beatles”: está tão entranhado na história da arte que, mesmo quem não entende do assunto já ouviu falar. Chaplin foi o típico exemplo de artista cuja carreira de sucesso resultou da combinação de talento com oportunidade. Saído de uma humilde família inglesa, o jovem artista imigrou para os Estados Unidos para tentar a sorte como ator, no princípio do século XX. Foi na ascendente Hollywood que iniciou nas telas, posteriormente se tornando um verdadeiro faz-tudo: estrelava, dirigia, produzia e até compunha a trilha sonora de seus filmes. Isso se deve ao contrato que Charlie firmou com a indústria, detendo total controle sobre o processo criativo das obras.




Sempre com uma visão crítica, Chaplin imprimia em seus filmes diferentes contextos históricos. “Tempos Modernos” é um filme que denuncia o Fordismo e a “maquinização” do homem. Vale a pena conferir. Mas suas melhores obras são “O Grande Ditador”, que trata do Nazismo de forma irreverente e ridiculariza Adolf Hitler, e “Luzes da Cidade”, uma crônica urbana que envolve uma jovem cega e o atrapalhado “Carlitos”, ou “Vagabundo”, personagem quase onipresente na filmografia de Chaplin. Tem também “Em Busca do Ouro”, filme que satiriza a corrida do ouro de 1898; “Luzes da Ribalta”, excelente filme que fala sobre um comediante alcoólatra que, ao ajudar uma jovem que tenta o suicídio, acaba encontrando nela forças para reerguer a própria carreira; e “O Garoto”, um dos primeiros filmes, que narra a ocasião em que o Vagabundo adota uma criança abandonada no subúrbio. Quase todos os filmes de Chaplin apresentam uma forte carga emocional, coisa difícil de ver hoje. Ao vê-los você cria uma conexão com a obra, se identificando com os personagens ou com seus ideais.


Devido a seu posicionamento esquerdista, Chaplin foi acusado de ser comunista na era do Macarthismo, e então durante uma “breve” viagem ao Reino Unido, teve seu visto revogado. A partir daí Charlie permaneceu na Europa, fixando residência na Suíça até sua morte, tendo retornado aos EUA somente para receber o Oscar honorário pelo conjunto de sua obra, em 1972.

Sua vida pessoal foi bastante controversa. Teve várias mulheres, todas bem mais jovens, e com elas 11 filhos. Há vários relatos de que por trás da máscara de seu personagem havia um homem triste, sem humor e com poucos amigos. Seja como for, o legado que o artista deixou foi de alegria e esperança em tempos modernos onde as guerras, a fome, a pobreza e o genocídio prevaleciam.

Charles Chaplin faleceu no Natal de 1977, aos 88 anos. Seu corpo foi enterrado em Vaud, na Suíça.

http://www.youtube.com/watch?v=zskO9O3hF78


Arthur Viggi

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