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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Culto e Grosso - Otimismo com um pé na cova



Viver a vida lembrando sempre que vamos morrer, parece uma idéia besta de se reforçar, mas quantos vivem desta forma? Pessoas vivendo para acumular bens, e depois acusam a minha visão de ser deprimente e negativa. Gozar momentos mortos, isso sim é negativismo. Considero o meu pensamento como a forma mais otimista de se viver.

Jovens orgulhosos de entrar na faculdade, é a preparação para o seu futuro, o sonho da ascensão social. Esqueçam! Vocês não vão crescer na vida como os seus pais. Dizem que na vida tem uma hora que a pessoa tem um apartamento próprio, emprego estável, bens financeiros fixos... Quando ocorre isso mesmo? Não ocorre. Isso é uma mística capitalista defasada, só não tanto quanto a mística que os jovens carregam como brasões, o orgulho por sua faculdade. A esperança do futuro já morreu há muito tempo, quando as novas gerações vão se dar conta disso? Não vão, não pensam.

Não são os jovens corpos que se degradam. É a realidade econômica que os criam incultos e incapazes de pensar, São os seus níveis intelectuais que estão degradados.

'Negativista', novamente ouço. Errado. Negativo é querer compactuar com a ideologia rota do trabalho. Você acha que as coorporações temem uma minoria dita revolucionárias? Sindicatos são piadas. Aprimoramento profissional é farsa. Vida social é engodo de diversão. Diversão é gozar livremente.

Aceitar amarras achando que esta é a forma de arrecadar fundos para a sua vida social, como se isso fosse divertido, como se isso fosse um escape do real objetivo, crescer na vida. Cresces na morte. Todos crescemos em direção à morte.

Poucos notam isso. Os outros estão muito ocupados dando o sangue nas escolas, nas universidades, nos empregos, juntando dinheiro, uma minúscula fortuna, que não servirá para nada, já que por mais que você trabalhe, dificilmente algo sobrará de herança para os seus filhos depois que as contas do funeral forem pagas. Parabéns, você morreu, e não conquistou nada. Não seria melhor ter conquistado a vida?

Leia mais, estude menos. Foda mais, foda-se menos. Ame mais, se embeleze menos. Coma mais, escravizasse menos. Viva mais, trabalhe menos. A vida só é perigosa se você tem medo do inevitável. O que vem antes dele, é gozo ao seu gosto, ou merda e mijo na sua cara. Nem a Telesena mais te salva! Você não é tão burro quanto fazem você dizer que não é.

Ismael 'Fly' Al. Schonhorst

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Cultura Suja - O Saber Incalculável

A Coluna Cultura Suja abre fora de hora para fazer uma homenagem.

O maior legado que alguém pode deixar é a lembrança. As vezes nos perguntamos qual é a nossa função na Terra. Acredito que lutar por alguma coisa que faça sentido, ou lutar na busca por um sentido é o instinto que nos mantém esperançosos. O valor da lembrança é muito maior que o valor da riqueza. Pessoas muito queridas que perdemos são a prova de que se você se entrega a um determinado propósito e se dedica a este mesmo, está deixando um legado não material e misterioso que ao mesmo tempo alegra e entristece os herdeiros, devido ao buraco imensurável da saudade.

As vezes nos perguntamos o que será de nós quando chegar a nossa hora, mas não perguntamos o que será de nós quando chegar a hora do próximo. Nos prendemos tanto a vida que não conseguimos enxergar a beleza dos que nos acompanham e a falta que essas pessoas fazem. Quando perdemos tais pessoas, temos aquela sensação de que aconteceu cedo demais e que devíamos ter sido mais afáveis ou ter nos alegrado mais com a simples presença delas.

É impressionante como a vida pode ser tão longa e ao mesmo tempo tão breve. Quando vemos uma pessoa trabalhando e se dedicando ao máximo ao seu propósito, nunca nos passa pela cabeça que tudo pode acabar em poucos segundos. A vida é assim: ingrata, insolente, sem sentido e sofrida. Ao mesmo tempo, é maravilhosa, bela, sorridente e gratificante. No final tudo se resume ao seu legado. Dizem os céticos que a função dos seres humanos é se manter como espécie. Mas isso esta dentro do mensurável.

O imensurável é na minha opinião muito mais importante. Quando se lembra de uma pessoa querida que foi embora, passa-se um filme na cabeça. Os gestos, as piadas e os bons momentos não podem ser traduzidos em linguagem matemática, como também não podem ser comprados. Mas eles podem ser transmitidos. O imensurável é repassado de geração a geração, seguindo o caminho dos antepassados que nos deram a luz.

Em memória de Prof. Simone, pelos anos prestados a vida e a educação

Arthur Viggi

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Conto Sujos - Arma - Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. se está, manda bala na segunda!

Enquanto acendia um novo cigarro, um carro enconstou na calçada. A porta se abriu. De dentro, um homem bem vestido saiu do modelo. Era o oposto de Sony. O homem parecia ter dinheiro, pose e status. Passou a mão pela cintura de Lynn, abraçando-a. Um beijo leve tocou os lábios da mulher.

O tesão que Sony sentia foi rapidamente substituído pela fúria. Sentiu vontade de atravessar a calçada e quebrar o sujeito. Bater em lynn. Já não sabia mais o que fazer.

Sua mente tornou-se um turbilhão de pensamentos. Agora que tinha visto o que se passava, preferia continuar com a dúvida. Ou queria nada saber. Estava completamente confuso. Saiu do bar, acertou as cervejas, comprou mais dois pacotes de cigarros e caminhou, sem saber para onde ir, pelas ruas da cidade.

Sem perceber, já estava de frente para o apartamento. Subiu a escada enquanto tragava um cigarro. Entrou. Logo ao lado da porta, pegou seu velho taco de beiseball e golpeou portas e janelas com violência. Revirou tudo o que podia ser revirado em busca provas. Sentou-se, com as duas mãos segurando sua cabeça. Chorou, como uma criança.

Enquanto tentava esquecer a cena, abriu uma cerveja. Mais uma. Tinha comprado muitas para a ocasião. Sabia que iria precisar. Pensou no que fazer. Acendeu outro cigarro. Lynn só chegaria em casa dentro de 6 horas. Tinha muito tempo para poder trabalhar seu ódio, e pensar em algo.

continua...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Contos Sujos - Melodia - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última!

Já trôpego, pegou seu copo vazio e levou ao balcão. Pediu ao garçon que preparasse mais um, e deixasse ao lado do banco no palco. Enquanto fez o pedido, tirou um saquinho do bolso. Nele havia algum tipo de pó. Entregou ao homem e disse:

-quando preparar meu drink, coloque isto por favor...
-não permitimos drogas aqui... – rebateu o sujeito
-isto não é droga. Coloque por favor.

O garçom olhou desconfiado, mas aceitou o pedido. Lancy correu até o palco sacou o violão e começou sua apresentação. Acordes rápidos davam o tom do folk. Sua voz saiu rouca, mas aos poucos foi ganhando força. A canção saiu assim:

Me deparo com pessoas que nada querem
Que me sublimam, me transformam em nada mais que nada
Que me olham cinicamente, e mentem

Que fecham as portas, para falarem baixinho
Coisas que nem seus pais, nem meus pais imaginam
É pura bobagem

Quem te dão um abraço com mãos forradas de espinhos
Beijos carinhosos de um veneno doce e infantil
E que eu aceito rindo

Que pisam em você, como pisam em um animal
Que comem sua pele como comem a refeição
Paga com meu sangue

Que dizem que de desejam, mas não ficam ao seu lado
Que te querem, mas “cospem” no seu carinho
Mas é assim

A canção acabou aqui
A melodia não tem ritmo
Os versos doem em meu ouvidos
Cala-te, fecha tua boca


A intepretação foi feita com calor. Enquanto dedilhava os últimos acordes, Lancy pegou o copo colocado pelo garçom ao seu lado, e bebeu. Bebeu toda a dose. As últimas notas saíram mascadas.

A melodia foi ficando lenta, ao mesmo tempo que o público com mais atenção acompanhava. A última palavra que saiu de sua boca foi impossível de ser entendida. Lancy moveu-se para frente.

O violão bateu antes no chão do palco. Sua cabeça atingiu o instrumento com violência. A respiração fraquejou. A melodia realmente havia acabado. E não era droga. Era uma passagem. Lancy não queria mais. Não aguentava mais. Era o Gran Finale. Caiu duro no palco, já se qualquer respiração.

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