sexta-feira, 5 de março de 2010

Sujos Factual - Sarney na Presidência?


Você consegue imaginar o pomposo senhor bigode da política nacional na Presidência?

Quem lê minha pergunta e não esteve muito interado do que rolou por essa semana, pode pensar que falo do passado. Quando em função da morte do então presidente Tancredo Neves, Sarney assumiu a presidência (1985-1990). E dessa passagem não posso me atrever, porque esse, hoje barbado, colunista foi fabricado, concebido e nasceu nesse período(1988).

Mas não é caso passado, infelizmente falo da nossa política iminente, falo de amanhã, corremos o risco de ter Sarney na Presidência novamente. Sim, é possível meu caro amigo, não faço terrorismo. Está em todos os jornais, e noticiário.


Segundo, o Jornal O Globo, o presidente Lula cogita a possibilidade de se afastar da presidência nos meses que precedem a eleição, para poder se empenhar de vez na epopéia de tornar a candidata Dilma popular e forte para as próximas eleições.

Esse afastamento voluntário da presidência seria importante para Lula não se complicar com a justiça eleitoral.


Porém, essa manobra política pode ser muito mais perigosa para o próprio Lula do que para qualquer outra pessoa envolvida. Hoje é unânime a opinião que o nosso atual presidente terá papel decisivo na influência do eleitorado. Há quem diga que atualmente Lula tem real poder de escolher seu sucessor.

Só que na tal manobra de afastamento, ele pode colocar no cargo a última pessoa indicada pra ele. Como o imediato na sucessão vice-presidente José de Alencar deve se afastar para disputar as próximas eleições para governador; assim como o seguinte na linha sucessória o presidente da Câmara de Deputados, Michel Temer. Lula passaria o bastão para Sarney.

Entendem a gravidade do ato? caso isso aconteça, ficaria Lula imune as críticas?


Sinceramente, se isso realmente acontecer, eu penso que Lula está dando a arma que a oposição precisava, mas não tinha contra sua popularidade. Relendo meu próprio texto percebi até aqui percebi que ele parece partidário do PT e Lula.

Só que não é nada disso, vocês que acompanham essa coluna sabem da minha rejeição a candidata Dilma, e agora é tudo mais claro como uma escolha errada( a indicação dela) pode complicar uma sucessão que parecia tão simples pela medida da popularidade de Lula.

João Ninguém

quinta-feira, 4 de março de 2010

Contos Sujos - Tratamento - Parte 3


Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última:

O olhar de Bernard por um momento desviou-se da mesa. Mas nenhuma palavra saiu de sua boca. O doutor continuou a a falar:

-porém, caso o tratamento não evolua, serei obrigado a relatar isso a assistente social, e algo ainda pior pode acontecer. Não quer falar nada?

As palavras agora sairam da boca do garoto, calculadas lentamente:

-o que quer que eu diga? Que tive prazer em colocar fogo naquele lugar? Isso seria bom ou ruim? Não me faça ameaças. Quem dirá o que vai acontecer ou não sou eu – Bernard foi frio, olhando agora fixamente para o homem que o observava.

Chapman mateve-se calmo, tentando ver onde o menino queria chegar:

-O que você quer dizer?
-o que quero dizer – um leve sorriso tomou-lhe a face – é que o senhor vai falar que ou tramento está indo muito bem... ou melhor... vai dizer que eu não tenho problema algum...
-não estou entendo Bernard... – disse Chapman
-ou o senhor faz isso, ou digo a assistente social que o senhor faz atos um tanto “obscenos” durante a sessões de tratamento, e por isso, quer prolongá-las o máximo possível...

O homem sentiu-se incomodado com aquele raciocínio. Porém, ainda não havia terminado:

-ninguém precisa ter certeza de que estou dizendoa verdade. Mas o boato, e o fato de que sou “doente” já seria um tanto ruins para você e para sua carreira, não é? - finalizou o Bernard.

Chapman fechou a cara. Havia levado um xeque-mate sem ter feito qualquer jogada. Não dava para brincar com o garoto. Ele realmente parecia ter algum problema, mas que em nada o tornava um pobre coitado.

Contos Sujos - Tratamento- Parte 2


Se você não está acompanhando este conto, a primeira parte está logo aqui em baixo. Se está, manda bala na segunda:

Durante o trajeto até o consultório, não se falaram. O garoto era realmente instrospectivo. Além disso, Anne não sabia como lidar com a situação. Na verdade, sentiu-se até bem com o silêncio. Bernard realmente a incomodava de alguma forma. Subiram juntos a escadaria do prédio. Anne troucou poucas palavras com Chapman:

-Está entregue doutor.Volto dentro de uma hora e meia para buscá-lo.

Os dois entraram na sala. O psiquiatra conduziu o garoto até o divã onde seria realizada a sessão. Enquanto Bernard encontrava uma posição confortável, Chapman analisou rapidamente a ficha e iniciou o diálogo:

-Bernard, poderia me falar sobre o que aconteceu na escola?

O garoto manteve-se em silêncio, observando fixamente as pilhas de papel em cima da mesa. Chapman continuou:

-tudo bem, não vamos falar sobre isso agora. Você poderia me falar sobre a escola então?

O garoto continuava sem demonstrar qualquer tipo de reação. Olhando fixamente para a pilha em cima da mesa. Parecia estar distante. Chapman continou dizendo:

-as investigações foram inconclusivas. Mas ao que parece você era o único que sabia da existência de produtos inflamáveis na escola. É por isso que você está aqui. Se conseguirmos conversar um pouco sobre o que aconteceu, você não precisará me ver mais – Chapman tentou controlar-se, falando calma e pausadamente, apesar da dificuldade em tratar uma criança daquela forma.

continuou...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Contos Sujos - Tratamento - Parte 1


Bernard chegou cedo ao consultório. Não havia como se atrasar. A assistente social que o levara até o Dr. Chapman foi pontual. Apesar da casa do garoto ficar distante do centro de Big City, Anne passou bem antes das 8 da manhã. Enquanto dirigia, pensava no caso.

Acostumada a acompanhar adolescentes e jovens criminosos, era a primeira vez que tinha em suas mãos uma criança. Aquilo perturbara a sua cabeça, principalmente pela ficha a que teve acesso.

Desde cedo, Bernard apresentava traços problemáticos. No jardim de infância, chegou a se esconder durante um dia inteiro. A busca durou cerca de 24 horas. Quando o encontraram, em meio a materiais de limpeza e suprimentos, ele desenhava calmamente.

Em outro episódio, com um pouco mais de idade, durante um intervalo, surrou um colega de classe impiedosamente, não demostrando qualquer traço de arrependimento. Bernard sempre dizia a mesma coisa quando indagado sobre cada uma de suas ações:

-não quero fazer a prova

Ninguém na escola sabia dizer que prova era essa. E o garoto se negava a falar mais do que a justificativa. Em casa, o comportamento era o mesmo. Medo constante, atitudes violentas e poucas palavras que mostrassem qual o real motivo de tudo aquilo. O tratamento com o Dr. Chapman foi recomendado depois que Bernard se tornou o principal suspeito de um incêndio.

Apesar de inconclusivas, as investigações feitas pela polícia (não que a polícia de Big City tivesse uma reputação respeitável) mostraram que alguém, de dentro da escola, teria causado o incêndio proposital que destruiu parte da sala de suprimentos. Além disso, o autor sabia que ali existiam produtos inflamáveis, que rapidamente causariam o aumento das chamas.

E o único, fora os funcionários, que sabia disso era justamente Bernard. Durante o interrogatório, a única resposta já era conhecida:

- não quero fazer a prova


continua...

terça-feira, 2 de março de 2010

Culto e Grosso-No cu do Cult


Aproveitando o gancho dado pela coluna de ontem, segue mais um texto tratando sobre o assunto.

Para quem tem alguma relação com a área de comunicação, o texto “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”, de Walter Benjamim, é familiar. Segundo o autor, a possibilidade produzir em grande escala bens culturais, como pinturas, fotografias e artigos artísticos em geral tem papel fundamental na difusão e democratização do que se chama de arte. Claro, aqui trato brevemente do assunto, e reproduzo de forma tosca e pessoal a visão geral sobre o tema.

Walter Benjamim rivalizou com importantes estudiosos da área da comunicação, ao tratar o assunto com tal ótica. Theodor Adorno e Max Horkheimer, ambos da tradicional Escola de Frankfurt, ao contrário, enxergavam na reprodutibilidade uma ameaça à originalidade da obra e a possibilidade de que as massas fossem manipuladas por uma elite detendora dos meios.

Porém, nenhuma das duas teorias levou em conta o surgimento da Internet e dos demais meios de difusão da informação nos moldes que temos hoje (claro, o primeiro ensaio de Benjamim sobre o assunto foi produzido em 1936!).


Qual a relação disso com o que é cult e cool?

Hoje, o acesso é quase ilimitado. Praticamente se encontra tudo na rede mundial. De cds de forró à pinturas. De obras completas de importantes autores chegando a acessórios para o carnaval em Olinda. É fácil. E por isso, encontrar substituiu o que antes era conhecido como acesso.

Cultura erudita? Outro termo que parece perder o sentido. Pois também estava ligado diretamente à acesso, e a custo ($).

Então como classificar o que é bom ou ruim? Com a busca.

Note que o monopólio da informação atualmente se dá pela velocidade, pelo ineditismo e pela forma como se chega à ela. A qualidade em si fica para uma análise posterior, caso se faça necessária, mas são Cults e Cool´s que puxam o bonde e ditam as regras. Se você concorda ou não, aí é outra história.


O fato é que, no sentido oposto da democratização e da popularização, o que se busca é a particularidade. Cultura e informação de qualidade, é aquela que poucos conhecem, ou poucos encontraram, reconstruindo os conceitos de Theodor Adorno e Max Horkheimer em um novo cenário.

Experimente dizer que um samba é bom. Ou que você está doido para comprar aquele cd de viola caipira. É provável que você receba olhares de reprovação, ou que o assunto se volte para o novo CD daquela banda experimental que você nunca ouviu falar.

E se de tudo ainda existir espaço para discussão, é provável que suas opiniões sejam tomadas como algo ligeiramente tosco. Incomodar-se com isso é da personalidade de cada um. O lance é saber que modas não são regras. E mesmo que ela faça uso de instrumentos populares ou tradicionais, ou basicamente seja consumida pelo povão, a qualidade dela não necessariamenteserá ruim. Seria determinista e simples demais.

Enfim, gosto é que nem bunda. O feio é usar calça xadrez e justificar a qualidade usando unicamente a esfericidade do umbigo cult-cool como padrão estético de uma sociedade que hoje é plural, diversa e tem, quando quer, acesso ao que julga ser bom.

Em uma próxima oportunidade falaremos sobre referências.

Marc Balender

segunda-feira, 1 de março de 2010

Conto Sujos - Melodia- Parte 3



Se você não está acompanhando este conto, as duas primeiras partes estão logo aqui em baixo. Se está, manda bala na última!

Já trôpego, pegou seu copo vazio e levou ao balcão. Pediu ao garçon que preparasse mais um, e deixasse ao lado do banco no balco. Enquanto fez o pedido, tirou um saquinho do bolso. Nele havia algum tipo de pó. Entregou ao homem e disse:

-quando preparar meu drink, coloque isto por favor...
-não permitimos drogas aqui... – rebateu o sujeito
-isto não é droga. Coloque por favor.

O garçom olhou desconfiado, mas aceitou o pedido. Lancy correu até o palco sacou o violão e começou sua apresentação. Acordes rápidos davam o tom do folk. Sua voz saiu rouca, mas aos poucos foi ganhando força. A canção saiu assim:

Me deparo com pessoas que nada querem
Que me sublimam, me transformam em nada mais que nada
Que me olham cinicamente, e mentem

Que fecham as portas, para falarem baixinho
Coisas que nem seus pais, nem meus pais imaginam
É pura bobagem

Quem te dão um abraço com mãos forradas de espinhos
Beijos carinhosos de um veneno doce e infantil
E que eu aceito rindo

Que pisam em você, como pisam em um animal
Que comem sua pele como comem a refeição
Paga com meu sangue

Que dizem que de desejam, mas não ficam ao seu lado
Que te querem, mas “cospem” no seu carinho
Mas é assim

A canção acabou aqui
A melodia não tem ritmo
Os versos doem em meu ouvidos
Cala-te, fecha tua boca


A inteepretação foi feita com calor. Enquanto dedilhava os últimos acordes, Lancy pegou o copo colocado pelo garçom ao seu lado, e bebeu. Bebeu toda a dose. Os últimos acordes saíaram mascados.

A melodia foi ficando lenta, ao mesmo tempo que o público com mais atenção acompanhava. A última palavra que saiu de sal boca foi impossível de ser entendida. Lancy moveu-se para frente.

O violão bateu antes no chão do palco. Sua cabeça atingiu o instrumento com violência. A respiração fraquejou. A melodia realmente havia acabado. E não era droga. Era uma passagem. Lancy não queria mais. Não aguentava mais. Era o Gran Finale.

Culto e Grosso-Pé Quente, Cabeça Vazia




Minha crítica à modernidade não é arrogância. O povo que anda muito 'bunda' hoje em dia mesmo. E os que mais se acham são os mais 'bundas'.

Pessoas bonitas, bem vestidas, descoladas, levando uma máscara de moderno, cult, alternativo, sabe tudo, não se importa com nada, enfia o blasé na bunda e volta para o colinho da mamãe, moleque rebelde.

Pessoas decorando cânones do que te fará parece legal perante os outros Múmias 2.0, pessoas querendo parecer sábias, pessoas dizendo 'meu gosto é mais obscuro que o teu', pessoas comentando diretores, autores, músicos, sempre os mesmos, sempre sem saberem do que estão falando, enfia o cool na bunda e volta para o colinho da mamãe, guria transada.

Pessoas que dizem 'é para poucos', 'é para exclusivos', que reclama do gosto alheio, que reclama que o mundo está ruim, que reclama que o povão é ignorante, que se acha o maioral por dizer que conhece algo, que gosta de algo, que viu algo, enfia a falsa sabedoria na bunda e volta para o colinho da mamãe, riquinho mimado.

Pessoas que se vestem como se morassem na Europa em pleno calor de verão, pessoas que ficam catando nomes para cuspir como quem come farofa e fala de boca cheia, farofa é o que eles consome, farofa é o seu gosto raso, enfia a falta de profundidade na bunda e volta para o colinho da mamãe, pagador que é pobretão coitado.

Bom é gostar por gostar, não por querer se mostrar. Bom é ser 'pica' para gozar fudendo com os 'bundas'.

Ismael 'Fly' Al. Schonhorst

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